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Cultura

Dona Maria Florian Astini – Missão: parteira – II

Tomaz de Aquino

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Imigrante italiana da Província de Treviso, nasceu em 15 de outubro de 1879. Faleceu com 91 anos de idade, no dia 24 de julho de 1970, em Jaguariúna. Residia na Fazenda Saint Cloud (São Cru), trabalhadores no Café. Grávida do primeiro filho, encontrando-se sozinha, precisou realizar o seu próprio parto. Meses depois, socorreu uma vizinha que se encontrava na mesma situação. Um dia ela conversou sobre o ocorrido com Dr. Clemente Hottman Jr, médico campinense que clinicava na região. Ele incentivou-a a exercer a atividade de parteira, uma vez que havia carência de pessoa especializada na região. Ele deu-lhe orientações fundamentais de higiene e dos cuidados necessários com recém-nascidos, passando assim tal senhora a atender as mulheres da sua comunidade e das fazendas vizinhas. Mudou-se para a Vila de Jaguary, pois seu marido Luís Astini tornou-se ferroviário. Moravam ao lado da casa do chefe da estação. Casario, atrás do estacionamento dos caminhões dos Bombeiros na Avenida Marginal. Sob a luz do sol ou sob o clarão da lua, na estiagem ou com chuvas e trovoadas vinham buscar a corajosa “Mamma” para servir as parturientes e segurar os novos rebentos do vilarejo. Antigamente o transporte disponível era o carro-de-boi, o cabriolé, a carroça, a charrete, ou outro cavalo arreado. Assim a abnegada senhora atendia o povo graciosamente em dia de sol ou de chuva, em noites de luar quentes ou frias. Quando sentia o trabalho complicar-se, de pronto enviava mensageiro ao Dr. Clemente. Ele não hesitava em atender a seu chamado, suspendia consulta para vir em socorro do nascituro e de sua mãe. E a experiente parteira assistia o médico até o nascimento e primeiros cuidados. Por mais de trinta anos atendeu parte das tradicionais famílias do Distrito de Paz de Jaguary: Gothardo, Chiavegato, Pires, Rizzoni, Souza, Ferrari, Frachetta, Poltroniéri, Parisi e muitas outras… Ela sentia orgulho em dizer que nunca um bebê morreu em suas mãos. Pelo seu trabalho ofereciam-lhe alguma quantia em dinheiro e os que não podiam, davam-lhe, como agradecimento, frangos, ovos, verduras, frutas. Desta forma, ela ajudava o seu marido no sustento de seus treze filhos: Achilles, Isolina, Ilva, Lino, Odilo, Alzira, Nair, Gumercindo, Ignez, Raul, Romeu, Julieta e José A Casa da Memória Padre Gomes precisa do relato de memórias destas abnegadas senhoras que atendiam, graciosamente, as parturientes necessitadas a qualquer momento do dia, trazendo à luz as novas gerações que foram tecendo a história da cidade.Tragam a esta Instituição de Memória a história da Parteira que serviu a sua Mãe e foi a primeira a segurar-lhe nos braços. A municipalidade homenageou-a dedicando-lhe um logradouro público: Rua Maria Florian Astini. Este tipo de Museu e/ou Arquivo Público pesquisa diariamente os relatos das memórias sobre estas pessoas abnegadas que exerceram as mais diversas atividades em benefício da coletividade. De posse também da tradição oral, da recolha da “Memória dos Velhos”, as instituições fazem crescer a historia que também se alimenta de memórias para suas pesquisas, procurando salvar o Passado a fim de compreender o presente e planejar o futuro. (Jacques Le Goff). O Presente alimenta-se da experiência, da sabedoria do passado. Você que assimilou esta verdade e é o genealogista de sua Família já trouxe aqui estes dados pesquisados e estas memórias e histórias contadas ou gravadas dos seus antepassados? Ainda que sejam rascunhos disformes, fotos envelhecidas ou rasuradas organizaremos tal fonte, pesquisaremos mais, com sua autorização publicaremos. Cumpre registrar nossa História. Atenciosamente gratos.

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Cultura

Rosa Martins Clemente – história e memórias

Tomaz de Aquino

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Esta pessoa maravilhosa que foi luz em Jaguariúna nasceu em Morungaba, no dia 06 de setembro de 1925, Filha de Ângelo Martins e de Guilhermina Rodrigues do Carmo, berço de sólida formação católica. Moradora por décadas na Rua Alfredo Engler em casarão de 1894, vizinho da atual Loja Montreal. Chegou com os pais e irmãos: Ditinho Sorveteiro e Florinda para Jaguariúna, em 1935. Estabeleceram-se com a primeira sorveteria nas duas últimas portas do sobrado de esquina de 1896, dos Poltroniéri. Hoje, Biblioteca Municipal. A vida da família oscilava entre o trabalho que começava na madrugada e a participação na vida da Igreja. Rosa, menina, ia buscar leite, a pé, com os irmãos menores, na Fazenda do Pires (Florianópolis, (Serrinha) para seus pais prepararem os sorvetes. Antes de clarear o dia participava da Missa e comunhão. Assim desde cedo, recebeu o dom de Santa Cecília para o canto e a música sacra. Família com grande sensibilidade artística, ouvido apurado e voz afinada, todos os filhos cantavam maviosamente, assim como seu pai. Padre Mariano encaminhou-a juntamente com Therezinha Búffolo a um curso de organista em Campinas. Rosa ingressou na Pia-União das Filhas de Maria. Era catequista, cuidava das meninas da Cruzada Eucarística. Preparava-as para a coroação de Nossa Senhora. D. Rosa participava dos teatros na Sede dos Marianos, nos anos 40. Guardava consigo os textos originais assim como zelava por um caderno que continha os discursos feitos nas solenidades. Doou-o para a Casa da Memória. Era a memorialista que nos contava a história da Igreja local: as procissões de barco de 1938 e 1942, no Rio Jaguari, com a respectiva encenação. Ela não se cansava de mencionar os dotes musicais do Padre Simões que compôs missa cantada em Latim e que se banhava no Jaguary, diariamente, às 6h da manhã. Sabia do valor histórico das fotografias e guardava-as com cuidado. Cedeu as mesmas para cópia desta Casa da Memória. A Igreja Católica era plena, em seu calendário litúrgico, de novenas, tríduos, 1ªs Sextas-Feiras do Mês, confissões, comunhões, semanas de evangelização, sermões, missões, rezas, bênçãos do S.S. Sacramento, hinos, alvoradas, repiques de sinos, altares, procissões, andores, romarias, vias-sacras, guardas, visitas. Tempo da Igreja piedosa e evangelizadora do Papa Pio XII. Dona Rosa tornou-se o símbolo do trabalho voluntário na igreja e na comunidade. Nunca se omitia. Partia para a ação. Esposa exemplar do Sr. Valdomiro Clemente, funcionário municipal, e mãe dedicadíssima da Prof.ª Dinah, do saudoso Charles e da Prof.ª Mônica, foi também a madrinha do Maestro Dr. Lima Júnior e sua irmã Maria Teresa de quem ajudou a cuidar na infância. No mês de outubro, Pe. Gomes, quando o coro não podia comparecer, incumbia a ela do canto no mês do Rosário. Tinha voz de cristal como soprano, e canora no contralto. Com a morte súbita da organista Therezinha Búffolo Bueno, em 1988, convidada por todos, ela assumiu a posição oficial de organista do Coro Sta. Maria e, depois, com a enfermidade do Prof. Mário Bergamasco, assumiu também o Coro Santa Cecília. Responsabilidade, dedicação, empenho eram as suas virtudes nas tarefas que assumia. Nunca faltava a um compromisso! Preparou o coral para a apresentação da |Missa cantada “De Angelis” nos 90 anos de Pe. Gomes, e seus 50 de Jaguariúna, em 1997. Cozinheira de mão cheia recusava os convites, quando a família queria levá-la a um restaurante. Fazia questão de preparar sozinha as refeições, receber a todos e atender os pedidos dos filhos e netos que apreciavam seus saborosos pratos. Professora de Corte & Costura, costurava para a família e teve grande clientela. Bordava o ponto-cruz com perfeição. Após a cirurgia nos olhos, no adentrar do século XXI, passou a batuta do órgão eletrônico da Igreja para as suas pupilas e afilhados Júnior e Mathê, permanecendo como cantora até 2008. Cantou aproximadamente 73 anos. No dia 09 de outubro de 2011, Monsenhor Gilberto comunicou, na Missa dominical, que o Coro dos Anjos precisou de reforço e veio buscá-la. Vida plena de trabalho, doação e exemplo. A Ela nossa Homenagem!

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Cultura

ANCINE veta captação de recursos para filme sobre FHC

Vanderlei Tenório

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Segundo matéria do Farofafá, da Carta Capital, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) vetou o direito de captação de recursos para o documentário ‘‘O Presidente Improvável’’, sobre a trajetória de Fernando Henrique Cardoso. O filme era proposto pela Giros Filmes, cujo documentário ‘‘Menino 23’’ (2016), de Belizário Franca que se tornou elegível ao Oscar, em 2016.

O Papo de Cinema apurou que a decisão foi tomada pelo presidente substituto da agência, Mauro Gonçalves de Souza, junto ao diretor substituto Edilásio Barra. Na decisão, Souza e Barra alegaram que os motivos apontados para o impedimento se revelam preocupantes, por partirem de um juízo de valor político e ideológico, ao invés de um parecer técnico. Ainda segundo eles, a justificativa critica o “notório aproveitamento político, às custas dos cofres públicos”, na “proximidade das eleições de 2022”. O texto continua: “Se o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade de leis que autorizavam a mera denominação de logradouros públicos com nomes de pessoas vivas, por vulneração do princípio de impessoalidade, me parece, sim, muito mais grave, e pelas mesmas razões, aprovar projeto com conteúdo político na obra em que se homenageia político vivo e ainda em atividade”.

De acordo com o crítico de cinema Bruno Camelo, o raciocínio se revela problemático por diversos motivos. Primeiro, uma obra de arte não deve estar sujeita às mesmas regras aplicadas aos nomes de ruas. Segundo, não cabe à direção da Ancine determinar se o “aproveitamento político” de uma obra é válido ou não – sobretudo em se tratando dos mesmos nomes que acabam de aprovar a captação de recursos para ‘‘Nem Tudo se Desfaz, filme de Josias Teófilo sobre a carreira de Jair Bolsonaro.

Para Camelo, o terceiro motivo, e mais importante, se encontra na ideia de que mencionar um político numa obra, ou analisar a sua história, não equivale necessariamente a homenageá-lo – a leitura pode ser bastante crítica, a exemplo de tantos documentários de Michael Moore e Oliver Stone nos Estados Unidos, e ‘‘Democracia em Vertigem’’ (2019), ‘‘Abismo Tropical’’ (2019)e ‘‘O Processo’’ (2018) no Brasil, ou mesmo ‘‘Não Vai Ter Golpe!’’ (2019), para citar um exemplo de projeto de direita.

‘‘A decisão de permitir algumas obras de cunho político em detrimento de outras cuja linha desagrada ao governo constitui evidente gesto de censura. Normalmente, diante destes casos, os responsáveis repudiam o termo por tecnicamente não proibirem a realização da obra – O Presidente Improvávelainda pode ser realizado apenas com verbas privadas, a exemplo da ficção Lula, o Filho do Brasil (2009). No entanto, a estratégia de dificultar uma produção, ou privilegiar certas vertentes ideológicas, entra na própria definição do termo censura’’, frisa Camelo, em análise feita ao site Papo de Cinema.

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Cultura

Wanderlândia Melo ganha prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante na 1ª edição do Fic Rio

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Baseado no conto “O Natal na barca”, de Lygia Fagundes Telles, o curta-metragem alagoano “A Barca”, é o primeiro filme escrito e dirigido por Nilton Resende, traça o encontro de duas mulheres com perspectivas diferentes sobre a solidão. Uma delas, ao embarcar e ser perguntada pela condutora sobre qual seria a sua parada, responde: “mas essa barca vai pra onde?” Sem resposta, a viagem se inicia rumo ao desconhecido e nos damos conta de que mais importante que o destino é a forma como se perfaz o caminho.

O curta-metragem alagoano ‘‘A Barca’’ (2019), de Nilton Resende, vem recebendo importantes críticas no meio cinematográfico nacional e internacional, e já conquistou, ao todo 30 prêmios, nacionalmente e internacionalmente. No sábado, 31 de julho, a atriz Wanderlândia Melo, conquistou o prêmio de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’, na 1ª edição do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro (FIC RIO), no Rio de Janeiro. Vale lembrar que ela também é ganhadora de mais três prêmios pela atuação no curta-metragem, respectivamente, ‘Melhor Atriz’, na 8º Mostra de Cinema de Iguatu, e ‘Melhor Atriz Coadjuvante’, no Festival de Cinema de Muriaé e no Rima – Rio de Janeiro Internacional Monthly Awards.

A atriz e palhaça concedeu, nesta semana, uma agradável entrevista ao nosso colunista Vanderlei Tenório. Na breve entrevista, Wanderlândia contou um pouco sobre a emoção de ter ganhado o prêmio e comentou sobre sua participação no curta-metragem. Confira a entrevista:

Tenório: Como se sentiu ao receber a notícia?

Wanderlândia Melo: Eu estava vendo a live com um amigo e fomos vendo as premiações de todas as categorias e quando chegou a de Melhor Atriz Coadjuvante, eu já estava felizona em poder me ver na vinheta. Quando eles falaram meu nome o grito foi igual de gol do Brasil em copa do mundo (risos). Fiquei feliz demais! Feliz pela premiação, pela visibilidade do cinema alagoano na mostra.

Tenório: O que a vitória representa para você?

Wanderlândia Melo: Reconhecimento do trabalho de atriz, reconhecimento do trabalho do Nilton Resende como preparador de elenco e diretor do filme. Representa que não é dom o que move a profissionalização dos artistas da cena, é estudo, técnica, é trabalho.

Tenório: Está esperançosa em receber outras indicações?

Wanderlândia Melo: O filme ‘‘A Barca’’ tem circulado bastante, espero que sejamos reconhecidos sim por essa produção que é linda, que é potente demais!!!.

Tenório: Diga algumas palavras, sinta-se à vontade

Wanderlândia Melo: Eu queria agradecer ao Tenório por esse contato, pois populariza as conquistas que o audiovisual vem ganhando nacionalmente. Esse prêmio é de todes que fizeram ‘‘A Barca’’, que tem uma equipe incrível! E que o filme está disponível no Porta Curtas: https://www.portacurtas.org.br/planos/gpdecinema2021

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