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Insônia e a relação com o nosso organismo

Sandra Ribeiro

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Para falar de insônia é preciso falar primeiro de sono. O sono apresenta várias funções e é fundamental para manter o organismo funcionando adequadamente. Ele mantém o equilíbrio metabólico, emocional, psíquico e restabelece a disposição para realização das atividades diárias. Tem relevância no humor, pois um sono de má qualidade gera irritabilidade e estresse.

Por isso, a pessoa que não dorme bem pode apresentar sinais de falta de disposição e cansaço. Dormir pouco e mal durante à noite colabora para o aparecimento de problemas psicológicos como os transtornos do sono e outras doenças. A falta de sono também provoca alterações no sistema imune, mas ter um sono de qualidade e regulado gera impacto positivo na rotina. Este é um assunto que precisa ser considerado.

A regulação do sono é importante no funcionamento do organismo humano. Ao longo de um período de 24 horas, genes regulam a liberação do hormônio melatonina. Durante à noite no escuro, os níveis aumentam e, com a claridade, baixam. Mas o relógio biológico (tema que rendeu a três pesquisadores americanos o Nobel de Medicina), é responsável pelas variações diárias no metabolismo e, sua alteração crônica está relacionada com graves doenças incluindo o câncer.

Estudos mostram que a destruição do relógio biológico é incompatível com a sobrevivência, comentou o doutor em neurociência Fernando Mazzilli Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da UFPR. Por isso, pensar no sono é extremamente importante. É sabido que dormir pouco é prejudicial à saúde e dormir demais também não é saudável. Há uma grande variabilidade individual em relação ao padrão e à necessidade de sono. Algumas pessoas sentem-se descansadas e ativas durante o dia dormindo 5 horas por noite; outras necessitam de 10 a 12 horas de sono para se sentirem bem durante o dia.

Segundo a Classificação Internacional dos Transtornos do Sono (ICSD-2), existem mais de 80 transtornos (Constituindo a chamada medicina do sono), organizados em três eixos: a insônia faz parte desses eixos e, é um dos sintomas mais comuns em saúde mental; calcula-se que cerca de um terço da população adulta tem pelo menos alguns dias de insônia clinicamente significativa durante um ano.

A insônia caracteriza-se pela dificuldade em adormecer (insônia inicial), pela dificuldade em permanecer adormecido (sono entrecortado), ou pelo despertar muito precoce, acordando de madrugada (geralmente por volta das 3 às 5 horas da manhã), não conseguindo voltar a dormir. Não só importa a redução da quantidade de sono, mas também a qualidade do sono e, sobretudo, a sensação de ter tido um sono reparador. A insônia inicial e/ou o sono entrecortado geralmente ocorrem associados a quadros de ansiedade aguda ou crônica, tensão ou preocupação excessiva ou depressão. Já a insônia terminal associa-se mais frequentemente a quadros depressivos. A insônia pode ser aguda (de alguns dias até três meses) ou crônica (mais que três meses). Ter insônia implica prejuízo no funcionamento diário e piora na qualidade de vida em decorrência do sono ruim.

Estudos mostram que no Brasil cerca de 10 a 40% das pessoas apresentam queixas de insônia (5% de insônia crônica). Nos Estados Unidos, 30 a 40% dos norte-americanos adultos têm insônia, sendo que 17% referem ser a insônia um problema grave. Cerca de metade dos quadros de insônias se associa a transtornos psiquiátricos (depressão, ansiedade, fobias, dependência química, transtorno bipolar, etc.) ou distúrbios médicos (obesidade, síndromes dolorosas, refluxo gástrico, doenças pulmonares que implicam dificuldades respiratórias, insuficiência cardíaca e hipertrofia prostáticas).

Do ponto de vista epidemiológico, a insônia ocorre mais comumente em mulheres, idosos, pessoas de baixo nível socioeconômico, divorciados, viúvos e em indivíduos internados em hospital geral ou em prisões.

Alguns hábitos e fatores relacionados à insônia são: hábitos inadequado como dormir muito durante o dia ou acordar em horas diferentes a cada dia, uso excessivo de café durante o período noturno, abuso de álcool ou outras substâncias psicoativas, comer muito à noite, realizar tarefas e atividades muito tensas no período noturno, etc.

O tratamento para insônia consiste na melhora dos hábitos de sono. A própria pessoa pode se esforçar para melhorar a qualidade do seu sono, a Terapia Cognitivo-Comportamental é indicada e, surte um efeito positivo na qualidade do sono. Nos casos de diagnóstico mais difícil, é conveniente utilizar o laboratório do sono, no qual são feitas as avaliações global, fisiológica e comportamental do sono, por meio de exames médicos.

A insônia é considerado um problema grave, mas que pode ser solucionado. É só procurar ajuda de um profissional da saúde caso esteja sofrendo desse mal. Lembre-se que o sono é de grande importância para nosso organismo.

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20 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Os filmes tendem a ser um produto de seu tempo. Seja devido à tecnologia, história ou algo totalmente diferente, alguns deles simplesmente não envelhecem bem. E alguns podem resistir ao teste do tempo, como Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Nessa perspectiva, o primeiro filme da franquia Harry Potter não faz muitas coisas erradas, além de algumas das falas exageradamente hilárias e charmosas, o filme em si é o recurso perfeito para a família e faz bem em introduzir os conceitos-chave da franquia bilionária da Warner, enquanto mantém o tom e a sensação dos livros intactos.

Sendo sincero, acredito que às vezes o melhor plano é fazer as coisas de acordo com o livro. Convenhamos que com mais de 100 milhões de leitores desesperados para correr pelos corredores do cinema para ver seu herói na tela grande pela primeira vez, vocês não podem culpar Chris Columbus por tentar ter sido fiel ao texto de J.K. Rowling

Bom, uma coisa é soltar a imaginação com as palavras na página, outra é ter essas imagens reproduzidas por um orçamento multimilionário de Hollywood. Desde a primeira visão de uma coruja empoleirada na placa da Rua dos Alfeneiros até a cena final do Expresso de Hogwarts saindo da estação com uma majestosa escola situada no alto das colinas atrás, sabemos que cada galeão dourado da poderosa Warner foi bem gasto.

Este filme, surgindo quatro anos (26 de junho de 1997) após o romance original, marcou o nascimento de um novo mito consolador da cultura pop do século XXI, que rivalizava e se iguala a outras adaptações igualmente notórias e amplamente rentáveis e inesquecíveis, respectivamente, as adaptações das obras: “Senhor dos Anéis”, magnum opus do professor Tolkien, “As Crônicas de Nárnia”, magnum opus do professor Lewis, “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, “Percy Jackson & os Olimpianos”, do professor Rick Riordan, e “Jogos Vorazes”, da roteirista Suzanne Collins.

A história como muitas outras fantasias começa com um começo humilde. O jovem órfão Harry Potter fica com os desprezíveis Dursleys, seus únicos parentes de sangue, com nada além de uma cicatriz misteriosa em sua testa e uma carta endereçada a seus desprezíveis tios.

Em uma breve passagem de tempo, vemos o Harry de 10 anos de idade morando em um armário embaixo das escadas e vivendo uma vida monótona, até que uma carta muda sua vida para sempre. Após a matrícula na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, o que se segue é uma jornada maravilhosa e mágica em que Harry tenta se adaptar e sobreviver ao primeiro ano letivo em uma escola de Magia pra lá de excepcional.

Ao longo dessa tragédia shakespeariana, ele conhece uma série de personagens coloridos, assustadores, dúbios, enigmáticos e carismáticos, o que inclui seus melhores amigos o bruxo sangue puro Rony Weasley e a nascida trouxa Hermione Granger. Juntos, eles tropeçam em um enredo envolvendo a lendária pedra filosofal e o misterioso Lord Voldemort.

Embora a história em si não faça muito para se diferenciar da estrutura seguida por outras fantasias, o que sempre resistiu ao teste do tempo aqui são os personagens. Harry Potter é simplesmente um garoto comum e é fácil sentir empatia por sua jornada enquanto ele tropeça entre os pontos da trama. O resto dos personagens são interpretados com um estilo direto e estereotipado, mas, há carisma suficiente sobre eles para evitar que o filme seja detido por estereótipos e arquétipos diretamente reproduzidos do livro homônimo.

Entretanto, o elenco merece muitos elogios aqui por trazer a obra à vida, pois com exceção de Hermione (que nos livros tem dentes patetas e cabelos desgrenhados), a maioria dos personagens parece exatamente como imaginado em suas descrições. O elenco também tem uma química maravilhosa na tela e as desventuras de Harry, embora voltadas principalmente para crianças e famílias, têm mistério e drama suficientes para tornar-se um relógio agradável, não importa quantos anos você tenha o filme irá te cativar.

Aqui, o mundo mágico que J.K. Rowling visualizou nos livros é adaptado da melhor maneira possível. Seja o exterior imponente do Castelo de Hogwarts, as ruas pitorescas e agitadas do Beco Diagonal, o suntuoso prédio do banco Gringotes e a peculiar aldeia de Hogsmeade, cada parte do filme exala charme imaginativo, criando uma sensação única de êxtase, fascínio e paixão.

Nesse sentido, todo o ótimo trabalho de introdução de Columbus seria vão se não fosse pela inesquecível trilha sonora de John Williams. Se há um elemento de Harry Potter que resiste ao teste do tempo mais do que qualquer outra coisa, é este. 

Dos segmentos de cordas travessos e tons menores, faixas mais sombrias até o tema principal épico fantástico (Hedwig´s Theme), a trilha sonora de Harry Potter está lá com algumas das melhores já criadas para a tela grande e pelo próprio Williams – vale lembrar que Williams também compôs a trilha dos quatro filmes de “Indiana Jones”, dos sete filmes da franquia “Star Wars” e dos três filmes da franquia “Jurassic Park”, fora outras trilhas igualmente inesquecíveis.

É por isso que essa adaptação fiel não deixará de conquistar os fãs do livro com seu fator ‘uau’. Para nossa alegria e satisfação, o longa prospera no reconhecimento e fidelização do público. Nesse ensejo, Harry Potter e a Pedra Filosofal tem uma vantagem sobre tantos outros sucessos de bilheteria: ele já sabia que era o primeiro de uma série, então não precisou se tornar um filme de sucesso, apesar de ter sido. Isso significa que ele deliberadamente concentrou seu tempo em preparar os personagens e o cenário, assim, alicerçando o êxtase que no fim seria clímax de toda uma geração. 

Nisso, embora não seja o melhor da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal é, no entanto, um maravilhoso recurso familiar, trazendo o livro à vida da melhor maneira possível. Com um elenco perfeito e uma história que permanece fiel ao livro, queria ou não, o longa estabeleceu bases muito sólidas para a construção da franquia.

Em comemoração aos 20 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001), de Chris Columbus, a Warner Bros reexibirá o clássico nos cinemas. Aqui no Brasil, o relançamento do primeiro filme da franquia bilionária está marcado para o dia 21 de novembro e em data única. A venda dos ingressos começará a partir desta segunda-feira (15) – a procura deve ser intensa.

Infelizmente, o longa estará disponível somente no dia 21, segundo a Warner, a ideia é permitir que os fãs revisitem a primeira aventura do menino que enfrentou Você-Sabe-Quem sob um novo olhar.

Nesse sentido, levando em conta que a tecnologia 3D só se popularizou em meados de 2009, vai ser a primeira vez que os potterheads (comunidade informal e internacional unida pela série Harry Potter) poderão se sentir dentro do mundo da magia de verdade. Na semana antepassada, já tinha surgido a notícia de que toda a saga Harry Potter seria novamente exibida nos cinemas como forma de comemorar seus 20 anos. Entretanto, a ideia é exibir todos os longas por ordem de lançamento.

Vale lembrar que todos os filmes da saga Harry Potter estão disponíveis no HBO Max e a plataforma contará ainda com um especial de perguntas e respostas envolvendo fãs, justamente para celebrar os 20 anos do primeiro filme da franquia.

Além disso, a HBO Max também já disponibilizou um conteúdo especial para celebrar a data. Batizado de Harry Potter e a Pedra Filosofal: Filme em Modo Mágico, ele traz cenas exclusivas, curiosidades e outros detalhes de produção do primeiro filme da saga — o que é uma ótima forma de os fãs matarem a saudade desse universo. 

Sigo ansioso para dia 21. Boa sessão para nós.

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O cantor de heavy metal que com delicadeza foi indicado ao Oscar

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Infelizmente, o ator chicagoan Paul Raci não possui trabalhos notáveis anteriores a sua indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, na 93.ª edição da premiação da Academia. O Som do Silêncio (2019), primeiro longa-metragem dirigido por Darius Marder (“O Lugar Onde Tudo Termina”) é também o primeiro longa de grande sucesso do ator – Raci era o meu favorito na categoria.

O ator nasceu na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, lá começou sua carreira artística com participações em bandas de rock nos anos 1970. Entretanto, somente na década de 1980, estreou no cinema como parte do elenco do longa “Um Tira de Aluguel” (1987), de Jerry London.

Em seu filme de estreia atuou ao lado de grandes atores como: Burt Reynolds (1936-2018) – indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em 1998, por “Boogie Nights”, Liza Minnelli – ganhadora do Oscar de Melhor Atriz, em 1973, por “Cabaret”, a cantora Dionne Warwick – ganhadora de 5 prêmios Grammy, James Remar – indicado ao Saturno Awards de Melhor Ator Coadjuvante de Televisão, pela série “Dexter”, Richard Masur – duas vezes presidente do Screen Actors Guild (SAG), John Stanton, John P. Ryan (1936-2007) e Robby Benson.

Raci fez algumas participações em séries como “CSI”, “Baywatch”, “L.A Law”, “Parks and Recreation” e “Baskets”. Sendo sincero, em linhas gerais, grande parte da carreira Raci foi pautada por papéis secundários e pontas de uma ou duas linhas de diálogo, em dezenas de séries, seriados e filmes avulsos. Mas, felizmente, Darius Marder tirou o veterano da obscuridade e lhe deu o papel mais memorável e afetivo de sua carreira.

Depois de 40 anos como ator, ele atraiu elogios por sua atuação como um conselheiro alcoólatra e surdo em “O Som do Silêncio”. Darius Marder queria alguém da comunidade surda para interpretar Joe, que serve como uma espécie de mentor para o recém-surdo Ruben (Riz Ahmed – indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo papel).

Nessa perspectiva, houve um ‘match’ entre Marder e Raci. Afinal, o papel é muito afetivo e próximo da realidade de Raci, que cresceu em Chicago como CODA (na sigla em inglês para filho de adultos surdos) – e, como Joe, enfrentou problemas de vício de toda natureza, depois de servir no Vietnã.

Curiosamente, na verdade, em primeira análise, Raci recusou o papel em “O Som do Silêncio” – Contudo, felizmente, o papel ficou com ele. Não foi fácil convencê-lo a ficar com o papel, a concretização da escalação se deu através de duas fases de negociação: 1) seu agente e esposa persuadiram o diretor de elenco do filme a dar uma olhada em sua fita de audição, enfatizando como o histórico de Raci combinava perfeitamente com o papel, 2) Darius Marder se encontrou com Raci na costa leste, onde tiveram um papo decisivo – após a conversa, Raci finalmente aceitou o papel.

Como uma pessoa ouvinte que cresceu com pais surdos, Raci entende intimamente a visão de mundo específica dos surdos. É uma sociedade que não necessariamente equipara a perda de audição com uma deficiência e, é tão vulnerável a quedas como o vício. 

No entanto, essa perspectiva não tem muita importância em Hollywood. Existem poucos papéis para atores surdos, um papel para um personagem surdo complexo e profundamente falho – o tipo que atrai atores de primeira linha – é quase inexistente. Na suntuosa e seletiva Hollywood, a necessidade de um nome é a velha desculpa clássica para a falta de representação, essa necessidade também está diretamente ligada à capacidade do cineasta de financiar um filme.

Membro do Deaf West Theatre em Los Angeles, Raci também é vocalista da banda de tributo ao Black Sabbath, Hands of Doom ASL ROCK, uma banda que se apresenta em linguagem de sinais americana. “O Som do Silêncio” é o maior papel de seus 40 anos de carreira.

Segundo o repórter Kyle Buchanan, do The New York Times, uma vida toda passada como intérprete de seus pais junto às pessoas de audição regular instilou em Raci o amor pelas artes cênicas, mas, quando ele se mudou para Los Angeles, décadas mais tarde, em busca de uma carreira como ator, não encontrou muitos papéis.

Tais dificuldades não abalaram o ator, Raci continuou batalhando, trabalhando durante o dia como intérprete da língua de sinais no sistema do Tribunal Judiciário Superior do Condado de Los Angeles, e aperfeiçoando suas capacidades como ator em produções do Deaf West Theater durante a noite.

Além dos elogios que recebeu por “O Som do Silêncio”, Raci ganhou nove prêmios da crítica de cinema de melhor ator coadjuvante, bem como um do National Board of Review, sem mencionar o burburinho do Oscar – os dias do ator ouvindo “Oh, não, não desta vez” do pessoal da indústria parece que ficou para trás.

Em entrevista ao agregador de notas Rotten Tomatoes, ele disse: “Estou examinando algumas ofertas de papéis em filmes agora – você sabe, recusei cerca de dez, então estou negociando e negociando aqui”, ele brinca. 

“Que benção. Não consigo decidir se faço este papel, que é muito legal, ou este, que é realmente incrível. Tem roteiristas querendo saber se podem escrever um filme para mim. Eu digo, Cara, escreva seu filme. Não se preocupe comigo. Mas isso é maravilhoso agora.” – Raci trouxe para si a responsabilidade de continuar pressionando por uma melhor representação dos surdos, linha de fundo de sua vida e carreira. 

Em breve, Raci estará no longa da Netflix “A Mãe”, o thriller será dirigido por Niki Caro e o roteiro será assinado por Misha Green. O elenco conta com Jennifer Lopez, Gael Garcia Bernal, Joseph Fiennes, Omari Hardwick e Lucy Paez.

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Irmãos Coen: Será que uma das maiores parcerias criativas da história de Hollywood pode ter acabado?

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Há pouco, foi noticiado que o compositor de trilhas sonoras Carter Burwell – responsável pela trilha sonora da maioria dos filmes dos irmãos Joel e Ethan Coen, disse acreditar que os dois não voltarão a trabalhar juntos. O compositor expôs sua crença em entrevista ao podcast ‘Score’, noticia o site da revista britânica New Musical Express.

Em entrevista ao podcast Score, ele contou que Ethan disse não ter mais vontade de fazer filmes e pode se aposentar.

‘‘Ele simplesmente percebeu que não queria mais fazer isso. Ethan parece muito feliz com a sua vida, com o que está fazendo em seu tempo livre, e não sei o que Joel vai fazer a seguir’’, comentou Burwell. 

Durante o bate-papo com o apresentador do podcast Burwell revelou que, embora Ethan tenha aparentemente se aposentado, ele deixou vários projetos que o irmão poderia levar adiante.

‘‘Eu sei que Ethan e Joel tem muitos roteiros que escreveram juntos e estão engavetados. Espero que um dia eles possam realizá-los, porque li alguns e são ótimos. Nós estamos em uma idade em que não sabemos de mais nada… Talvez todos se aposentem em breve’’, brincou.

O Monet lembra que o compositor cogitou o término da parceria após ser perguntado sobre o trabalho solo de Joel na direção de seu recém lançado ‘‘The Tragedy of MacBeth’’ – primeiro filme solo de Joel, estrelado pelos ganhadores do Oscar Denzel Washington e Frances McDormand (ganhadora de 3 Oscar de Melhor Atriz e esposa de Joel) com lançamento previsto para o fim de 2021 e início de 2022. Neste momento, Burwell disse que não há nenhuma tensão entre os irmãos, mas que eles estão vivendo uma nova etapa da vida.

“O Ethan já escreveu e produziu sozinho, mas [MacBeth] é o primeiro filme que o Joel dirige por conta própria. O Ethan não queria mais fazer filmes, ele parece muito feliz fazendo o que quer que esteja fazendo e não sei o que o Joel vai fazer depois disso”, pontuou Burwell.

Em tese, ‘‘The Tragedy of Macbeth’’, adaptação soturna da célebre tragédia do inglês William Shakespeare (1564-1616), pode ser visto como a materialização do fim da parceria dos irmãos, iniciada em 1984 com o lançamento de ‘‘Gosto de Sangue’’ (1984), numa época em que o trabalho de Ethan não podia ser creditado, devido a exigências do sindicato dos diretores – situação superada apenas 20 anos depois, através do filme ‘‘Matadores de Velhinha’’ (2004).

Para quem não conhece a dupla mítica:

Juntos os Irmãos Coen dirigiram sucessos como: “O Grande Lebowski” (1998) – com um elenco sensacional que inclui: Jeff Bridges, John Goodman, Steve BuscemiJulianne MooreDavid Huddleston (1930-2016), Philip Seymour Hoffman (1967-2014), Peter StormareTara Reid e John Turturro, “Onde os Fracos Não Tem Vez”  (2007) – Ganhador de quatro prêmios Oscar em 2008, nas categorias de Melhor filme (Irmãos Coen e Scott Rudin), Melhor Diretor (Irmãos Coen), Melhor Roteiro Adaptado (Irmãos Coen) e Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem), fazendo com que os irmãos Coen entrassem para o grupo de diretores homenageados três vezes pelo mesmo filme e “Bravura Indômita” (2010) – indicado a dez Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Jeff Bridges), Melhor Atriz Coadjuvante (Hailee Steinfeld), Melhor Direção de Arte (Jess Gonchor e Nancy Haigh), Melhor Fotografia (Roger Deakins), Melhor Figurino (Mary Zophres), Melhor Mixagem de Som (Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland) e Melhor Edição de Som (Skip Lievsay e Craig Berkey).

Além dos também elogiados longas, ‘‘Fargo’’ (1996) – filme que rendeu a Frances McDormand seu primeiro Oscar de Melhor Atriz, e aos irmãos Coen o Oscar de Melhor Roteiro Original, ‘‘E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?’’  (2000) – indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original (Irmãos Coen) e Melhor Fotografia (Roger Deakins), ‘‘Queime Depois de Ler’’  (2008) – com um elenco estreladíssimo que inclui os ganhadores do Oscar, Frances McDormand, Tilda Swinton, George Clooney, Brad Pitt, J. K. Simmons, e os indicados ao Oscar John Malkovich e Richard Jenkins, e ‘‘Um Homem Sério’’ (2009) – brilhantemente estrelado pelo maravilhoso Michael Stuhlberg (lembrado pelo público jovem pelo professor Perlman, no filme de 2017, ‘‘Me Chame pelo seu Nome’’, de Luca Guadagnino), ‘‘Um Homem Sério’’ recebeu duas indicações ao Oscar na edição de 2010, respectivamente, Melhor Filme (Irmãos Coen) e Melhor Roteiro Original (Irmãos Coen).

O cinema dos irmãos Coen:

Segundo o crítico Diego Marques, do El Hombre, a atmosfera nos filmes dos Coen deriva muito da edição feita na maioria das vezes por Tricia Cooke, mulher de Ethan. Grandes momentos de humor também saem nessas sequências, que as vezes têm um tom épico e sério dentro de uma situação totalmente contraditória e comum/bizarra.

Marques avaliou que no quesito fotografia, a parceria com Roger Deakins tem provado ser muito frutífera. Independentemente do gênero, Deakins sempre sabe como filmar e encontrar planos interessantes, seja nos momentos mais poéticos como em Bravura Indômita’’ (2010), em thrillers como Queime Depois de Ler’’ (2008) ou no surrealismo das trips de ‘‘O Grande Lebowski’’ (1998). 

No âmbito da produção textual, Marques analisou que as tramas dos filmes dos Coen envolvem um personagem mundano (em muitos casos um perdedor) se enfiando em uma situação extraordinária – por engano ou por acaso – que vai acarretando mais e mais confusões até um momento em que se torna insuportável – seja em comédias como ‘‘O Grande Lebowski’’ (1998), ou thrillers como ‘‘Onde os Fracos Não Têm Vez’’ (2007)O crítico observou que as situações incomuns nunca perdem sua criatividade, por isso continua dando certo.

Na minha opinião, outro acerto da dupla é a escalação do elenco de seus filmes, os Coen sabem montar um bom elenco, podemos perceber isso em filmes como: “O Grande Lebowski” (1998), ‘‘E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?’’ (2000), ‘‘Matadores de Velhinha’’ (2004), ‘‘Queime Depois de Ler’’ (2008) e ‘‘A Balada de Buster Scruggs’’ (2018).

Sobre prêmios:

Eles acumulam, juntos, 13 indicações ao Oscar, venceram 4 prêmios da Academia, o que inclui os prêmios de Melhor Roteiro por ‘‘Fargo’’ (1996) e Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado por ‘‘Onde Os Fracos Não Têm Vez’’ (2007). Também ostentam em seus prestigiosos currículos uma Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, por ‘‘Barton Fink’’ (1991), possuem um prêmio de Melhor Diretor em Cannes por ‘‘O Homem que não Estava Lá’’ (2001) e o Grand Prix também na Croisette por ‘‘Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum’’ (2013). 

Fica a dica: Vale a pena assistir aos filmes dessa que uma das melhores parcerias do cinema estadunidense, sei que irão gostar.

* A partir de informações do Monet, da Revista New Musical Express e da análise crítica de Diego Marques, do site El Hombre.

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