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Escola São Paulo em Holambra realiza concurso de redação; conheça os textos vencedores

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A Escola São Paulo em Holambra, uma das mais tradicionais instituições de ensino da região, realizou neste ano a 9ª edição do Concurso de Prosa do Ensino Médio. O professor de redação, Vinícius André, explica que essa iniciativa tem por objetivo incentivar a reflexão e o exercício da criatividade por meio da produção de textos, possibilitando que os alunos explorem temas do próprio interesse e/ou questões sociais relevantes para a contemporaneidade.

Nesta edição, a Comissão Julgadora teve trabalho para selecionar os textos vencedores, dada a qualidade dos candidatos. Os três textos premiados se destacaram por abordagens ou criativas ou técnicas e até mesmo filosóficas a respeito de questões que têm permeado nosso cotidiano. Abaixo você confere na íntegra as redações vencedoras do concurso.

1º lugar –  ENSAIO SOBRE O TELETRANSPORTE, POR LUCCA BALZANO (1º ano)

O Enigmático e Paradoxal Problema do Teletransporte

     Já é de longa data vermos temas fictícios, como o teletransporte, fundarem inteiras gerações de filmes, observa-os em obras como: “The Umbrella Academy”,“Os Jetsons”, a saga “X-men” e “Star Trek” onde a ideia do teletransporte aparenta ter começado. Apesar de muito presente no imaginário de ficção científica moderna, seria realmente positivo o impacto desta inovação global? Apesar de parecer simples à primeira vista, o teletransporte, cujo método obedece a todas leis da física e se baseia na estrita conexão com a famosa fórmula: E=m.c², de Albert Einstein, revela consequências não intencionais que seriam capazes de instaurar o completo caos no mundo contemporâneo.

     O que começou como um teste de inovação cinematográfica, hoje sai das telas de cinema e parte para os laboratórios mais avançados no âmbito. O teletransporte, embora aparente ser um passo muito distante, já é praticado em lugares propícios aos experimentos, transferindo partículas de informação quântica (qubits), sofrendo viagens longas feito por organizações, como fez o Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech, ao transportar as mesmas partículas à uma distância de 44 quilômetros, atingindo uma porcentagem de precisão de continuidade da matéria pré-estabelecida de 90%. Este experimento foi considerado um marco em 2021, e os cientistas conduzentes ainda apresentam maiores expectativas, como demonstra um dos esperançosos autores da matéria publicada pela Physics Review, Panagiotis Spentzouris, ao proclamar: “Estamos entusiasmados com esses resultados. Esta é uma conquista fundamental no caminho para a construção de uma tecnologia que redefinirá a forma como conduzimos a comunicação global”.

     Apesar da enorme quantidade técnico-científica atual, os humanos ainda são extremamente frágeis em relação às viagens que envolvem níveis não usuais de vibração, aceleração e gravidade, e à isso é dado o nome, por diversos cientistas da área, de “Fator Tripa”. O caso da viagem de Marcos C. Pontes, engenheiro, astronauta e ligado à Força Aérea Brasileira, que demonstra que, por apenas dez dias no espaço, ilustrou perfeitamente este efeito,  contraindo deficiências hormonais e imunológicas que geraram o vitiligo e ainda definiram a sua disfunção auditiva irreversível. Além do citado, são comuns em viajantes espaciais doenças cardiovasculares, osteomusculares, oculares e outras que apenas reforçam a ideia da completa falta de segurança nos estimados teletransportes, uma vez que envolvem os dados contribuidores para estes problemas.

     Saindo do ideal de grandes laboratórios complexos, e se dispositivos de teletransporte fossem disponíveis ao consumo comum da população, como o modo que são simples bicicletas atualmente, quais seriam as possíveis consequências? Por começo, isso resultaria na parada constante na compra de automóveis e no abandono contínuo de postos de gasolina, trens, ônibus, aviões, navios e caminhões, portanto, gerando um estratosférico aumento na dinamicidade da entrega de cargas e até produtos, pois a entrega seria efetuada de forma direta ao consumidor, porém, seriam ainda caracterizados pela gigantesca taxa de desemprego. Além disso, o novo método de transporte resultaria na parada imediata da construção de estradas, propiciando uma grande economia de recursos econômicos e naturais, desta forma favorecendo o retorno da vida ecológica a esses locais.

     Um fator complementar seria o de que, mesmo reconhecendo o seu local de estadia como o Brasil, o indivíduo ainda teria a transparente possibilidade de trabalhar ou até mesmo viajar a qualquer outro lugar do mundo, sem restrições geográficas. Por outra perspectiva, não seria surpreendente observar o mercado imobiliário em estado caótico e o turismo se tornando a atividade econômica de maior interesse para os países, sendo caracterizado pela eliminação do tempo e do custo de transportes necessários, além claro, da função dos hotéis nesta sociedade distópicamente utópica. Com o avanço da desordem, também acompanharia a queda e a falência de empresas insignes, popularizando o termo “tecnologia disruptiva” à época, localizada quando inovações são capazes de alterar todo o mercado financeiro, desvalorizando métodos de trabalhos ultrapassados para esta era e, por contraste, condecorando o resto da população.

     Ainda, criminosos teriam a chance de fugir de uma cena de crime em instantes, exércitos poderiam aparecer em qualquer região do mundo em questão de segundos e terroristas conseguiriam deixar bombas em lugares e sair sem nem mesmo serem percebidos. A falta de segurança seria enraizada na sociedade e conceitos como imigração, alfândegas e tarifas, desapareceriam por completo.

     Com esta complexa perspectiva em mente, surgem algumas tentativas de resoluções por parte de cientistas e até de pessoas de outros campos de ação. Alguns indivíduos propõem que, neste cenário hipotético, o mais condizente seria aumentar de forma exagerada o valor monetário desta tecnologia, assim diminuindo sua acessibilidade. O exacerbado problema desta possível solução é o de que, por tentar conduzir este movimento sobre os custos da tecnologia, seria claramente visível uma separação absurda das classes, entregando às mãos abastadas da sociedade inúmeras vantagens, se já não previamente estabelecidas, sobre qualquer tema discutível. Cientistas agora, não mais procuram tanto por métodos de trazer o teletransporte ao cotidiano humano, mas sim, por soluções éticas para o problema paradoxal.

2º lugar – REPORTAGEM SOBRE A ECONOMIA NO PÓS-COVID, POR ALEXANDRE SANTATO (3º ano)

Economias locais e global entram em ameaça após a pandemia

Inflação e tensões geopolíticas são alguns dos fatores que ameaçam a estabilidade comercial

            Com a diminuição do número de casos e mortes por COVID-19 em todo o planeta devido à vacinação, os especialistas estavam otimistas em relação à rápida recuperação das balanças comerciais, que sofreram durante o período auge da pandemia. Entretanto, desde meados do ano passado, o mundo se encontra próximo de entrar em uma recessão maior que a de 2020, quando o SARS-CoV-2, o coronavírus, se espalhou por todos os países.

            No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, fechou 2021 com uma alta de 10,06%, a pior desde 2015, quando o país estava estagnado. Tal fenômeno, no entanto, não é observado com exclusividade em países emergentes: os Estados Unidos encerraram 2021 com uma alta de 5,8%, a maior em quase 40 anos e, atualmente, chega a 7,9% nos últimos 12 meses, algo extraordinário para os padrões norte-americanos.

            Esse fato econômico é resultado de uma política de emissão de dinheiro pelos países de forma inabitual como tentativa de conter possíveis ameaças econômicas imediatas. Nos Estados Unidos, novamente, mais de 20% de todo o dólar americano existente foi emitido no ano de 2020 com o objetivo de suprir demandas populistas do governo. Segundo o economista Peter Schiff, “A América nunca será grande enquanto sua economia ‘de bolha’ se apoiar em estímulos falsos”.

            Em território nacional, o Governo Federal optou, também, por “furar” o teto de gastos, ou seja, gastar mais do que o arrecadado, aumentando a dívida interna. Somente a criação do Auxílio Emergencial, por exemplo, demandou mais de R$ 300 bilhões dos cofres públicos, o qual embora tenha sustentado milhões de famílias, tratou-se concomitantemente de uma estratégia política para aumentar a popularidade imediata do Governo, prática conhecida como populismo.

            O aumento da circulação de dinheiro na economia, quando não estudado e controlado, nem sempre é benéfico. Na prática, o crescimento da quantidade de moeda, quando não acompanhado do crescimento de riqueza, tende a acarretar num processo inflacionário. Basicamente, um mesmo número de pessoas, agora com mais dinheiro, está exposto à uma riqueza que não cresceu proporcionalmente, ou seja, elas possuem mais dinheiro para comprar as mesmas coisas. Assim, com um aumento na procura não acompanhado da oferta, o preço dos produtos e serviços tende a subir.

            Além disso, sanções econômicas derivadas de conflitos geopolíticos, como a invasão russa à Ucrânia, têm aumentado o preço internacional de produtos considerados matéria prima e alimentos, as chamadas commodities. No início do ano, por exemplo, o barril de petróleo estava sendo negociado a US$ 78,98, mas em março atingiu o patamar de US$ 127,98, representando uma alta de mais de 62% em menos de três meses, já que a Rússia é a 3ª maior produtora de petróleo no mundo. Essa realidade acarreta no aumento do preço dos combustíveis e, por conseguinte, de todos os produtos e serviços, os quais demandam custos indiretos com fretes e deslocamentos.

            A economista Silvia Mattos, em entrevista ao Correio Braziliense, pontuou que “Estamos vendo um cenário bastante deteriorado, com inflação alta, juros também, piora do risco país no ano que vem, um risco de desaceleração global que não vai ajudar muito o país a crescer”. Assim, economias emergentes, que são naturalmente mais frágeis, estão em maior risco de sofrerem com uma estagnação econômica caso o cenário internacional e as políticas monetárias nacionais não sejam planejadas e favoráveis ao médio e longo prazo.

3º LUGAR – COMENTÁRIO SOBRE A REPRESENTAÇÃO DE FELICIDADE NUM FILME JAPONÊS, POR EDUARDO CARVALHO (1º ANO) 

O Conto da Princesa Kaguya – A felicidade na simplicidade

O que é felicidade? Felicidade é um conceito que superficialmente pode parecer simples, muitos a definem como ter um bom emprego, uma família que o ama, uma boa moradia, comida, porém a resposta para essa pergunta se encontra em um complexo campo de discussões e teorias inacabáveis. A felicidade é muitas vezes idealizada na ficção, como em contos de fada e suas princesas, que vivem em castelos com seus príncipes encantados, sendo reverenciadas por todos, visão muito popularizada pela empresa norte-americana Disney. Porém, essas visões fantasiosas de mundos perfeitos, enraizada na nossa cultura, através das suas animações da mesma, são muito tendenciosas, diferindo até mesmo dos contos de fadas originais em que foram inspirados, que possuíam finais duros, cruéis e lições de morais ensinadas através do choque do leitor em relação ao desfecho da história. Um perfeito exemplo de contraponto a esse imaginário moderno em torno das princesas é o “Conto da Princesa Kaguya”, filme lançado em 2013 pelo famoso estúdio de animação japonês, Studio Ghibli, e dirigido por Isao Takahata, baseado na mais antiga narrativa japonesa.

A obra é protagonizada por Kaguya-hime, uma princesa originária da Lua, que é encontrada ainda bebê dentro de um tronco de bambu brilhante, vestida como uma princesa, por um humilde cortador de bambu. Kaguya é criada pelo velho cortador de bambu e sua esposa em uma área rural, porém, ela cresce de maneira sobrenaturalmente rápida e logo se torna uma criança. Enquanto ela vai fazendo amigos e formando laços no vilarejo, seus pais concretizam o plano de torná-la realmente uma princesa, assim põem fim abruptamente a sua vida no vilarejo, fazendo-os se mudarem à capital, para assim finalmente viverem como nobres. Lá, Kaguya é ensinada sobre os modos da nobreza, mesmo resistindo a eles, com o tempo ela vai os aceitando. Inicialmente, estava entusiasmada com sua nova vida, porém com o tempo foi se tornando cansada e irritada dos protocolos e modo de viver da aristocracia imperial, logo cresceu-se dentro de si um profundo sentimento de tristeza e desgosto. Esse fato foi agravado ainda mais quando relatos de sua beleza, já adolescente, começaram a se espalhar, e vários pretendentes começaram a surgir para casarem-se com ela, até mesmo o próprio imperador, porém a princesa não se conformava com a ideia de se casar com alguém por outro motivo que não fosse o amor, então recusou todos. Porém, o imperador não aceitou que lhe negassem algo, então, ao tentar tomá-la à força, Kaguya gritou, sua mente suplicou e seu coração implorou, em um momento do mais puro terror, para que fosse levada embora deste plano mundano e retornasse ao celestial. Ela se arrependeu, chorou, lamentou-se depois, porém seu pedido foi atendido, e iria ser buscada na décima quinta noite do mês. Na época proclamada, uma comitiva divina desce dos céus, e como estabelecido, Kaguya logo é levada. Seus pais tentam salvá-la, porém de nada adianta, e ela, contra a sua vontade, é vestida com um manto divino, deste modo esquecendo de todas as suas lembranças desta vida terrena e vai embora com a comitiva, assim, a princesa da lua para a lua retornou.

O conto termina de uma maneira melancólica, não há um final feliz, não há príncipes encantados, há apenas o destino, o inevitável destino de sua volta à lua, uma metáfora para a única certeza de nossas vidas, a morte. A morte é inexorável, porém é ela quem dá sentido ao viver, pois é o que motiva-nos a correr atrás de nossos objetivos e o que nos ensina a dar valor às coisas, as pessoas a quem amamos e a busca da felicidade, contra um tempo que mesmo aparentando ser duradouro, se dissolve celeremente. Kaguya era feliz no vilarejo, vivendo de maneira simples, com amigos e relacionamentos reais. Porém, o cortador de bambu acreditava que a felicidade verdadeira de Kaguya encontrava-se somente na nobreza, na aristocracia e na grandeza, então fez de tudo para que ela acendesse para a corte e se tornasse uma nobre, uma verdadeira princesa. A agora nobre princesa foi ganhando camadas e mais camadas de roupas, simbolizando a sua ascensão à aristocracia, porém também marcando o distanciamento desta com a realidade, a excessiva cobrança e os irracionais protocolos da mesma. Kaguya é ensinada que uma princesa não deve sorrir, chorar, se irritar ou gritar, desta forma, como ela própria fala: “Então, uma princesa não é humana!”. Ao fim, quando o seu retorno à lua é anunciado, o cortador de bambu finalmente desperta para a realidade, a sua busca pelo ideal fantasioso de felicidade para a sua filha foi o motivo da “morte” da mesma, como exemplificado na fala de Kaguya, “A felicidade que vocês me desejaram foi difícil de suportar!”

Ao fim de sua estadia no plano terrestre, ela percebeu que já havia sido realmente feliz, quando vivia no campo, com uma casa simples, amigos simples e uma vida simples. Toda a futilidade e suposta grandeza da nobreza só lhe fez mal, envenenando pouco a pouco sua alma e tornando os seus anos nesta vida mundana, miseráveis.

Assim, o “Conto da Princesa Kaguya” consagra-se como uma obra atemporal, gerando reflexões sobre o gênero, estereótipos de uma princesa, a aristocracia, a romantização exacerbada dos contos de fadas, dentre outras. Porém, o tema mais importante levado à tona por essa magnum opus do meio animação é a vida e a morte, e sua rapidez,  sobre como a busca pela felicidade pode guiar o coração humano para caminhos a primeira vista grandiosos, mas que por oposição, a felicidade geralmente se encontra no mais simples, nos amigos, na família e no amor.

4º LUGAR – CRÔNICA SOBRE O ÚLTIMO ANO DO ENSINO MÉDIO, POR LAÍS DOMHOF (3º ano)

COMO SOBREVIVER AO ÚLTIMO ANO DO ENSINO MÉDIO

Querido leitor, se você veio atrás de um guia de sobrevivência do 3° ano do ensino médio, vá embora, eu não tenho a solução.

Alguns adultos diriam que a palavra sobrevivência é dramática, é porque na época que eles prestaram vestibular metade das matérias nem existiam ainda. 

Também não se surpreenda se ouvir coisas do tipo: “Não sei porque você tá reclamando ‘na minha época’ a gente tinha que atravessar uma floresta e 3 lagos, e não tinha canoa não, era no braço mesmo, só para chegar na escola”.

Se você entrar em uma sala do 3° ano do ensino médio e perguntar: Qual a pergunta que mais  te fizeram esse ano? A resposta é só uma, queridos leitores: ” O que você vai ser quando crescer?”. Sejamos sinceros, as pessoas que fazem essa pergunta são ingênuas, porque com 17/18 anos ninguém mais cresce nada, quem tem 1,60 vai continuar com 1,60. De janeiro a dezembro do mesmo ano ninguém que tem 1,60 chega no 2 metros, então crescer é relativo.

Agora, assim, quer fazer uma pegadinha com aquela tia chata, que toda vez que te vê pergunta o que você vai fazer de faculdade, mesmo você já tendo dito mil vezes que ainda não tinha decidido, fala que não vai fazer faculdade. Te prometo que a cara dela vai ser hilária, tipo como se não fazer faculdade fosse mais grave que matar uma pessoa, é garantido o entretenimento.

Se você conseguir passar o último ano do ensino médio sem sentir nem ansiedade, nem depressão, nem insegurança, nem solidão, ou você é um robô ou você é psicopata, não tem outra explicação.Indica-se procurar um médico.

É muito injusto que seu futuro seja definido em uma mísera prova de conhecimentos gerais e resistência, porque sim, o vestibular é um teste de resistência.

Mas é nesse ano que mais se valoriza os amigos, pois é nesse momento que cai a ficha que é o seu último ano ao lado de pessoas incríveis com quem você compartilhou muitos anos e muitas experiências, e não dá para negar que a maioria das amizades do colégio, ficam no colégio, e que os momentos nunca mais vão voltar. É por isso que o último ano do ensino médio se trata de uma linha tênue entre o sofrer e o amadurecer e que no final de contas deixa ensinamentos e histórias para rir e refletir. Volte ano que vem para: “Como sobreviver ao primeiro ano da faculdade”, brincadeira, ou não… Beijinhos, De uma estudante desorientada.

5º LUGAR – CONTO LITERÁRIO COM TEMÁTICA PSICOLÓGICA, POR MARIA LUIZA GOTHARDO (2º ano)

O LADO QUE ASSUSTA

Acordo em um local totalmente diferente do meu quarto. Estou perdida. A imensidão e escuridão me cercam por todos os cantos, quando chamo por ajuda o único som que escuto é o sufocado eco dos meus gritos. Minha alma inteira é consumida por medo, não sei onde estou mas tenho certeza que pertenço àquele lugar. Meu corpo me trai e antes que eu perceba já choro incontrolavelmente. Enxugo as lágrimas com a palma da mão. Chorar não vai me salvar dessa situação. 

Entretanto, no momento em que abro meus olhos, eu sou capaz de enxergar uma pequena fonte de luz bem distante de mim. Me esforço para ver melhor as sombras que se movem naquele canto. São pessoas surgindo do escuro, eu as conheço. São os meus amigos. Animada com a perspectiva de não estar mais sozinha, começo a correr freneticamente para encontrá-los. Corro mais do que meu pulmão é capaz, preciso parar para respirar.  Estranhamente percebo que meus amigos estão mais afastados do que antes. Começo a correr outra vez, porém a cada novo passo o grupo se distancia um pouco mais. Não entendo. Mesmo com meu maior esforço é impossível alcançá-los. Resolvo tentar chamar a atenção deles, grito seus nomes e movo meus braços de forma exagerada.  Falho miseravelmente. Nenhuma resposta, ou olhares procurando por minha voz. Na realidade, eles parecem estátuas, nem se mexeram aos meus berros. A decepção é imediata. Eles não estão distantes o suficiente para não conseguir me ouvir. Ou seja, eles simplesmente não se importaram com a minha existência e o tom desesperado de minha voz. Fui negligenciada pelos meus próprios amigos. Eles estão se distanciando e eu não posso evitar. É no exato instante em que essa percepção vai me consumir de raiva e tristeza, que a luz se apaga e eles somem. 

Novamente rodeada pela completa escuridão. Contudo, uma nova luz surge antes que o pânico me consuma . Consigo identificar um grande espelho começando a aparecer do breu. Dessa vez sou capaz de me aproximar do canto iluminado. Chego extremamente perto do espelho, percebendo que foi uma vez quebrado e alguém tentou recolocar seus pedaços. Ao olhar meu reflexo me vejo totalmente distorcida. Minha aparência está completamente desfigurada, porém eu ainda reconheço a pessoa refletida. Ela esteve presente em muitos dos meus pesadelos, foi quem me assombrou até à luz do dia. A pessoa é a minha versão que não suporta sua imagem, que tem vontade de chorar toda vez que vê um espelho. Provavelmente foi ela quem quebrou o objeto em uma de suas crises. E simplesmente assim o espelho desaparece e a luz se apaga. 

A confusão e desordem desse lugar me assusta. Demora menos ainda para que outra luz se acenda e ilumine uma carteira. Sei que devo me aproximar e quando vejo uma prova em cima daquela superfície sinto que preciso realizar aqueles exercícios. Quando me sento, uma caneta aparece de súbito em minha mão e sei que minha intuição estava correta. Começo a ler as questões, mas as letras se embaralham na minha visão e não consigo focar. Tento respirar fundo o ar que já começa a faltar em meus pulmões. Sei que em algum ponto da minha vida alguém me ensinou aqueles assuntos, porém no momento é como se todas as informações tivessem sido apagadas do meu cérebro. Tento começar a escrever para ver se ideias surgem em minha mente, porém tremo tanto que não tenho habilidade para desenhar uma reta. Conheço perfeitamente aquela sensação de insuficiência e terror que me invade. Sei que sou capaz de vencê-la só preciso confiar em mim mesma. Entretanto, é como se aquele lugar lesse meus pensamentos e bem na hora surgem pessoas ao meu redor. Dessa vez falam comigo mas somente para criticar, riem da minha cara, indagam como posso não saber conteúdos tão fáceis, me xingam de burra e dizem que decepcionei todas as expectativas. Preciso chorar, aqueles olhares de reprovação são meus piores inimigos desde a infância. Saber que pessoas me viram por baixo da máscara da “senhorita perfeita” me deixa em pânico. Nesse instante reconheço inteiramente onde estou. 

Não preciso de confirmações. O caos e a angústia que cercam o ambiente só confirmaram minhas suspeitas. Estou dentro da minha mente, cercada pelos meus medos, inseguranças, traumas e paranoias. Minhas maiores preocupações tomaram forma e me mostram a realidade que mais temo. Tenho medo de ser insuficiente, de não atingir as expectativas e decepcionar os outros. Luto diariamente para não voltar a me odiar, enfrento os reflexos e me permito comer. Busco o amor e ser amada, porém temo ser esquecida ou deixada para trás. Batalho com a autoconfiança e tento conviver com minha ansiedade. Preciso sair daquele lugar antes que ele me consuma. A escuridão não pode sufocar minha vida. É assim que meu corpo decide que chegou o momento de sair do meu pior pesadelo.

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Holambra realiza no dia 28 Audiências Públicas da Saúde e de Metas Fiscais

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A Prefeitura de Holambra realiza na próxima semana, quarta-feira, 28, a partir das 13h30, audiências públicas relativas ao cumprimento de Metas Fiscais e aos investimentos na área da Saúde referentes ao 3° quadrimestre de 2023. As atividades, realizadas no plenário da Câmara Municipal, são abertas a toda a população e terão transmissão em tempo real pela internet por meio do site http://tvcamaraaovivo.net/cmholambra/.

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“Às 13h30 serão apresentados dados e investimentos do Departamento Municipal de Saúde. Em seguida, às 14h, será exposta a execução orçamentária do período”, explicou o economista e diretor do Departamento Municipal de Finanças, Rodolfo Silva Pinto. “Fazemos um convite para que toda a população acompanhe esse importante trabalho de prestação de contas”.

A Câmara Municipal de Holambra fica na Rua Dr. Jorge Latour, 152, no Centro.

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Prefeitura de Holambra inaugura nesta sexta reforma e ampliação de unidades de ensino do Palmeiras

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A Prefeitura de Holambra inaugura nesta sexta-feira, 23, às 15h30, obras de reforma e ampliação da Escola Municipal Recanto das Palmeiras e da Creche Abelhinha, ambas no bairro Palmeiras. A cerimônia, aberta ao público, contará com a presença de autoridades locais. Serão distribuídos pipoca e algodão-doce para as crianças.

O projeto da escola, de acordo com a diretora municipal de Obras e Desenvolvimento Urbano e Rural, Yessika Eltink, contempla a construção de quatro novas salas, sendo uma de diretoria, além da pintura interna e externa de toda a unidade. Na creche foram construídos dois berçários, duas salas de repouso, um lactário, dois fraldários e uma sala para secretaria. Um investimento total de cerca de R$600 mil em recursos municipais e de R$400 mil vindos do Estado, totalizando R$1 milhão.

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“Nos últimos meses fizemos entregas de ampliações e reformas feitas no Imigrantes e no Fundão. Estes trabalhos melhoram o atendimento aos alunos e garantem melhores condições de serviço para os professores e funcionários das instituições de ensino”, falou o prefeito da cidade, Fernando Capato. “Além de aprimorar o atendimento e acolhimento de alunos, as obras contribuem para ampliar a oferta de vagas em nosso município”.

A Escola Municipal Recanto das Palmeiras atende atualmente 126 estudantes do Ensino Fundamental I, entre 6 e 10 anos de idade. Já a Creche Abelhinha conta com 120 crianças de 4 meses a 5 anos que frequentam do Berçário ao Nível II.

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Com 50 casos confirmados, Saúde de Holambra intensifica ações de combate à Dengue

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O Departamento Municipal de Saúde de Holambra intensificou a partir desta segunda-feira, 19, as ações para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a Dengue.  Além das atividades preventivas e de conscientização que ocorrem rotineiramente, como visitas nas residências para monitoramento, coleta e reconhecimento de larvas; atividades em unidades escolares; e mutirão e entrega de material informativo, os servidores realizam agora ações direcionadas em áreas onde são registrados casos da doença.  

“Primeiro os agentes vão até a residência onde há um caso confirmado para reconhecer um possível foco e orientar os moradores. No dia seguinte há uma ação de bloqueio e controle de criadouros em 150 metros no entorno da casa”, explicou a médica veterinária da Vigilância Ambiental de Holambra, Angela Varella Katz. “No terceiro dia é feita, nesses locais, uma nebulização, que é a aplicação de inseticida para matar os mosquitos adultos e possivelmente infectados com o vírus da dengue”.

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Desde 20 de janeiro, a cidade realiza mutirões de combate ao mosquito todo sábado. A mobilização conta com agentes que fazem visitas às residências. O trabalho consiste na retirada de possíveis criadouros, orientações ao morador e entrega de material informativo.

De acordo com a Vigilância Epidemiológica da cidade, Holambra confirmou este ano, até agora, 50 casos de dengue. No ano passado inteiro foram 17 – com uma morte. Entre os bairros mais atingidos estão o Jardim Morada das Flores, Parque dos Ipês, Jardim das Tulipas, Imigrantes e Centro. Uma situação que reforça a necessidade da prevenção para evitar a doença.

Para o diretor municipal de Saúde, Valmir Marcelo Iglecias, é fundamental o trabalho em conjunto entre Prefeitura e população. “Pedimos para que a população abra as casas para os agentes”, explicou. “Também é necessário que os cuidados para evitar a proliferação do mosquito sejam tomados de maneira frequente, independentemente da estação do ano, evitando o acúmulo de água parada e monitorando sempre o jardim e o quintal. Cada um deve cuidar do seu jardim, do seu quintal, para evitar os criadouros”.

No Portal do Governo, em www.holambra.sp.gov.br, é possível que a população contribua denunciando possíveis criadouros por meio da Ouvidoria. O telefone da Vigilância Ambiental é o (19) 3802-7978. Em caso de suspeita de Dengue, a orientação é procurar a unidade de saúde o mais rápido possível.

Como combater o mosquito:
– Vedar caixas d´água
– Não manter água parada em calhas ou outros recipientes
– Evitar o acúmulo de lixo e manter lixeiras fechadas
– Trocar por areia a água dos pratos de flores e de plantas
– Lavar e esfregar vasilhames e potes de animais domésticos pelo menos uma vez por semana

Sintomas da Dengue:
– Febre alta
– Dor de cabeça
– Dor atrás dos olhos
– Dor nos ossos e articulações
– Manchas vermelhas no corpo

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