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Cultura

Fazenda Capim Fino

Tomaz de Aquino

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Nossas pesquisas sobre a história das fazendas de café do velho Jaguary careceriam, sem dúvida, de uma fonte que não pode mais, neste momento, ser consultada, pois a Gazeta Mogimiriana, semanário do século XIX, necessita de restauro. Está desfazendo-se! Talvez percamos esta vertente preciosa de nossa História! Pois bem, nossas terras eram parte do município de Mogi-Mirim. Segundo a obra “Vila Bueno, Ensaios para a História” a Fazenda Camanducaia era propriedade de Salvador Bueno da Silveira, avô do Cel. Amâncio Bueno, fundador de Jaguariúna. Salvador era casado com Maria Francisca de Arruda. Estes eram os pais do Capitão Cândido José Leite Bueno da Silveira. Estima-se que a sede desta fazenda tenha sido construída por volta de 1830. Salvador Bueno faleceu em 1846. Esta propriedade fica como herança para um dos seus quatro filhos: Cândido Bueno. Este casa-se, em 2ªs núpcias, com sua cunhada, Maria Umbelina de Moraes. O casal criou cinco filhos: Maria Ângela, Júlia, Alfredo, Amâncio e Joaquim. Cândido Bueno falece por volta de 1878 e as terras próximas da Estação do Jaguary ficam para o filho Amâncio. Estas receberam o nome de Fazenda Florianópolis. (Serrinha). A gleba do Camanducaia é dividida entre suas duas irmãs: Maria Ângela e Júlia. Júlia Bueno casou-se com o filho do Visconde de Indaiatuba, Otaviano Pompeu do Amaral. Ela recebeu a sede da Camanducaia com as terras de seu entorno (Santa Francisca). Maria Ângela de Moraes Bueno casou-se com o filho do Marquês de Três Rios, Major Carlos Egydio de Souza Aranha. A ela couberam as terras que formaram a Fazenda Capim-Fino. A sede desta fazenda de café deve ter sido construída por estes primeiros proprietários. Recebeu as famílias de imigrantes italianos que substituíram os negros libertos na lavoura cafeeira. O casarão, expressão arquitetônica fiel da época encontra-se já cadastrado pelo Conselho Municipal do Patrimônio (CONPHAAJ). Uma família suíça “Von Zuben”, radicada em Campinas, comprou a fazenda. Sr. Luís Von Zuben, era católico praticante e benemérito da Paróquia Santa Maria. Ele doou Imagem para festa da Igreja. Na década de 1930, no período pós-quebra do café, a fazenda foi vendida para a Firma Turato e Masotti, constituída pelos irmãos Moysés e Carlos Turato e pelo cunhado Hugo Masotti. Eles movimentaram a propriedade com muito gado, café e algodão. A propriedade foi vendida perto dos anos 50 para o mineiro Dr. Sebastião Paes de Almeida. Este adquiriu as Fazendas Capim Fino e Cafezal. O proprietário foi Ministro da Fazenda de Juscelino Kubstchek (56 a 60). Havia muitas famílias que ali trabalhavam. Esta fazenda foi sempre representada nos esportes por tradicional time de futebol. Houve Escola Primária de Emergência para as crianças de ambas as fazendas. Dr. Sebastião construiu bonita e grande Capela na Fazenda Capim Fino que era administrada pelo Sr. João Batista Queiroz. Doou terreno e construiu um Posto de Puericultura com o nome de D. Diva Paes de Almeida (Câmara Municipal). A Fazenda Cafezal foi administrada pelo sr. João Duarte de Toledo. Fazendas prósperas nos anos 50 e 60, após sua morte permaneceram com a viúva D. Diva e com a filha Denise. Esta fora casada com príncipe da Família Imperial, D. Carlos Saxe Coburgo e Bragança. O matrimônio não permaneceu. Nas décadas finais do século toda a propriedade encontrava-se envolta em demandas jurídicas e foi decidida em favor de advogados e banqueiros. Pertenceu à Família de Dr. Herbert Levi. Foi novamente vendida no século XXI ao Sr. Luís Fernando Cabrino e, no momento, encontra-se com mais sócios que zelam pela Fazenda Capim Fino e por sua sede, patrimônio histórico municipal.

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Cultura

Osmaldo Carneiro e o busto para Pe. Gomes

Tomaz de Aquino

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Neste artigo colocamos parte do texto idealizado pelo respeitável cidadão e que, a seu pedido, foi reescrito e ele reapresentou-o aos Poderes Públicos Municipais.

“Como cidadão octogenário que acompanhou a vida e o progresso de Jaguariúna onde constituí família, cumpre-me em nome de justa causa, vir a esta Casa de Leis solicitar aos vereadores que reivindiquem junto ao Executivo local a seguinte homenagem. Padre Antônio Joaquim Gomes zelou durante 56 anos pela vida da Igreja e da população desta cidade, de 1947 a 2003. Naquela época era um pobre distrito pertencente a Mogi-Mirim. Seu zelo apostólico pela salvação das almas e a assistência social aos pequeninos caracterizaram sua presença entre nós. Inúmeras obras testemunham suas realizações e somos testemunhas da formação cristã que dispensou às nossas famílias, por várias gerações. Sua vida e realizações documentaram seu vigor apostólico e caridade cristã. Foi realizador constante do Natal dos pobres, construiu o Salão Paroquial e Cine-Teatro com muitas salas de aula e de reunião e muitos cursos: formação cristã, catequese, pastorais, corte e costura, datilografia nos anos 60 a 80; informática nas últimas décadas, empréstimo de salas para as escolas públicas e para particulares ministrarem cursos. Adquiriu o campo do Padre para as Associações religiosas praticarem Esportes onde fez edificar a Creche Santo Antônio. Construiu o Asilo. Aos poucos foi cedendo a Casa Paroquial para as obras de Assistência Social “Nossa Senhora da Assumpção”: Dispensário, serviços médicos, de enfermagem, odontológicos e de advogado para atender os pobrezinhos da Vila e do novo município. Seu sonho era construir um hospital, para tanto reservou uma quadra de terra, mandou fazer a planta e em solenidade religiosa implantou a pedra fundamental do mesmo em 1960. Foi um sonho transformado, posteriormente, na construção da Igreja Matriz Nova em 1994. Por estas coisas de que me lembro, neste momento, e por muito mais feito em benefício de nossa comunidade, Ele é merecedor desta homenagem que venho reivindicar a esta Câmara Municipal. Senhores Vereadores, sendo legítimos representantes da aspiração popular, sabem que há razões de sobeja para que eu volte bater à sua porta, em meu nome, em nome da Associação Amigos do Padre Gomes, em nome da comunidade. O exato ponto onde ficava a Casa Paroquial que testemunhou sua vida religiosa, sua fé e suas obras, qual monge franciscano benemérito e da pobreza, deve lembrar ao Município a sua exemplar história de doação a Deus e ao próximo. Esperando, desta vez, o acolhimento desta solicitação ,muito agradeço o significativo empenho dos nobres edis”. Datada de 15 de outubro de 2010 seguiu a reivindicação para os Poderes Públicos e foi atendida. Houve o descerramento do busto do pároco no dia 27 de julho de 2011, diante da Casa da Memória Padre Gomes, após cerimônia religiosa na Matriz Centenária., no 8º ano de sua Ressurreição. Com a aquiescência e autorização do Prefeito Gustavo Reis, a Secretária de Turismo e Cultura: Maria das Graças Hansen Albaran encomendou a confecção de artístico busto. Estiveram presentes estas autoridades civis e religiosas. Dentre estas S. Ex.ª Reverendíssima D. Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Emérito de Campinas, Revmo. Monsenhor Gilberto Edson Schneider, pároco local, Pe. Carlos Roberto Panassolo, Irmã Jesuína e Calvarianas e grande número de fiéis. O saudoso Cidadão Osmaldo Carneiro, autor da reivindicação, veio também descerrar o busto, justíssima homenagem.

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Cultura

Procuram-se mecenas para o histórico Jaguary

Tomaz de Aquino

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Saint-Exupèry diz que o homem moderno está arriscado a ficar sem amigos. Precisa trabalhar. Ele luta muito por sua sobrevivência. Para ele tudo são números. Não desfruta de tempo, de lazer, nem da ARTE. O Velho Jaguary tem sido palco de excelências artísticas que passam às ocultas. Uma delas ocorreu no último sábado de novembro de 2018, na Matriz Centenária. Três corais juntos apresentaram belíssimo concerto: 1º- “Madrigal Dufrah” de Jaguariúna, regido pelo Maestro Antônio Fraga, 2º- Coral Lírico “O Mensageiro” regido pelo Maestro Daniel Pedroso de Rio Claro, 3º- “Coral Vocallis” regido pelo Maestro Adílson Gombradi de Americana. Apresentaram obras eruditas sacras de Perozzi, Vivaldi, Haendell. A harmonia do canto de aproximadamente 40 sopranos, tenores, contraltos e baixos deixou deslumbrados os ouvintes. Não poderia haver melhor acústica para tal apresentação, senão aquela do marco de fundação da cidade, construído em 1894 por seu fundador, Cel. Amâncio Bueno. Os presentes tocados pela sublimidade do espetáculo pareciam levitar entre o gótico e o barroco alemão daquele patrimônio histórico. Já no primeiro sábado de dezembro, a Casa da Memória deslocou-se para a Capela da Fazenda da Barra. Novamente restaurada foi palco de exposição de pintura. Catorze telas de Martins Porangaba encenavam a Via-Crucis. Padre José Siqueira da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus abriu a cerimônia com uma bênção iniciada em um Crucifixo instalado naquele templo. Escultura em metal de artista moderno ocupa a primazia daquele altar-mor e uma pintura em tela de Santa Isabel. A padroeira tão homenageada nos tempos áureos do café, nos alicerces da história local, tem seu culto retomado nestes restauros e cerimônias. Restauraram-se bancos. Imigrante italiana nonagenária que foi ali preparada e fez sua Primeira Eucaristia retornou aos pés de Santa Isabel, louvando o Senhor por aquele restauro, preservação de sua infância. Dr. Emanuel Von Lauenstein Massarani, presidente do Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo trouxe as obras de Arte para a Exposição. O crítico de Arte, historiador, escritor, jornalista, dentre tantos outros predicados interessa-se por ajudar a recuperação de nosso patrimônio histórico. Com suas orientações elevou o trabalho da Casa da Memória Padre Gomes de Jaguariúna, um verdadeiro Pai Espiritual. Assim vem procedendo com relação a exposições e doação de obras. Neste momento estuda a possibilidade de obtenção de fundos para a recuperação de nossa paisagem cultural. É um ítalo-germano, abnegado Mecenas, que se encanta com a História e a Arte e protege-as. Ele nos ensina que “preservar o Patrimônio Histórico é responsabilidade de todos. É um ato de amor!“ A Paróquia de Santa Maria, a Casa da Memória Padre Gomes, o Conselho de Defesa do Patrimônio procuram incansavelmente “MECENAS” para salvar a Matriz Centenária. Nela já ocorreu a descupinização em várias etapas. Necessita urgentemente refazer a sua instalação elétrica. Precisa do restauro do forro e pintura interna. Em seguida, resgatar a pintura externa em sua originalidade. Tudo deve acontecer em etapas. Mas para tanto é necessário que cada cidadão torne-se um “mecenas” e investigue incansavelmente nas muitas e grandes Indústrias, no Comércio, nas Profissões Liberais onde se encontram os nobres protetores das ARTES. Preservar o Passado é um Presente para o Futuro. É a preservação das memórias, da História, da Identidade do Povo e da Cidade. Prezado leitor, iniciemos esta Pesquisa! Levemo-la à Casa da Memória, ao CONPHAAJ. Há benefícios para os beneméritos das Artes. Há muito o que salvar para as nossas gerações vindouras. Deixemos o exemplo! O Brasil acorda para esta conscientização.

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Cultura

Fazenda Castelo

Tomaz de Aquino

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Fazenda Castelo. Casarão assobradado com altos porões. Escadaria com balaústres brancos e rica arquitetura em sua varanda de entrada. Final do século XIX. Provavelmente, deve haver paredes originais com alicerces em pedra e taipa de mão, após algumas intervenções. Paredes antigas em alvenaria, tijolos, cal, areia, barro. Mais recentemente alvenaria moderna. Passou por reformas e ampliação. Ascendência do mesmo tronco da família da Fazenda Santa Úrsula. Há Fotografias na obra: “Campinas, município no Império” de Celso Maria de Mello Pupo. Imprensa Oficial do Estado S.A. São Paulo, 1983. Apresentava mais varanda com escadaria em mármore branco e gradil de ferro trabalhado artesanalmente, ferro forjado ainda não fundido. Segundo a memorialista e historiadora M. Abigail N. Moraes Ziggiatti, a fazenda Castelo em 1.900 pertencia a Antônio Américo de Camargo Andrade. A fazenda Castelo produzia 7.000 arrobas de café anualmente. Ele faleceu sem deixar herdeiros. As terras voltaram para a sesmaria de sua irmã, viúva Úrsula Franco de Andrade, herdeira- proprietária da Sesmaria do Jaguary (Fazenda Jaguary que se tornou Santa Úrsula). Seus herdeiros vendem as terras que compunham Castelo e Santa Júlia à família Moraes, em 1914. Vendem ao proprietário da Sesmaria do São João do Atibaia, Alberto de Moraes Bueno. Este era filho de Joaquim Bueno, irmão do Cel. Amâncio Bueno. A fazenda Castelo tinha 195 alqueires de terra e 200.0000 pés de café. Alberto de Moraes Bueno era pai do velho Celso Camargo de Moraes. Este era avô paterno de M. Abigail N. de Moraes Ziggiatti. Castelo passou a fazer parte da Sesmaria do S. João do Atibaia. Alberto de Moraes Bueno deixa para a filha Francisca casada com Albino José Barbosa de Oliveira. Esta Fazenda de 1928/30 a 1945 foi de José Strazzacappa e vendida a Dr. Erasmo Assunção casada com D. Lalaia (Eulália Assunção). Este foi o fundador da entidade filantrópica “Obras de Assistência Nossa Sra. Da Assumpção por volta de 1946, na Paróquia de Santa Maria. Dona Lalaia visitava amiúde Pe. Antônio Joaquim Gomes. Em 1978, a Fazenda Castelo foi adquirida por Pedro Gastão de Noronha Gonçalves Artmann, com produção de leite e criação de cavalos puro sangue inglês. Depois vendida a Marcelo Baptista de Oliveira e recebe hoje também o nome de Haras Maripá. Contratou pedreiros e empreendeu obra de manutenção e reformas que duraram anos. Sr. Marcelo é benemérito à comunidade de Jaguariúna, generoso, colaborou muito com a construção do Asilo dos Velhinhos ou Lar da 3ª Idade de Padre Gomes, como também é festeiro doador das melhores cabeças de gado para o leilão beneficente da centenária Festa de S. Sebastião.

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