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ORQUESTRA DE VIOLEIROS DE JAGUARIÚNA LANÇA 1° DVD NO TEATRO MUNICIPAL

Redação Gazeta Regional

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A Secretaria de Turismo de Cultura de Jaguariúna promove na noite desta quinta-feira, 26 de julho, o lançamento do 1° DVD da Orquestra Violeiros do Jaguary.  O evento, que terá entrada gratuita, será no Teatro Municipal, a partir das 19h30.

O DVD conta com 12 faixas de música do sertanejo raiz, um clipe e a participação especial do violeiro Mazinho Quevedo. Ele foi gravado no próprio Teatro Municipal, em apresentação aberta ao público no final de 2017.

Sob a regência do maestro Carlos Bicalho, a orquestra de violeiros de Jaguariúna completou 15 anos de história neste ano e conta com 21 integrantes.

De acordo com a secretária municipal de turismo e cultura, Graça Albaran dos Santos, esta é uma inédita produção de uma importante manifestação cultural popular de Jaguariúna que ficará eternizada na história.

O repertório do DVD faz parte do cancioneiro popular e presta uma homenagem à música caipira sob a regência do violeiro Mazinho Quevedo.

 

 

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Já somos a ausência que seremos

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Não apenas por meio de séries estereotipadas, rudes e comerciais como “Narcos” (2015-2017) ou “Pablo Escobar, o patrão do mal” (2012), ambas da gigante Netflix, vemos a materialização do que foi a violência que castigou a Colômbia na segunda metade do século passado. 

Se analisarmos especificamente Medellín, capital do departamento de Antioquia, é inevitável evocar personagens sinistros e dúbios como o narcotraficante internacional Pablo Emilio Escobar Gaviria (1949-1993) – Pablo Escobar saiu da pobreza para se tornar um dos homens mais ricos do mundo. Fundador do cartel de Medellín, ele faturava bilhões com tráfico de drogas da Colômbia para os Estados Unidos e a Europa.

Nessa perspectiva, tanto as pessoas boas quanto as más imersas neste período denso e aterrorizante foram inibidas de verem sua história contada nos meios de comunicação de massa como o cinema ou a TV, sempre por motivos diversos.

Em meio a esse turbilhão político-histórico-social, um caso particular é o do Dr. Prof. Héctor Abad Gómez, médico colombiano, professor universitário e ativista de direitos humanos assassinado por paramilitares de direita em 25 de agosto de 1987. Nos anos 1970 e 1980, a Colômbia vivia uma de suas fases mais violentas, devido à disputa territorial entre os cartéis de Cali e Medellín. Em meio a isso, surgiam agrupações paramilitares, financiadas por grupos de interesses econômicos e políticos. Neste cenário, foram assassinadas centenas de defensores dos direitos humanos, professores universitários e sindicalistas – Embora tenha passado sua vida lecionando, sem preferências partidárias, Abad Gómez acabou se envolvendo em política para tentar implementar programas de saúde pública. 

Na manhã do dia em que foi assassinado, em 25 de agosto de 1987, Héctor Abad Gómez pôs no bolso um fragmento de papel em que transcreveu o poema “Epitáfio”, do poeta, crítico literário e ensaísta argentino, Jorge Luis Borges (1899-1986). Ameaçado por paramilitares, Gómez apegou-se ao texto, que diz assim: “Já somos a ausência que seremos”. O papel foi encontrado pelo filho, que teve tempo de sentir o último calor da face do pai ao beijá-lo, na rua de Medellín onde foi executado.

Sua vida, absolutamente única, foi registrada em um livro escrito por seu filho Héctor Abad Faciolince, e que sob o título “O esquecimento de que seremos” vendeu centenas de milhares de exemplares em todo o mundo, obtendo elogios de grandes escritores da estatura de JM Coetzee – JM Coetzee foi laureado com o Nobel de Literatura (2003).

Quinze anos após o lançamento do livro, a história inesquecível de Gómez ganhou vida no cinema através das lentes do sensível diretor espanhol Fernando Trueba,no longa “A Ausência Que Seremos”. Embora sua circulação tenha sido parcialmente afetada pela pandemia de coronavírus e suas restrições estritas, o filme de 136 minutos ganhou novo fôlego, quando foi lançado na plataforma de streaming Netflix.

A primeira questão que se coloca aqui é se o público deveria primeiro ter lido o romance de Abad Faciolince para apreciar ou compreender o filme. A resposta é não. A leitura deste texto não é imprescindível, pois tanto na estrutura quanto na narração escolhida por Trueba, será fácil compreender que estamos diante da história do profundo amor que um pai pode sentir pelo filho e vice-versa. A partir daí, estamos diante de uma história universal.

Os personagens principais deste longa são dois. O primeiro, interpretado por Javier Cámara, é Héctor Abad Gómez, um médico carinhoso e atencioso, mas fundamentalmente preocupado com as necessidades dos seus pares. Ele é o chefe de uma grande família, na qual as mulheres são a maioria. O segundo é seu único filho homem, Abade Faciolince.

O filme está estruturado em dois momentos: o “presente” (em preto e branco), no qual vemos como Gómez regressa a Medellín da Itália – onde estava estudando Literatura – para assistir a uma cerimónia de reconhecimento ao trabalho de ensino do pai. Curiosamente, as cenas dos anos 1980 são em preto e branco. O diretor disse que essa foi uma escolha instintiva, mas pode ser interpretada como um reflexo de um clima mais sombrio e denso. Ele também destaca o contraste com o brilho colorido e quente das cenas da infância que convidam a uma sensação de nostalgia nebulosa.

O segundo momento (exposto a cores), mostra a evolução da família Abad Faciolince tendo como chefe da casa um professor de medicina habituado a não se calar perante as injustiças sociais, e a viver no meio de uma cidade cada vez mais agitada pela violência política e social. Este último, obviamente, significará mais um risco do qual – como se pode ver no filme – todos em casa estão cientes.

O drama nos apresenta, ainda, a outros conflitos desse período da história colombiana, como as disputas entre liberais e conservadores, a convivência com a comunidade judaica e a acelerada modernização de Medellín na época, colocando em xeque valores tradicionais de uma sociedade extremamente religiosa. A obra narra a história de uma família católica e de classe média colombiana a partir do olhar de um garoto fascinado pelo pai, que destoa por sua visão progressista do mundo e por ser ateu. 

Sobre o ator espanhol Javier Cámara, talvez o elogio por seus múltiplos papéis em sucessos no cinema e na televisão seja supérfluo. É por isso que comentaremos algumas linhas sobre esses dois artistas que interpretam Héctor Abad.

Em primeiro lugar, o menino Nicolás Reyes Cano, que surpreende com sua notável naturalidade ao longo de todas as suas cenas. É ele quem funciona como uma espécie de lente por meio da qual o espectador conhecerá as peculiaridades de sua família especial. Em uma parte do filme, depois de abraçar e deixar seu pai beijar seu pescoço, um de seus amigos lhe diz: “Seu pai é bicha?” Ao que ele responde: “Por quê?” “Porque só bichas se beijam assim”, respondem. Depois de calar a boca do amigo com um empurrão, recusando-se a usar um capacete ridículo para andar de bicicleta, escondendo os livros de história da arte que usa para ‘desabafar’ suas preocupações eróticas com fotos de esculturas, negando quando o obrigam a rezar antes de dormir (“porque senão ele não irá para o céu “) ou com ciúmes” porque o pai prefere a irmã Marta, que sabe dançar e cantar lindamente “, o pequenino rouba nossos corações com espantosa facilidade e pinta de todo o corpo como é saudável e bela a infância muitas vezes.

Em segundo lugar, temos Juan Pablo Urrego (estudante universitário Héctor Joaquín), um ator que também é natural de Medellín e que com apenas 35 anos já vimos em papéis muito mais radicais, como quando interpretou Popeye na série baseada nas memórias de Jhon Jairo Velásquez (1962-2020), o temível assassino de Pablo Escobar Gaviria. Se naquela produção do Caracol Televisión temos um sujeito inescrupuloso, capaz de enfrentar criminosos perigosos na prisão, em “A Ausência Que Seremos” seu papel é diametralmente diferente.

Urrego é aqui um desajeitado estudante de literatura que, criado em uma família onde as mulheres sempre foram a maioria, não pode deixar de se derreter de amor filial ao ver seu pai sorrindo para ele à distância durante um ato de homenagem. Seu desempenho é bom, mas não menos eficaz ou poderoso para isso. Embora pareça ciente dos riscos que o pai enfrenta devido às suas ações sociais e às críticas ao sistema, ele não é capaz de ameaçá-lo ou obrigá-lo a deixar o que o faz tão feliz. É nessa encruzilhada que ele passa seus dias até o desfecho fatal.

Sustentado em interpretações como as de Nicolás Reyes, Juan Pablo Urrego e, é claro, de Javier Cámara, “A Ausência Que Seremos” é um drama eminentemente humano. Embora não seja um curta-metragem (mais de 2 horas de duração), parece que essa história poderia muito bem ter sido uma série. Alguns momentos dão a impressão de serem curtos (como a fase de Abad Gómez no exílio), outros têm voltas e mais voltas sem maiores explicações ou desenvolvimentos (como quando Tata é levada para o asilo, ou quando uma das filhas da família morre). Mas esta não é uma simples história de ficção que poderia ser esticada de acordo com as necessidades do escritor ou do estúdio. Isto é vida real.

Uma vida que, sem dúvida, merece ser contada.

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Shakespeare nas obras de Kenneth Branagh

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Há algo em Shakespeare que encoraja cada geração a tentar fazer algo novo ou diferente com seu trabalho. Por exemplo, colocar Romeu e Julieta nas praias de LA, como fez Baz Luhrmann, ou modernizar a linguagem como aconteceu na desastrosa versão de Julian Fellowes. Tornou-se quase paródica essa necessidade constante de reinvenção e, é por isso que as interpretações decididamente tradicionais de Kenneth Branagh parecem tão revigorantes.

Nos últimos 30 anos, Branagh dirigiu seis longas-metragens inspirados em Shakespeare. Nessa perspectiva, suas versões de “Henrique V”, “Muito Barulho por Nada” e “Hamlet” estão entre as melhores adaptações cinematográficas do Bardo de todos os tempos. A chave para seu sucesso não é tentar reinventar ou reimaginar as peças, é apenas escolher um cenário e, em seguida, interpretar o texto com um gosto incomparável. Sua versão de Hamlet, por exemplo, dura quatro horas inteiras, colocando cada palavra do magnífico texto de Shakespeare na tela.

Em suas belíssimas adaptações shakesperianas, Branagh destrói totalmente a ilusão de que Shakespeare é inacessível. Mesmo hoje, quando muito da língua anglo-saxônica mudou do inglês Tudor e as peças são mais de impacto do que pentâmetro. Nas obras de Branagh, Shakespeare pode ser apreciado por qualquer pessoa, o cineasta e roteirista sabe trabalhar com excelência a roupagem e a linguagem na narrativa visual e textual de seus filmes. 

O irlandês é íntimo dos escritos do dramaturgo, poeta e escritor inglês. Pontualmente falando, todas as adaptações para o cinema de Shakespeare de Branagh são baseadas em produções teatrais anteriores nas quais ele estrelou na Royal Shakespeare Company e na Renaissance Theatre Company. Essa decisão dá um senso de credibilidade ao seu trabalho cinematográfico.

Branagh entende os ritmos e temas de Shakespeare tão bem que os transmitir parece fácil. Veja seus monólogos de Benedick sobre sentimentos conflitantes em relação a Beatrice em Muito Barulho por Nada” (1993). A dicção de Branagh rola com o lirismo da linguagem do Bardo, enquanto seu bloqueio varia da incerteza inclinada ao êxtase desenfreado e fervilhante. Os espectadores serão capazes de deduzir do contexto quaisquer nuances linguísticas que, de outra forma, poderiam evitá-los.

Tecnicamente falando, parte do apelo das adaptações de Branagh são os gigantescos elencos que ele monta para cada uma de suas obras. Richard Briers, Derek Jacobi e Emma Thompson são alguns de seus afortunados talismãs recorrentes, enquanto ele também traz performances notáveis ​​de Denzel Washington, o adolescente Christian Bale e até mesmo Keanu Reeves – igualmente surpreendente é a maneira como ele faz de Brian Blessed uma presença credível na tela. 

Por exemplo, o elenco de Hamlet é tão magnífico que chega a ser desconcertante. Peter O’Toole, Judi Dench e Ken Dodd têm aparições sem palavras, enquanto Charlton Heston, Robin Williams e Jack Lemmon aparecem para pequenas participações especiais. Claramente, os atores adoram trabalhar para ele – Branagh é um dos poucos cineastas que consegue enxergar a alma dos atores, nesse sentido, o fato dele ser ator ajuda muito.

No quesito casting, Branagh mantenhe sua lealdade aos atores britânicos, os tidos ‘atores shakespearianos’. Essa escolha deliberada contribui não apenas para o estilo de Branagh, mas também para a aparente credibilidade dos filmes. Em outras palavras, atores britânicos treinados “fazendo Shakespeare” são teoricamente mais palatáveis ​​para muitos públicos do que alguém como Al Pacino, por exemplo, cujo sotaque americano foi ridicularizado em seu documentário baseado em Ricardo IIIProcurando Richard”(1996).

Como John Ford, Irmãos Coen, Spike Lee, Quentin Tarantino e Wes Anderson, Kenneth Branagh recicla colaboradores. Ele constantemente trabalha com os profissionais: Tim Harvey (designer de produção), Patrick Doyle (compositor) e Roger Lanser (diretor de fotografia). Na verdade, quando esses nomes aparecem na tela, sabemos que estamos assistindo um filme de Branagh.

Branagh tira o máximo proveito das técnicas cinematográficas – close-ups permitem uma intimidade com atores que o público de teatro nunca pode experimentar – enquanto usa longas tomadas para permitir as atuações e os scripts falam por si. A forma dos filmes atende inteiramente aos textos, o que pode levar alguns a rejeitar seus filmes como obsoletos. As adaptações para o cinema de Shakespeare de Kenneth Branagh (e muitos de seus filmes não Shakespeare) incluem ricas mise-en-scenes e cinematografia arrebatadora, ambas as quais servem para iluminar a poesia e a prosa de Shakespeare.

As escolhas cinematográficas de Branagh – especificamente tomadas de sequência ou cenas que se desdobram em uma tomada longa e tomadas de rastreamento Steadicam que circundam os personagens – funcionam com o fluxo da linguagem de Shakespeare. Talvez o exemplo mais memorável de ambas as escolhas estilísticas seja sua tomada de rastreamento de quatro minutos em “Henrique V” (1989), em que o Príncipe Hal de Branagh carrega seu garoto de bagagem morto (Christian Bale) pelo campo de batalha espalhado por soldados enquanto “Non Nobis” toca sombriamente a trilha sonora

Em “Henrique V” (1989), Branagh se aproxima perigosamente do entorpecimento. No entanto, consegue capturar a verdade emocional do drama de Shakespeare, o que ajuda a evitar qualquer risco de secura – “Henrique V”, rendeu a Kenneth Branagh aclamação da crítica mundial e tem sido amplamente considerado uma das melhores adaptações cinematográficas de Shakespeare já feitas. Fora que, o longa rendeu a Ken em sua estreia como diretor, indicações ao Oscar de Melhor Ator e Melhor Diretor.

Grande parte desse sucesso deve ser atribuída ao talentoso designer de produção de Branagh, Tim Harvey. A calorosa vila toscana de seu “Muito Barulho por Nada” (1993), intoxica o público com seu sol brilhando permanentemente e o barulho de insetos ao fundo. A peça poderia ser o melhor romance de Shakespeare e seria preciso um coração endurecido para não cair sob seu feitiço – e de Branagh. No entanto, o verdadeiro triunfo de sua obra é Hamlet, ambientado em um palácio inspirado em Versalhes. 

Cada moldura parece opulenta e excessiva, tornando o traje de luto de Hamlet ainda mais incongruente. É um espetáculo suntuoso que condiz com a grandeza e a natureza épica da história. Todas as decisões estéticas de Branagh e Harvey, em última análise, existem para a missão maior da história. Algumas dessas escolhas podem não ser radicais ou extrapolar os limites, mas, são cruciais.

Branagh nem sempre teve sucesso com seus filmes de Shakespeare, mas eles tendem a falhar quando ele empurra ideias menos convencionais. Sua versão de “Como você Quiser” (2006), tem muitos encantos, mas é crucialmente dificultada pela escolha de ambientá-la no Japão. O cenário é mal realizado e não faz muito sentido dentro do contexto do filme. Transformar “Amores Perdidos” (2000) em um musical dos anos 1930 recebeu igualmente respostas mistas.

Seu último projeto shakespeariano, “A Pura Verdade” (2018), oferece a oportunidade de o público estar no lugar de William Shakespeare, o filme retrata Shakespeare nos anos finais de sua vida.

No filme, Branagh brinca alegremente com a biografia de Shakespeare, polvilhando uma mistura de fatos e suposições piscantes, ao lado de um elenco de estrelas que sabe como lidar com uma peça de Shakespeare, incluindo Judi Dench e Ian McKellen. Kenneth declarou que buscava fazer uma conexão entre o homem e a obra. O desejo dele era encontrar o ser humano em Shakespeare – Branagh encarnou o papel principal do filme, enfim, ele interpretou seu grande ídolo William Shakespeare. Recentemente, em entrevista ao Collider, Branagh revelou que está disposto a retornar para o clássico panteão shakespeariano de uma forma inesperada: através das animações.

Por fim, Kenneth Branagh é atraído por histórias, temas e motivos distintos. Ele também se recusa a definir Shakespeare contemporaneamente e possui um desejo apaixonado de levar a linguagem de Shakespeare às massas. Finalmente, ele ostenta um estilo de direção e estética de produção exclusivos. Mas apesar de tudo, Kenneth Branagh quase sempre ajuda a iluminar Shakespeare. Com Kenneth, passamos a ver Shakespeare de forma democrática, distinta, direta e bela.

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20 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal

Vanderlei Tenório

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Vanderlei Tenório

Os filmes tendem a ser um produto de seu tempo. Seja devido à tecnologia, história ou algo totalmente diferente, alguns deles simplesmente não envelhecem bem. E alguns podem resistir ao teste do tempo, como Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Nessa perspectiva, o primeiro filme da franquia Harry Potter não faz muitas coisas erradas, além de algumas das falas exageradamente hilárias e charmosas, o filme em si é o recurso perfeito para a família e faz bem em introduzir os conceitos-chave da franquia bilionária da Warner, enquanto mantém o tom e a sensação dos livros intactos.

Sendo sincero, acredito que às vezes o melhor plano é fazer as coisas de acordo com o livro. Convenhamos que com mais de 100 milhões de leitores desesperados para correr pelos corredores do cinema para ver seu herói na tela grande pela primeira vez, vocês não podem culpar Chris Columbus por tentar ter sido fiel ao texto de J.K. Rowling

Bom, uma coisa é soltar a imaginação com as palavras na página, outra é ter essas imagens reproduzidas por um orçamento multimilionário de Hollywood. Desde a primeira visão de uma coruja empoleirada na placa da Rua dos Alfeneiros até a cena final do Expresso de Hogwarts saindo da estação com uma majestosa escola situada no alto das colinas atrás, sabemos que cada galeão dourado da poderosa Warner foi bem gasto.

Este filme, surgindo quatro anos (26 de junho de 1997) após o romance original, marcou o nascimento de um novo mito consolador da cultura pop do século XXI, que rivalizava e se iguala a outras adaptações igualmente notórias e amplamente rentáveis e inesquecíveis, respectivamente, as adaptações das obras: “Senhor dos Anéis”, magnum opus do professor Tolkien, “As Crônicas de Nárnia”, magnum opus do professor Lewis, “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, “Percy Jackson & os Olimpianos”, do professor Rick Riordan, e “Jogos Vorazes”, da roteirista Suzanne Collins.

A história como muitas outras fantasias começa com um começo humilde. O jovem órfão Harry Potter fica com os desprezíveis Dursleys, seus únicos parentes de sangue, com nada além de uma cicatriz misteriosa em sua testa e uma carta endereçada a seus desprezíveis tios.

Em uma breve passagem de tempo, vemos o Harry de 10 anos de idade morando em um armário embaixo das escadas e vivendo uma vida monótona, até que uma carta muda sua vida para sempre. Após a matrícula na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, o que se segue é uma jornada maravilhosa e mágica em que Harry tenta se adaptar e sobreviver ao primeiro ano letivo em uma escola de Magia pra lá de excepcional.

Ao longo dessa tragédia shakespeariana, ele conhece uma série de personagens coloridos, assustadores, dúbios, enigmáticos e carismáticos, o que inclui seus melhores amigos o bruxo sangue puro Rony Weasley e a nascida trouxa Hermione Granger. Juntos, eles tropeçam em um enredo envolvendo a lendária pedra filosofal e o misterioso Lord Voldemort.

Embora a história em si não faça muito para se diferenciar da estrutura seguida por outras fantasias, o que sempre resistiu ao teste do tempo aqui são os personagens. Harry Potter é simplesmente um garoto comum e é fácil sentir empatia por sua jornada enquanto ele tropeça entre os pontos da trama. O resto dos personagens são interpretados com um estilo direto e estereotipado, mas, há carisma suficiente sobre eles para evitar que o filme seja detido por estereótipos e arquétipos diretamente reproduzidos do livro homônimo.

Entretanto, o elenco merece muitos elogios aqui por trazer a obra à vida, pois com exceção de Hermione (que nos livros tem dentes patetas e cabelos desgrenhados), a maioria dos personagens parece exatamente como imaginado em suas descrições. O elenco também tem uma química maravilhosa na tela e as desventuras de Harry, embora voltadas principalmente para crianças e famílias, têm mistério e drama suficientes para tornar-se um relógio agradável, não importa quantos anos você tenha o filme irá te cativar.

Aqui, o mundo mágico que J.K. Rowling visualizou nos livros é adaptado da melhor maneira possível. Seja o exterior imponente do Castelo de Hogwarts, as ruas pitorescas e agitadas do Beco Diagonal, o suntuoso prédio do banco Gringotes e a peculiar aldeia de Hogsmeade, cada parte do filme exala charme imaginativo, criando uma sensação única de êxtase, fascínio e paixão.

Nesse sentido, todo o ótimo trabalho de introdução de Columbus seria vão se não fosse pela inesquecível trilha sonora de John Williams. Se há um elemento de Harry Potter que resiste ao teste do tempo mais do que qualquer outra coisa, é este. 

Dos segmentos de cordas travessos e tons menores, faixas mais sombrias até o tema principal épico fantástico (Hedwig´s Theme), a trilha sonora de Harry Potter está lá com algumas das melhores já criadas para a tela grande e pelo próprio Williams – vale lembrar que Williams também compôs a trilha dos quatro filmes de “Indiana Jones”, dos sete filmes da franquia “Star Wars” e dos três filmes da franquia “Jurassic Park”, fora outras trilhas igualmente inesquecíveis.

É por isso que essa adaptação fiel não deixará de conquistar os fãs do livro com seu fator ‘uau’. Para nossa alegria e satisfação, o longa prospera no reconhecimento e fidelização do público. Nesse ensejo, Harry Potter e a Pedra Filosofal tem uma vantagem sobre tantos outros sucessos de bilheteria: ele já sabia que era o primeiro de uma série, então não precisou se tornar um filme de sucesso, apesar de ter sido. Isso significa que ele deliberadamente concentrou seu tempo em preparar os personagens e o cenário, assim, alicerçando o êxtase que no fim seria clímax de toda uma geração. 

Nisso, embora não seja o melhor da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal é, no entanto, um maravilhoso recurso familiar, trazendo o livro à vida da melhor maneira possível. Com um elenco perfeito e uma história que permanece fiel ao livro, queria ou não, o longa estabeleceu bases muito sólidas para a construção da franquia.

Em comemoração aos 20 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001), de Chris Columbus, a Warner Bros reexibirá o clássico nos cinemas. Aqui no Brasil, o relançamento do primeiro filme da franquia bilionária está marcado para o dia 21 de novembro e em data única. A venda dos ingressos começará a partir desta segunda-feira (15) – a procura deve ser intensa.

Infelizmente, o longa estará disponível somente no dia 21, segundo a Warner, a ideia é permitir que os fãs revisitem a primeira aventura do menino que enfrentou Você-Sabe-Quem sob um novo olhar.

Nesse sentido, levando em conta que a tecnologia 3D só se popularizou em meados de 2009, vai ser a primeira vez que os potterheads (comunidade informal e internacional unida pela série Harry Potter) poderão se sentir dentro do mundo da magia de verdade. Na semana antepassada, já tinha surgido a notícia de que toda a saga Harry Potter seria novamente exibida nos cinemas como forma de comemorar seus 20 anos. Entretanto, a ideia é exibir todos os longas por ordem de lançamento.

Vale lembrar que todos os filmes da saga Harry Potter estão disponíveis no HBO Max e a plataforma contará ainda com um especial de perguntas e respostas envolvendo fãs, justamente para celebrar os 20 anos do primeiro filme da franquia.

Além disso, a HBO Max também já disponibilizou um conteúdo especial para celebrar a data. Batizado de Harry Potter e a Pedra Filosofal: Filme em Modo Mágico, ele traz cenas exclusivas, curiosidades e outros detalhes de produção do primeiro filme da saga — o que é uma ótima forma de os fãs matarem a saudade desse universo. 

Sigo ansioso para dia 21. Boa sessão para nós.

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