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Economia

Pequenos negócios da região de Campinas incorporam plataformas digitais à rotina após a pandemia

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WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento passaram a fazer parte das estratégias de venda, divulgação e atendimento de empreendedores da região. Especialista aponta que a digitalização ampliou o alcance dos negócios, mas também pode reproduzir desigualdades.

Vanderlei Tenório

A pandemia de Covid-19 mudou a rotina de pequenos negócios da região de Campinas.

Durante o período de restrições, ferramentas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era reservado principalmente ao contato presencial. WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento ajudaram comerciantes e prestadores de serviços a manter o contato com os clientes.

Com o fim das restrições, parte dessas ferramentas permaneceu. Em alguns casos, elas se tornaram importantes para as vendas. Em outros, modificaram tarefas mais simples, como marcar um horário ou divulgar um serviço.

A experiência da Chillin Burger, de Valinhos, administrada por Dyogo Fernandes, mostra uma dessas mudanças. Criada durante a pandemia, a empresa começou a funcionar exclusivamente por delivery, sem salão e sem retirada de pedidos no local.

“Durante a pandemia, foi crucial investir em tráfego pago, pois a loja funcionava exclusivamente por delivery. Não havia salão, retirada ou contato presencial com o cliente”, afirma Dyogo, cozinheiro-chefe e sócio majoritário do estabelecimento.

Instagram, WhatsApp, cardápio digital e iFood foram utilizados desde o início para divulgar a empresa e receber pedidos. Hoje, a Chillin Burger trabalha com iFood, 99 Food e o sistema BeFood para administrar o negócio, manter o cardápio digital e organizar as entregas.

Segundo Dyogo, cerca de 80% das vendas passam por esses sistemas e 30% vêm especificamente do iFood.

“Tudo o que antes fazia parte do digital precisou ser mantido porque se tornou o normal”, diz.

Um cenário de crescimento em Campinas

A expansão do uso dessas ferramentas acontece em paralelo ao crescimento do número de pequenos empreendedores em Campinas.

Dados do Sebrae-SP, com base no Portal do Empreendedor, mostram que o município tinha 73.815 Microempreendedores Individuais (MEIs) em 2019. Em 2024, eram 128.730, um aumento superior a 74%. Um levantamento mais recente citado na pesquisa aponta 133.600 MEIs em 2026.

Os dados, porém, não permitem atribuir esse crescimento exclusivamente à pandemia. A formalização também está relacionada à busca por renda, às mudanças no mercado de trabalho e à expansão do comércio eletrônico.

A venda pela internet também ganhou espaço entre os pequenos negócios. De acordo com o levantamento utilizado na reportagem, a proporção de empresas que vendiam por redes sociais, aplicativos ou outros canais digitais passou de 59% em maio de 2020 para 69% em março de 2021. Em 2023, chegou a 73%, permanecendo próxima de 75% em 2026.

Os números ajudam a dimensionar uma mudança que pode ser percebida no cotidiano dos estabelecimentos. A internet deixou de funcionar apenas como uma alternativa para períodos de restrição e passou a integrar a operação de muitos negócios.

WhatsApp muda rotina de barbearia

Na Barberaria do Allan, de Hortolândia, administrada por Allan Moraes, a transformação aconteceu de outra maneira.

Antes da pandemia, os clientes eram atendidos principalmente por ordem de chegada. Com as restrições sanitárias, o estabelecimento precisou organizar o fluxo de pessoas e passou a trabalhar com horários marcados.

A prática permaneceu mesmo depois da reabertura.

“A principal mudança provocada pela pandemia foi o agendamento de horários. Antes, trabalhávamos mais com ordem de chegada. Por conta da pandemia, tivemos que adotar o sistema de agendamento, que cresceu, e hoje trabalhamos apenas dessa forma”, explica Allan.

Atualmente, o WhatsApp é utilizado para marcar os horários e também se tornou o principal canal de divulgação da barbearia. Os serviços são apresentados principalmente pelos status do aplicativo e dentro do próprio estabelecimento.

Parte da rotina digital é realizada pelos funcionários durante a semana. Nos fins de semana, quando o movimento aumenta, outra pessoa fica responsável pelo agendamento e pela divulgação.

Segundo Allan, essas atividades ocupam entre uma e duas horas.

É uma mudança simples, mas que altera a maneira como o estabelecimento organiza o atendimento. O celular passou a concentrar uma tarefa que antes dependia da presença física do cliente na barbearia.

WhatsApp e Instagram ganham espaço

O comportamento observado nos dois estabelecimentos acompanha uma tendência mais ampla entre os pequenos negócios.

De acordo com os dados reunidos na pesquisa, o WhatsApp é utilizado por mais de 81% dos pequenos negócios como canal de vendas. O Instagram aparece em 60%, enquanto o Facebook é utilizado por 34%.

Quase metade dos micro e pequenos empresários, 48%, já pagou para divulgar produtos ou serviços na internet em 2025. O levantamento aponta ainda que 70% dos pequenos negócios utilizam pelo menos uma ferramenta digital para vender.

Para o geógrafo Danilo Bernardo Ribeiro, entrevistado pela reportagem, a mudança não diz respeito apenas à comunicação. As plataformas também alteraram a relação dos estabelecimentos com o território.

Durante muito tempo, a localização de um pequeno negócio esteve ligada sobretudo ao fluxo de pessoas nas proximidades. Uma loja, uma barbearia ou um restaurante dependiam, em grande medida, de quem passava pela rua, morava no bairro ou trabalhava naquela área.

Redes sociais, aplicativos e marketplaces acrescentaram outras possibilidades. Um estabelecimento pode ser encontrado por alguém que não estava circulando fisicamente naquele lugar.

“Isso não significa que o estabelecimento físico tenha perdido sua importância. Na verdade, ele passa a ser ressignificado e articulado a uma espécie de ‘território digital’”, afirma Danilo.

A expressão ajuda a compreender uma situação comum: o negócio continua localizado em um endereço específico, mas parte da relação com o consumidor acontece fora dele.

O endereço continua fazendo diferença

A expansão das vendas pela internet não eliminou a importância da localização física.

Custos de entrega, tempo de espera, atrasos e questões logísticas continuam fazendo com que a distância entre estabelecimento e consumidor tenha peso nas decisões de compra.

“Não se pode falar exatamente em uma perda de importância da localização, mas sim em uma reconfiguração do seu papel”, explica Danilo.

Na prática, um restaurante pode alcançar um cliente por meio de uma plataforma, mas ainda precisa considerar quanto custa levar o pedido até ele. Uma barbearia pode divulgar seus serviços para pessoas de diferentes bairros, mas o consumidor continua precisando se deslocar até o estabelecimento.

As plataformas também interferem na circulação pela cidade. Os aplicativos de entrega, por exemplo, criaram novos fluxos entre estabelecimentos e consumidores.

Entregadores passaram a conectar diferentes pontos do território, seguindo uma dinâmica que não existia da mesma maneira antes da popularização desses serviços.

É uma camada nova sobre uma estrutura antiga. A rua continua ali, assim como o bairro e o endereço. O que mudou foi parte da forma como esses lugares se conectam aos consumidores.

A digitalização também tem custos

Estar presente no ambiente digital não significa apenas criar uma conta em uma rede social.

Para pequenos empreendedores, manter essa presença pode exigir investimento em publicidade, produção de conteúdo, equipamentos, sistemas de gestão e profissionais especializados. Nos aplicativos de entrega, há ainda taxas e outros custos relacionados ao funcionamento das plataformas.

Danilo chama atenção também para as condições de trabalho dos entregadores e para os custos de utilização desses serviços, que podem pesar de maneira diferente sobre empresas de diferentes tamanhos.

A necessidade de acompanhar as mudanças tecnológicas também cria dificuldades para quem tem menos recursos disponíveis.

“Com crédito limitado, a capacidade de inovação, adaptação e investimento em novas tecnologias também fica comprometida”, afirma.

Nesse ponto, a digitalização não produz necessariamente um cenário mais equilibrado. Empresas com maior capacidade financeira conseguem investir mais em publicidade, tecnologia e profissionais, enquanto negócios menores podem ter dificuldade para acompanhar o ritmo das mudanças.

A diferença também pode aparecer entre regiões. Para Danilo, a expansão das ferramentas digitais pode evidenciar desigualdades que já existem no território.

Inteligência artificial começa a entrar na rotina

A inteligência artificial aparece como uma etapa mais recente desse processo.

Na Barberaria do Allan, a tecnologia já é utilizada para a criação de imagens de divulgação e está presente no sistema de agendamento. Ainda assim, Allan afirma que a IA não provocou uma mudança significativa na estratégia de comunicação do estabelecimento.

A divulgação continua concentrada nos status do WhatsApp e na comunicação feita dentro da própria barbearia.

Para o consultor do Sebrae Aldo Batista, citado na pesquisa, ferramentas de inteligência artificial já podem ser utilizadas por pequenos negócios para produzir textos de venda e campanhas promocionais.

O uso dessas tecnologias, no entanto, ainda ocorre de maneira desigual. Para alguns empreendedores, a inteligência artificial pode representar economia de tempo e acesso a recursos que antes exigiam a contratação de um profissional. Para outros, incorporar novas ferramentas significa lidar com custos, aprendizado e mudanças em uma rotina que já é bastante apertada.

O território digital também é desigual

A expansão das plataformas não acontece sobre um território homogêneo.

Dados citados pelo especialista mostram que 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet em 2025. Entre as famílias da classe A, o índice chegava a 99%, enquanto nas classes D e E era de 73%.

Isso ajuda a colocar uma questão menos evidente quando se fala em digitalização: estar conectado não significa necessariamente ter as mesmas condições para utilizar a internet.

“Embora o espaço digital possa ser uma extensão do espaço físico, assim como determinados espaços físicos são socialmente seletivos, os espaços digitais também podem apresentar essa seletividade”, afirma Danilo.

Para um pequeno negócio, essa diferença pode aparecer na capacidade de produzir conteúdo, pagar por anúncios, contratar serviços especializados ou utilizar ferramentas mais sofisticadas. Do lado do consumidor, pode estar relacionada ao acesso à internet, à qualidade da conexão e à possibilidade de utilizar determinados aplicativos e serviços.

A pandemia acelerou uma transformação que já estava em andamento. Em Campinas e na região, pequenos negócios incorporaram parte dessas ferramentas às suas rotinas e, em muitos casos, não voltaram ao modelo anterior.

Na Chillin Burger, em Valinhos, o delivery continua ocupando uma parcela significativa das vendas. Na Barberaria do Allan, em Hortolândia, o agendamento pelo WhatsApp substituiu a antiga ordem de chegada.

São mudanças diferentes, provocadas por necessidades diferentes, mas que apontam para a mesma questão: para muitos pequenos negócios, a relação com o consumidor já não começa necessariamente na porta do estabelecimento.

A loja continua aberta no mesmo endereço. Antes de chegar até ela, porém, o cliente pode ter passado pelo celular.

Texto de Vanderlei Tenório, com colaboração de Danilo Vallini e João Almeida na reportagem; Fabrício Carnavalli na pesquisa e apuração; Felipe Passos Gal no audiovisual; e Ana Pires na pauta.

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Economia

Últimos dias para se inscrever no Programa de Estágio 2027 da JBS, com vagas no interior de SP

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Oportunidades focam no desenvolvimento de talentos regionais e estão distribuídas em 33 unidades da Companhia no Brasil, em 10 estados e no DF; inscrições vão até 18 de outubro

A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, recebe até o próximo domingo, dia 18 de outubro, as inscrições para o Programa de Estágio 2027. Em sua segunda edição, a iniciativa oferece 46 vagas em 33 unidades da Companhia, distribuídas em 10 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de desenvolver talentos nas regiões onde mantém suas operações. Em São Paulo, as unidades com vagas abertas, estão localizadas nas cidades de Amparo, Itapetininga, Jaguariúna, Lins, Nuporanga e Osasco. Os interessados devem se inscrever pela plataforma Gupy: https://estagiojbs.gupy.io/.

Com duração de 12 meses, o programa combina experiência prática nas operações da JBS com uma trilha estruturada de desenvolvimento cultural, comportamental e técnico. A iniciativa inclui experiências práticas nas unidades, além de workshops, avaliações e acompanhamento das lideranças. As oportunidades estão distribuídas em cinco áreas: Agropecuária, Manutenção, Sistema de Gestão, Garantia da Qualidade e Produção, com atuação presencial de até seis horas diárias.

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Em São Paulo, as oportunidades estão distribuídas entre operações da Seara, Friboi e JBS Novos Negócios. Há vagas nas áreas de Agropecuária, em Amparo, Nuporanga e Itapetininga; Sistema de Gestão, em Amparo, Jaguariúna e Osasco; Manutenção e Produção, em Lins; e Garantia da Qualidade, também em Lins.

Fernando Meller, diretor-executivo de Recursos Humanos da JBS Brasil, destaca o foco do programa no desenvolvimento profissional dos estudantes. “O diferencial é colocar o estudante no centro da operação, para que conheça o negócio na prática e se prepare para os próximos passos da carreira. Queremos desenvolver talentos com conhecimento técnico, visão de processo e competências como comunicação, adaptabilidade, colaboração e atitude de dono”, afirma.

Presente em mais de 225 municípios brasileiros, a JBS investe na formação de talentos dentro de suas operações como parte de sua estratégia de desenvolvimento e fortalecimento das comunidades onde está inserida.

Da primeira turma para a carreira na JBS
A primeira edição do programa, iniciada em 2026, já resultou em efetivações antes mesmo da conclusão do estágio, com participantes seguindo carreira nos negócios da JBS. É o caso de Andressa Poletto da Rosa, de 23 anos, que atua como técnica de agropecuária na unidade da Seara em Passo Fundo (RS). Estudante de Medicina Veterinária, com conclusão do curso prevista para este ano, ela ingressou no programa buscando direcionar a carreira para a avicultura e foi efetivada em menos de seis meses.

Durante o estágio, Andressa conheceu diferentes etapas da cadeia produtiva, da granja à indústria, além do incubatório. Para ela, essa vivência foi determinante para assumir a nova função. “Não fosse o estágio, com certeza eu não estaria na vaga onde estou. Não tem como exercer a função sem conhecer o básico”, afirma. A profissional também destaca o acompanhamento dos gestores durante o período de aprendizado e na decisão de seguir carreira na Companhia.

Bruno Capraro Fantini também foi um dos selecionados na primeira turma do programa, na área de manutenção da JBS Terminais, no Porto de Itajaí (SC). Cerca de cinco meses após ingressar na Companhia como estagiário, foi convidado a assumir uma posição efetiva no mesmo setor e hoje atua como analista de manutenção. “Tudo que aprendi no estágio eu carrego comigo, tanto tecnicamente quanto na convivência com as pessoas”, conta.

Natural de Nova Trento (SC) e estudante de Engenharia Mecânica, com conclusão prevista para este ano, Fantini vê a experiência como o início de uma trajetória profissional na Companhia. “É uma grande oportunidade ter começado aqui. Quero seguir minha carreira na JBS e continuar crescendo na área”, afirma Capraro.

Como participar

Podem participar estudantes de cursos compatíveis com as cinco áreas oferecidas que estejam no último ano de sua formação em 2027, com conclusão prevista para dezembro, tenham disponibilidade para estágio presencial de até seis horas diárias e residam na região da unidade escolhida. As inscrições vão até 18 de outubro, pela plataforma Gupy: https://estagiojbs.gupy.io/. O processo seletivo prevê avaliação de raciocínio lógico, entrevistas com a área de Recursos Humanos e com lideranças das unidades, além de dinâmica de grupo. O início das atividades está previsto para 18 de janeiro de 2027.

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Economia

Mês das Crianças reforça a urgência de combater a exploração sexual nas rodovias do Brasil

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Mobilização da sociedade e responsabilidade social das empresas transportadoras de cargas, associada à capacitação dos motoristas, têm papel importante na proteção de crianças e adolescentes

No mês dedicado a celebrar a infância e os direitos das crianças, um tema ganha destaque no Brasil: a importância de combater a exploração sexual de menores de idade. De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgados pela ONG Childhood Brasil, 178 casos de estupro de crianças e adolescentes são registrados por dia no País. Embora as ocorrências indiquem como local predominante a residência das vítimas, levantamento aponta mais de 13 mil pontos de risco de exploração sexual nas rodovias federais do Brasil.

Elaborada pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Childhood Brasil, a cartilha do Projeto Mapear 2025/2026 identifica 13.758 pontos vulneráveis nas rodovias que podem apresentar riscos a crianças e adolescentes. O levantamento inclui principalmente estabelecimentos comerciais, hotéis, motéis e postos de combustíveis às margens de rodovias federais. Ao longo da malha viária foram mapeados 8.973 pontos em área urbana e 4.785 em área rural.

Segundo o Projeto Mapear 2025/2026, a região Nordeste concentra o maior número de pontos de risco (5.944), seguida pelo Sudeste (3.393), Sul (1.822), Norte (1.455) e Centro-Oeste (1.144). Entre os Estados, aparecem por maior ordem de concentração Piauí (2.533), Minas Gerais (2.170) e Santa Catarina (928).

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“O setor de transporte tem um papel importante na mobilização contra a exploração sexual de crianças e adolescentes”, afirma Débora Kodama, gerente de Recursos Humanos da Ademir Transportes, uma das maiores transportadoras do País a operar para grandes empresas brasileiras, principalmente refinarias e distribuidoras de combustíveis.

Com mais de 600 veículos a serviço do transporte de combustíveis em todo o Brasil, a organização é parceira apoiadora do programa “Na Mão Certa”, da Childhood Brasil. A ONG integra a World Childhood Foundation que também atua na Suécia, Alemanha e Estados Unidos. De forma intersetorial, o programa que visa fortalecer a proteção de crianças e adolescentes e enfrentar a exploração sexual nas rodovias brasileiras articula-se a órgãos públicos, empresas privadas e sociedade civil.

No dia a dia, explica Débora Kodama, a empresa busca capacitar os colaboradores para reconhecer possíveis situações de risco e ter acesso aos canais de denúncia, entre eles o Disque 100, serviço gratuito do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que funciona 24 horas por dia para receber, analisar e encaminhar denúncias de violações de direitos humanos. “É muito importante que os condutores saibam como agir diante de uma suspeita, especialmente em locais identificados como pontos vulneráveis à exploração sexual”, reforça.

Com o apoio de materiais, vídeos e metodologias disponibilizados pela Childhood Brasil, a transportadora promove treinamentos, palestras e rodas de conversa com colaboradores, motoristas, equipes de logística e prestadores de serviço.

Nos esforços contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, os motoristas da Ademir Transportes também são estimulados a atuarem ativamente como agentes de proteção nas estradas. “Mais do que transportar cargas, entendemos que é fundamental unir responsabilidade social, capacitação e mobilização para fortalecer uma rede eficiente de apoio e enfrentamento em todo o Brasil”, conclui Débora Kodama.

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Economia

Mercado de adegas de bairro cresce mais de 22% nas nove cidades do Circuito das Águas

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Levantamento do Sebrae-SP mostra crescimento de MEIs que atuam no comércio de bebidas; especialista destaca importância de planejamento, gestão e diferenciação

O mercado de adegas de bairro vem ganhando espaço entre os pequenos negócios nas nove cidades da região do Circuito das Águas*. Levantamento realizado pelo Sebrae-SP, a partir de dados do Portal do Empreendedor, aponta crescimento no número de Microempreendedores Individuais (MEIs) que atuam em atividades relacionadas à comercialização de bebidas, passando de 287 em 2021 para 351 em 2026, uma variação de 22,3% no período.

O levantamento considera os negócios enquadrados no CNAE 4723-7/00 (Comércio varejista de bebidas), válido para as empresas que apenas vendem os produtos de forma online ou física, sem espaço para consumo no local.

O movimento ganhou força durante a pandemia de Covid-19, com o delivery, e cresce cada vez mais nos bairros paulistas, apostando em agilidade, conveniência, variedade de produtos e relacionamento com o público.

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Além da venda tradicional de cervejas, vinhos, destilados e bebidas não alcoólicas, os estabelecimentos podem trabalhar com produtos complementares, como gelo, carvão, alimentos, petiscos e itens para confraternizações.

A combinação entre loja física, atendimento por canais digitais e entregas também amplia as possibilidades de atuação dos pequenos negócios.

Oportunidades e desafios

Para quem pretende empreender nesse mercado, o crescimento da demanda representa oportunidade, mas também exige atenção à gestão.

Em um segmento com grande oferta de estabelecimentos, conhecer o público, definir um posicionamento, controlar custos e estoques e oferecer uma experiência diferenciada podem ser fatores decisivos para a sustentabilidade do negócio.

“A expansão do mercado de adegas mostra que existe espaço para o pequeno empreendedor, mas abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. É fundamental conhecer o perfil do consumidor, entender quais produtos têm maior procura, trabalhar bem o estoque, calcular corretamente os preços e acompanhar de perto o fluxo de caixa. A diferenciação também ganha importância em um mercado cada vez mais competitivo. O empreendedor que consegue combinar boa gestão, atendimento e conveniência tem mais condições de transformar uma oportunidade de mercado em um negócio sustentável”, afirma Priscila Almeida, analista de negócios do Sebrae-SP.

Outro ponto de atenção é a necessidade de adequação do negócio às características da região onde está instalado. Perfil de renda, hábitos de consumo, concorrência, localização, horários de funcionamento e possibilidade de entrega são alguns dos aspectos que podem influenciar diretamente o desempenho da empresa.

“Para os pequenos negócios, a presença digital também pode ser uma aliada. Redes sociais e aplicativos de mensagens permitem divulgar promoções, apresentar novidades, manter relacionamento com clientes e facilitar pedidos. A estratégia, no entanto, precisa estar alinhada ao perfil do público e à capacidade operacional da empresa”, finaliza a analista.

*Nove cidades do Circuito das Águas Paulista: Águas de Lindoia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindoia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro.

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