Economia
Pequenos negócios da região de Campinas incorporam plataformas digitais à rotina após a pandemia
WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento passaram a fazer parte das estratégias de venda, divulgação e atendimento de empreendedores da região. Especialista aponta que a digitalização ampliou o alcance dos negócios, mas também pode reproduzir desigualdades.
Vanderlei Tenório
A pandemia de Covid-19 mudou a rotina de pequenos negócios da região de Campinas.
Durante o período de restrições, ferramentas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era reservado principalmente ao contato presencial. WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento ajudaram comerciantes e prestadores de serviços a manter o contato com os clientes.
Com o fim das restrições, parte dessas ferramentas permaneceu. Em alguns casos, elas se tornaram importantes para as vendas. Em outros, modificaram tarefas mais simples, como marcar um horário ou divulgar um serviço.
A experiência da Chillin Burger, de Valinhos, administrada por Dyogo Fernandes, mostra uma dessas mudanças. Criada durante a pandemia, a empresa começou a funcionar exclusivamente por delivery, sem salão e sem retirada de pedidos no local.
“Durante a pandemia, foi crucial investir em tráfego pago, pois a loja funcionava exclusivamente por delivery. Não havia salão, retirada ou contato presencial com o cliente”, afirma Dyogo, cozinheiro-chefe e sócio majoritário do estabelecimento.
Instagram, WhatsApp, cardápio digital e iFood foram utilizados desde o início para divulgar a empresa e receber pedidos. Hoje, a Chillin Burger trabalha com iFood, 99 Food e o sistema BeFood para administrar o negócio, manter o cardápio digital e organizar as entregas.
Segundo Dyogo, cerca de 80% das vendas passam por esses sistemas e 30% vêm especificamente do iFood.
“Tudo o que antes fazia parte do digital precisou ser mantido porque se tornou o normal”, diz.
Um cenário de crescimento em Campinas
A expansão do uso dessas ferramentas acontece em paralelo ao crescimento do número de pequenos empreendedores em Campinas.
Dados do Sebrae-SP, com base no Portal do Empreendedor, mostram que o município tinha 73.815 Microempreendedores Individuais (MEIs) em 2019. Em 2024, eram 128.730, um aumento superior a 74%. Um levantamento mais recente citado na pesquisa aponta 133.600 MEIs em 2026.
Os dados, porém, não permitem atribuir esse crescimento exclusivamente à pandemia. A formalização também está relacionada à busca por renda, às mudanças no mercado de trabalho e à expansão do comércio eletrônico.
A venda pela internet também ganhou espaço entre os pequenos negócios. De acordo com o levantamento utilizado na reportagem, a proporção de empresas que vendiam por redes sociais, aplicativos ou outros canais digitais passou de 59% em maio de 2020 para 69% em março de 2021. Em 2023, chegou a 73%, permanecendo próxima de 75% em 2026.
Os números ajudam a dimensionar uma mudança que pode ser percebida no cotidiano dos estabelecimentos. A internet deixou de funcionar apenas como uma alternativa para períodos de restrição e passou a integrar a operação de muitos negócios.
WhatsApp muda rotina de barbearia
Na Barberaria do Allan, de Hortolândia, administrada por Allan Moraes, a transformação aconteceu de outra maneira.
Antes da pandemia, os clientes eram atendidos principalmente por ordem de chegada. Com as restrições sanitárias, o estabelecimento precisou organizar o fluxo de pessoas e passou a trabalhar com horários marcados.
A prática permaneceu mesmo depois da reabertura.
“A principal mudança provocada pela pandemia foi o agendamento de horários. Antes, trabalhávamos mais com ordem de chegada. Por conta da pandemia, tivemos que adotar o sistema de agendamento, que cresceu, e hoje trabalhamos apenas dessa forma”, explica Allan.
Atualmente, o WhatsApp é utilizado para marcar os horários e também se tornou o principal canal de divulgação da barbearia. Os serviços são apresentados principalmente pelos status do aplicativo e dentro do próprio estabelecimento.
Parte da rotina digital é realizada pelos funcionários durante a semana. Nos fins de semana, quando o movimento aumenta, outra pessoa fica responsável pelo agendamento e pela divulgação.
Segundo Allan, essas atividades ocupam entre uma e duas horas.
É uma mudança simples, mas que altera a maneira como o estabelecimento organiza o atendimento. O celular passou a concentrar uma tarefa que antes dependia da presença física do cliente na barbearia.
WhatsApp e Instagram ganham espaço
O comportamento observado nos dois estabelecimentos acompanha uma tendência mais ampla entre os pequenos negócios.
De acordo com os dados reunidos na pesquisa, o WhatsApp é utilizado por mais de 81% dos pequenos negócios como canal de vendas. O Instagram aparece em 60%, enquanto o Facebook é utilizado por 34%.
Quase metade dos micro e pequenos empresários, 48%, já pagou para divulgar produtos ou serviços na internet em 2025. O levantamento aponta ainda que 70% dos pequenos negócios utilizam pelo menos uma ferramenta digital para vender.
Para o geógrafo Danilo Bernardo Ribeiro, entrevistado pela reportagem, a mudança não diz respeito apenas à comunicação. As plataformas também alteraram a relação dos estabelecimentos com o território.
Durante muito tempo, a localização de um pequeno negócio esteve ligada sobretudo ao fluxo de pessoas nas proximidades. Uma loja, uma barbearia ou um restaurante dependiam, em grande medida, de quem passava pela rua, morava no bairro ou trabalhava naquela área.
Redes sociais, aplicativos e marketplaces acrescentaram outras possibilidades. Um estabelecimento pode ser encontrado por alguém que não estava circulando fisicamente naquele lugar.
“Isso não significa que o estabelecimento físico tenha perdido sua importância. Na verdade, ele passa a ser ressignificado e articulado a uma espécie de ‘território digital’”, afirma Danilo.
A expressão ajuda a compreender uma situação comum: o negócio continua localizado em um endereço específico, mas parte da relação com o consumidor acontece fora dele.
O endereço continua fazendo diferença
A expansão das vendas pela internet não eliminou a importância da localização física.
Custos de entrega, tempo de espera, atrasos e questões logísticas continuam fazendo com que a distância entre estabelecimento e consumidor tenha peso nas decisões de compra.
“Não se pode falar exatamente em uma perda de importância da localização, mas sim em uma reconfiguração do seu papel”, explica Danilo.
Na prática, um restaurante pode alcançar um cliente por meio de uma plataforma, mas ainda precisa considerar quanto custa levar o pedido até ele. Uma barbearia pode divulgar seus serviços para pessoas de diferentes bairros, mas o consumidor continua precisando se deslocar até o estabelecimento.
As plataformas também interferem na circulação pela cidade. Os aplicativos de entrega, por exemplo, criaram novos fluxos entre estabelecimentos e consumidores.
Entregadores passaram a conectar diferentes pontos do território, seguindo uma dinâmica que não existia da mesma maneira antes da popularização desses serviços.
É uma camada nova sobre uma estrutura antiga. A rua continua ali, assim como o bairro e o endereço. O que mudou foi parte da forma como esses lugares se conectam aos consumidores.
A digitalização também tem custos
Estar presente no ambiente digital não significa apenas criar uma conta em uma rede social.
Para pequenos empreendedores, manter essa presença pode exigir investimento em publicidade, produção de conteúdo, equipamentos, sistemas de gestão e profissionais especializados. Nos aplicativos de entrega, há ainda taxas e outros custos relacionados ao funcionamento das plataformas.
Danilo chama atenção também para as condições de trabalho dos entregadores e para os custos de utilização desses serviços, que podem pesar de maneira diferente sobre empresas de diferentes tamanhos.
A necessidade de acompanhar as mudanças tecnológicas também cria dificuldades para quem tem menos recursos disponíveis.
“Com crédito limitado, a capacidade de inovação, adaptação e investimento em novas tecnologias também fica comprometida”, afirma.
Nesse ponto, a digitalização não produz necessariamente um cenário mais equilibrado. Empresas com maior capacidade financeira conseguem investir mais em publicidade, tecnologia e profissionais, enquanto negócios menores podem ter dificuldade para acompanhar o ritmo das mudanças.
A diferença também pode aparecer entre regiões. Para Danilo, a expansão das ferramentas digitais pode evidenciar desigualdades que já existem no território.
Inteligência artificial começa a entrar na rotina
A inteligência artificial aparece como uma etapa mais recente desse processo.
Na Barberaria do Allan, a tecnologia já é utilizada para a criação de imagens de divulgação e está presente no sistema de agendamento. Ainda assim, Allan afirma que a IA não provocou uma mudança significativa na estratégia de comunicação do estabelecimento.
A divulgação continua concentrada nos status do WhatsApp e na comunicação feita dentro da própria barbearia.
Para o consultor do Sebrae Aldo Batista, citado na pesquisa, ferramentas de inteligência artificial já podem ser utilizadas por pequenos negócios para produzir textos de venda e campanhas promocionais.
O uso dessas tecnologias, no entanto, ainda ocorre de maneira desigual. Para alguns empreendedores, a inteligência artificial pode representar economia de tempo e acesso a recursos que antes exigiam a contratação de um profissional. Para outros, incorporar novas ferramentas significa lidar com custos, aprendizado e mudanças em uma rotina que já é bastante apertada.
O território digital também é desigual
A expansão das plataformas não acontece sobre um território homogêneo.
Dados citados pelo especialista mostram que 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet em 2025. Entre as famílias da classe A, o índice chegava a 99%, enquanto nas classes D e E era de 73%.
Isso ajuda a colocar uma questão menos evidente quando se fala em digitalização: estar conectado não significa necessariamente ter as mesmas condições para utilizar a internet.
“Embora o espaço digital possa ser uma extensão do espaço físico, assim como determinados espaços físicos são socialmente seletivos, os espaços digitais também podem apresentar essa seletividade”, afirma Danilo.
Para um pequeno negócio, essa diferença pode aparecer na capacidade de produzir conteúdo, pagar por anúncios, contratar serviços especializados ou utilizar ferramentas mais sofisticadas. Do lado do consumidor, pode estar relacionada ao acesso à internet, à qualidade da conexão e à possibilidade de utilizar determinados aplicativos e serviços.
A pandemia acelerou uma transformação que já estava em andamento. Em Campinas e na região, pequenos negócios incorporaram parte dessas ferramentas às suas rotinas e, em muitos casos, não voltaram ao modelo anterior.
Na Chillin Burger, em Valinhos, o delivery continua ocupando uma parcela significativa das vendas. Na Barberaria do Allan, em Hortolândia, o agendamento pelo WhatsApp substituiu a antiga ordem de chegada.
São mudanças diferentes, provocadas por necessidades diferentes, mas que apontam para a mesma questão: para muitos pequenos negócios, a relação com o consumidor já não começa necessariamente na porta do estabelecimento.
A loja continua aberta no mesmo endereço. Antes de chegar até ela, porém, o cliente pode ter passado pelo celular.
Texto de Vanderlei Tenório, com colaboração de Danilo Vallini e João Almeida na reportagem; Fabrício Carnavalli na pesquisa e apuração; Felipe Passos Gal no audiovisual; e Ana Pires na pauta.
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Economia
Finados: data continua importante para a floricultura, apesar das mudanças nos hábitos de consumo
Crisântemos, kalanchoes e kalandivas seguem como os produtos mais procurados
Embora o hábito de levar flores aos cemitérios venha perdendo força ao longo dos anos, o Dia de Finados continua sendo uma data importante para o mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais, mantendo sua relevância para produtores, atacadistas e varejistas de todo o País.
No Ceaflor, maior mercado atacadista brasileiro de flores, plantas, insumos e acessórios para floricultura e decoração, a preparação para a data envolve planejamento antecipado, atenção às oscilações da demanda e estratégias para enfrentar os desafios da produção. Crisântemos, kalanchoes e kalandivas permanecem entre as variedades tradicionalmente associadas à data, mas há espaço para as violetas e outras flores envasadas.
O cenário, no entanto, exige decisões cada vez mais criteriosas dos produtores. O aumento dos custos de produção, somado à dificuldade de contratação de trabalhadores no campo e às oscilações climáticas, torna ainda mais complexa a definição dos volumes a serem cultivados para uma data sazonal.
É o caso de Yasuaki Shimano, da Flora Shimano, que reduziu em 30% a produção de crisântemos e em 10% a de kalandivas em relação ao ano passado. A decisão foi motivada principalmente pela elevação dos custos e pela incerteza na comercialização. “Para este ano, disponibilizamos 90 mil vasos apenas”, comenta.
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A estratégia contrasta com a adotada pelo engenheiro agrônomo e produtor rural Caio Shiroto, da Flora Shiroto, que ampliou a produção de crisântemos para fazer jus ao elevado número de pedidos por parte dos clientes. A decisão acompanha a percepção de crescimento da procura por esses produtos e a oportunidade de suprir o mercado em uma data tradicional da floricultura.
“Mantemos sempre uma postura otimista. Ano a ano, aprimoramos o manejo para entregar um produto de qualidade superior. A filosofia do nosso negócio é garantir um excelente produto para que nossos clientes tenham sucesso nas vendas, gerando, como consequência, crescimento de demanda para o próximo ano”, afirma.
Shiroto ressalta, entretanto, que o cultivo de crisântemos destinados a Finados requer planejamento e controle rigoroso do calendário de produção.
Adaptação às novas demandas
As mudanças no comportamento dos consumidores também influenciam o planejamento do setor. A tradição de levar flores aos cemitérios permanece mais presente entre as gerações mais velhas, enquanto a redução desse hábito entre os mais jovens e o crescimento da opção pela cremação contribuem para transformar o perfil da demanda.
Diante desse cenário, produtores e comerciantes buscam ampliar as possibilidades de comercialização, tanto pela diversificação das variedades oferecidas quanto pela exploração de outros mercados e ocasiões de consumo. Violetas, antúrios e plantas verdes, por exemplo, ajudam a ampliar o portfólio associado à data.
Para o presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, a capacidade de adaptação dos produtores é fundamental para manter a competitividade e atender às diferentes demandas do mercado.
“Finados continua sendo uma data relevante para o setor e mobiliza produtores de diferentes regiões do País. Ao mesmo tempo, acompanhamos mudanças nos hábitos de consumo e a busca por alternativas que permitam ampliar as oportunidades de venda. Nossos produtores trabalham para oferecer variedade e qualidade, conciliando as exigências do mercado com os desafios da produção”, afirma.
Mesmo diante das transformações culturais e dos custos crescentes, Finados permanece no planejamento anual da floricultura brasileira e o Ceaflor busca manter a oferta produtos que ajudam as famílias a expressar carinho, saudade e homenagem aos que já partiram.
Sobre o Ceaflor
Localizado em Jaguariúna (SP), na Rodovia Prefeito Aziz Lian (SP‑107), km 29,3, no principal acesso a Holambra pela Rodovia Campinas–Mogi Mirim (SP‑340), o Ceaflor é o mais completo mercado de flores da região. Inaugurado em 2019 e já ampliado duas vezes, reúne 450 empresas distribuídas em 946 pontos de venda, oferecendo flores de corte, flores em vaso, plantas ornamentais e uma ampla variedade de acessórios para floricultura, paisagismo e decoração.
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Economia
MEI, Pix e Reforma Tributária: o que muda a partir de 2027
Professora no Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançados em Tributação na FIPECAFI, Tatiana Midori Migiyama
Com a aproximação de 2027, algumas dúvidas sobre a Reforma Tributária começam a aparecer com mais frequência, especialmente em relação ao MEI e às pessoas físicas que exercem alguma atividade econômica. Entre elas, estão os valores recebidos por Pix, o limite de faturamento do MEI, a necessidade de inscrição no CNPJ e o split payment.
Embora os temas estejam relacionados, algumas regras já existem hoje e não foram criadas pela Reforma. O limite anual de receita bruta do MEI, por exemplo, continua sendo de R$ 81 mil. A margem de 20% prevista na legislação não aumenta esse limite para R$ 97.200, mas interfere nos efeitos do desenquadramento.
Se o MEI ultrapassar R$ 81 mil e permanecer dentro dessa margem, o desenquadramento ocorre, em regra, a partir do ano seguinte, com o recolhimento complementar sobre o excesso. Se a receita superar R$ 97.200, os efeitos podem retroagir ao início do próprio ano, com a necessidade de recalcular os tributos pelas regras do Simples Nacional aplicáveis à microempresa, acrescidos de multa e juros, conforme o caso.
Também não há propriamente uma multa pelo simples fato de ultrapassar o limite. Há diferenças de tributos a recolher em razão do desenquadramento e os respectivos acréscimos legais. Eventuais penalidades adicionais dependerão da situação concreta, como omissão de receitas ou descumprimento das obrigações relacionadas ao desenquadramento.
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Há propostas no Congresso para aumentar esse limite. O PLP nº 108/2021, aprovado pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, prevê o aumento para R$ 130 mil por ano e a possibilidade de contratação de até dois empregados. Existem também propostas apensadas tratando de limites maiores e de sua atualização. Até que haja alteração legislativa, contudo, continuam valendo os R$ 81 mil.
Uma dúvida diferente, mas que muitas vezes aparece junto com a discussão do MEI, diz respeito aos valores recebidos na conta da pessoa física. Nesse caso, é preciso olhar para a origem do valor. Nem tudo o que entra em uma conta bancária é receita de atividade econômica.
Salário, empréstimo, transferência entre contas próprias ou reembolso, por exemplo, não passam a ser faturamento porque foram recebidos por Pix. Por outro lado, se a pessoa presta serviços, realiza trabalhos ou vende produtos e recebe por eles na conta pessoal, o fato de o pagamento ter sido feito para o CPF não muda a natureza da receita. O mesmo vale para a eventual falta de emissão de nota fiscal.
Essa distinção não foi criada pela Reforma Tributária. A Receita Federal já recebe informações sobre movimentações financeiras e pode cruzá-las com as demais informações prestadas pelos contribuintes. A Reforma, no entanto, traz novas regras para as pessoas físicas que exercem atividade econômica e é aí que os dois assuntos começam a se aproximar.
A LC nº 214/2025 prevê situações em que, para fins de IBS e CBS, devem ser consideradas as atividades econômicas exercidas pela pessoa física e as receitas brutas auferidas no ano, ainda que relacionadas a cadastros distintos.
A mesma lei criou a figura do nanoempreendedor. Em linhas gerais, é a pessoa física que exerce atividade econômica, não optou pelo MEI e possui receita inferior a 50% do limite do MEI, observadas as demais condições previstas na legislação. Esse perfil não será contribuinte do IBS e da CBS.
Por outro lado, a pessoa física que exercer atividade econômica e estiver sujeita aos novos tributos poderá ter obrigações que hoje não fazem parte de sua rotina. Uma delas é a inscrição no CNPJ. A partir de 2027, determinadas pessoas físicas contribuintes do IBS e da CBS deverão possuir CNPJ para fins de cumprimento das obrigações relativas a esses tributos. Isso não significa que deixarão de ser pessoas físicas ou que passarão a ser pessoas jurídicas. O CNPJ será utilizado como identificação para fins do IBS e da CBS.
Essa identificação também será importante para relacionar a operação ao documento fiscal e, posteriormente, ao pagamento. É nesse contexto que entra o split payment.
Split Payment
O Decreto nº 12.955/2026 prevê o Pix entre os instrumentos de pagamento que poderão estar sujeitos ao split. A sistemática permite relacionar o pagamento à operação e ao documento fiscal, de forma que o IBS e a CBS possam ser segregados no momento da liquidação financeira.
Isso não significa que todo Pix recebido no CPF passará a ser tributado. Se o valor não decorre de uma atividade econômica tributável, o fato de ter sido recebido por Pix não muda sua natureza.
Também não há, até o momento, uma regra geral determinando que a pessoa física contribuinte do IBS e da CBS deverá necessariamente utilizar uma “chave Pix CNPJ”. Ainda há questões relacionadas à operacionalização do split que dependem de regulamentação.
O que haverá é uma vinculação muito maior entre cadastro, documento fiscal, operação e pagamento. E isso não afeta apenas pessoas físicas e pequenos empreendedores.
Para as empresas, essa integração já é um dos principais pontos de atenção na preparação para 2027.
O ano de 2026 foi previsto como período de teste do IBS e da CBS, mas ainda há questões importantes aguardando regulamentação. O Decreto nº 12.955/2026, por exemplo, remete diversos temas a atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.
Enquanto isso, as empresas precisam adequar sistemas, cadastros, documentos fiscais e processos internos. E precisam de tempo não apenas para implementar as alterações, mas também para testá-las.
A emissão dos documentos fiscais é um exemplo bastante concreto. Em 2026, algumas validações relacionadas às informações de IBS e CBS foram flexibilizadas para que eventuais inconsistências não impedissem a emissão dos documentos durante o período de testes.
A preocupação aumenta em 2027, quando essas validações começarem a produzir efeitos. Se uma nota fiscal for rejeitada, a consequência não fica restrita à área tributária. Dependendo da operação, sem a nota a empresa não fatura e, sem faturamento, não recebe.
Além disso, a transição exigirá a convivência do sistema atual com o novo por alguns anos. As empresas terão que manter controles relacionados aos tributos que ainda permanecerão em vigor e, ao mesmo tempo, operar IBS e CBS.
É por isso que 2027 será um ano particularmente importante para a implementação da Reforma. Muitas das discussões que até agora estavam concentradas na legislação começam a chegar à operação das empresas e também ao dia a dia de pequenos empreendedores e pessoas físicas que exercem atividade econômica.
A simplificação pretendida pela Reforma poderá ser melhor avaliada quando o novo sistema estiver integralmente implementado. Até lá, a transição exigirá atenção, regulamentação em tempo adequado e, principalmente, condições para que as novas regras possam ser efetivamente testadas antes de produzirem consequências para os contribuintes.
Sobre a FIPECAFI
Fundada em 1974, a FIPECAFI é uma instituição sem fins lucrativos dedicada ao ensino, à pesquisa aplicada e ao desenvolvimento de projetos técnicos nas áreas de Contabilidade, Finanças, Controladoria e Atuária. Reconhecida pela excelência acadêmica, mantém nota máxima nos principais indicadores oficiais de qualidade do ensino superior, conforme documentação comprobatória. Ao longo de sua trajetória, tem contribuído para a formação e aprimoramento de profissionais, a produção de conhecimento técnico e acadêmico e o apoio a organizações públicas e privadas em temas relacionados à informação contábil, governança, finanças, gestão e tomada de decisão.
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Economia
Últimos dias para se inscrever no Programa de Estágio 2027 da JBS, com vagas no interior de SP
Oportunidades focam no desenvolvimento de talentos regionais e estão distribuídas em 33 unidades da Companhia no Brasil, em 10 estados e no DF; inscrições vão até 18 de outubro
A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, recebe até o próximo domingo, dia 18 de outubro, as inscrições para o Programa de Estágio 2027. Em sua segunda edição, a iniciativa oferece 46 vagas em 33 unidades da Companhia, distribuídas em 10 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de desenvolver talentos nas regiões onde mantém suas operações. Em São Paulo, as unidades com vagas abertas, estão localizadas nas cidades de Amparo, Itapetininga, Jaguariúna, Lins, Nuporanga e Osasco. Os interessados devem se inscrever pela plataforma Gupy: https://estagiojbs.gupy.io/.
Com duração de 12 meses, o programa combina experiência prática nas operações da JBS com uma trilha estruturada de desenvolvimento cultural, comportamental e técnico. A iniciativa inclui experiências práticas nas unidades, além de workshops, avaliações e acompanhamento das lideranças. As oportunidades estão distribuídas em cinco áreas: Agropecuária, Manutenção, Sistema de Gestão, Garantia da Qualidade e Produção, com atuação presencial de até seis horas diárias.
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Em São Paulo, as oportunidades estão distribuídas entre operações da Seara, Friboi e JBS Novos Negócios. Há vagas nas áreas de Agropecuária, em Amparo, Nuporanga e Itapetininga; Sistema de Gestão, em Amparo, Jaguariúna e Osasco; Manutenção e Produção, em Lins; e Garantia da Qualidade, também em Lins.
Fernando Meller, diretor-executivo de Recursos Humanos da JBS Brasil, destaca o foco do programa no desenvolvimento profissional dos estudantes. “O diferencial é colocar o estudante no centro da operação, para que conheça o negócio na prática e se prepare para os próximos passos da carreira. Queremos desenvolver talentos com conhecimento técnico, visão de processo e competências como comunicação, adaptabilidade, colaboração e atitude de dono”, afirma.
Presente em mais de 225 municípios brasileiros, a JBS investe na formação de talentos dentro de suas operações como parte de sua estratégia de desenvolvimento e fortalecimento das comunidades onde está inserida.
Da primeira turma para a carreira na JBS
A primeira edição do programa, iniciada em 2026, já resultou em efetivações antes mesmo da conclusão do estágio, com participantes seguindo carreira nos negócios da JBS. É o caso de Andressa Poletto da Rosa, de 23 anos, que atua como técnica de agropecuária na unidade da Seara em Passo Fundo (RS). Estudante de Medicina Veterinária, com conclusão do curso prevista para este ano, ela ingressou no programa buscando direcionar a carreira para a avicultura e foi efetivada em menos de seis meses.
Durante o estágio, Andressa conheceu diferentes etapas da cadeia produtiva, da granja à indústria, além do incubatório. Para ela, essa vivência foi determinante para assumir a nova função. “Não fosse o estágio, com certeza eu não estaria na vaga onde estou. Não tem como exercer a função sem conhecer o básico”, afirma. A profissional também destaca o acompanhamento dos gestores durante o período de aprendizado e na decisão de seguir carreira na Companhia.
Bruno Capraro Fantini também foi um dos selecionados na primeira turma do programa, na área de manutenção da JBS Terminais, no Porto de Itajaí (SC). Cerca de cinco meses após ingressar na Companhia como estagiário, foi convidado a assumir uma posição efetiva no mesmo setor e hoje atua como analista de manutenção. “Tudo que aprendi no estágio eu carrego comigo, tanto tecnicamente quanto na convivência com as pessoas”, conta.
Natural de Nova Trento (SC) e estudante de Engenharia Mecânica, com conclusão prevista para este ano, Fantini vê a experiência como o início de uma trajetória profissional na Companhia. “É uma grande oportunidade ter começado aqui. Quero seguir minha carreira na JBS e continuar crescendo na área”, afirma Capraro.
Como participar
Podem participar estudantes de cursos compatíveis com as cinco áreas oferecidas que estejam no último ano de sua formação em 2027, com conclusão prevista para dezembro, tenham disponibilidade para estágio presencial de até seis horas diárias e residam na região da unidade escolhida. As inscrições vão até 18 de outubro, pela plataforma Gupy: https://estagiojbs.gupy.io/. O processo seletivo prevê avaliação de raciocínio lógico, entrevistas com a área de Recursos Humanos e com lideranças das unidades, além de dinâmica de grupo. O início das atividades está previsto para 18 de janeiro de 2027.
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