Cultura
Otrovertidos
Por: Carol Pepe – Proprietária da Okahoma Import
e do Ok Coworking em Jaguariúna
Esses dias li uma reportagem que falava sobre pessoas otrovertidas. Este assunto me fez pensar muito e desejei trazer aqui uma reflexão.
Antes de iniciar, porém, gostaria de ressaltar que quaisquer informações que trago serão baseadas em pesquisas pela internet e pensamentos pessoais. Apesar de ser formada em psicologia transpessoal, não atuo como terapeuta.
Também, ressalto que dificilmente uso IA para escrita de textos, portanto estejam prontos para ver erros humanos e opiniões que podem ser alteradas com o tempo (somos — ou ao menos deveríamos ser — seres mutáveis, em constante evolução).
Para iniciar este artigo, acho importante ressaltar o que já pode ser de conhecimento geral:
Introvertido – é uma pessoa que costuma focar energia em seu próprio mundo interior. Não é necessariamente tímida, mas precisa de tempo a sós. Tem preferência natural por ambientes mais tranquilos e com menos estímulos externos, é mais reservada, geralmente ouve mais do que fala.
Extrovertido – é aquele que “recarrega” sua bateria socialmente, costuma ter mais facilidade em se comunicar, gosta de interações sociais. É, frequentemente, mais caloroso e expansivo.
Ambivertido – é aquele que possui um equilíbrio entre ser introvertido e extrovertido. Fica bem sozinho, mas também se diverte em eventos sociais, transitando entre as duas situações, dependendo do contexto.
Então, o que são otrovertidos?
Enquanto o ambivertido se encaixa bem tanto como introvertido como extrovertido, de acordo com o contexto, os otrovertidos não se encaixam em nenhum dos padrões. Embora consigam socializar, possuem um forte senso de independência, preferem vínculos profundos e costumam sentir que não pertencem totalmente a grandes grupos ou dinâmicas coletivas.
Preferem as trocas no um a um a eventos sociais que possam ser considerados superficiais.
Os otrovertidos conseguem interagir bem, mas mantêm seu pensamento independente e raramente sofrem do “efeito manada” para buscar pertencimento. Necessitam de momentos de isolamento e solitude. Muitas vezes, sentem-se deslocados em eventos sociais, como se fossem observadores conscientes (e não parte integrante).
O termo foi “cunhado” pelo Dr. Rami Kaminski, psiquiatra norte-americano que fundou o “The Otherness Institute”, em Nova Iorque.
Otrovertidos, ainda que participem de eventos sociais, não costumam se afiliar a grupos específicos (como clubes, religiões ou partidos políticos, por exemplo). Geralmente, possuem crenças e pensamentos individuais que não se alinham a conjuntos de regras muito engessadas. Têm dificuldade em manter amizades que exijam presença física com constância, o que não quer dizer que não mantenham relações profundas com as pessoas com quem tem afinidade verdadeira.
Ainda que o site do Dr. Kaminski diga que são características incomuns, cada vez mais indivíduos estão se identificando com essa definição.
Aqui entra minha reflexão. Existe um número crescente de pessoas cansadas de cultivar relações superficiais e conversas rasas. Todos nós mantemos essas relações sociais, faz parte cultural de quem somos como povo. Porém, como muitos se sentem deslocados dos movimentos que a “manada” faz, acabam se isolando ou entrando na onda do que todos estão fazendo para se sentirem aceitos e pertencentes.
Existem, porém, indivíduos dispostos a fazer diferente, a ter conversas profundas e até mesmo de concordar em discordar. Como exemplo, posso citar que podemos continuar amigos, tendo conversas inteligentes e reflexivas, ainda que não tenhamos as mesmas filosofias de vida, as mesmas crenças religiosas ou a mesmas visões políticas. Muitos de nós estamos saturados do mundo polarizado e das opiniões prontas, entregues pela mídia ou pelas redes sociais.
Há um grupo cada vez maior de pessoas dispostas a “discutir” (no bom sentido) e se permitir mudar de opinião conforme evolui em seus conceitos e conhecimentos. E ainda que não mudemos nosso ponto de vista, estamos prontos para tentar entender o outro. Isso não se dá através de palestras onde um fala e todos ouvem, ou de eventos onde ninguém se escuta porque a música está alta demais ou há tanta gente falando ao mesmo tempo que não dá para ouvir ninguém. São nos pequenos grupos, nas conversas tranquilas, regadas a café ou vinho (ou qualquer outra bebida de sua preferência), nas opiniões que podemos dar sem julgamento, para aqueles que ouvem e realmente prestam atenção.
Acredito que existem muitas pessoas buscando esse tipo de conexão, algumas talvez nem saibam o que estão procurando. Alguém precisa organizar essa bagunça e chamar para o primeiro café. Eu começo. Vamos?
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Cultura
Café Filosófico CPFL retorna a Brasília em edição especial com Monja Coen e Gustavo Arns
Evento no Museu Nacional da República terá transmissão ao vivo pelo YouTube; encontro propõe diálogo entre ciência e espiritualidade sobre a busca pela felicidade
O Café Filosófico CPFL, em parceria com a Papirus Editora, retorna a Brasília para uma edição especial com a Monja Coen e o especialista em estudos sobre felicidade Gustavo Arns. O encontro acontece no dia 21 de outubro, às 19h, no Museu Nacional da República, e marca o lançamento do livro “Ser feliz é possível? Um diálogo entre ciência e espiritualidade”, com transmissão ao vivo pelo canal do programa no YouTube.
O que significa, afinal, ser feliz? A felicidade é apenas reflexo das circunstâncias, uma habilidade que pode ser desenvolvida ou uma maneira singular de interpretar a própria existência? A partir dessas questões, os convidados irão aproximar os ensinamentos da tradição budista e os estudos da psicologia positiva para refletir sobre bem-estar, satisfação pessoal e a construção de uma vida com mais sentido.
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A conversa será realizada das 19h às 20h30. Quem acompanhar a transmissão online também poderá participar, enviando perguntas pelo chat do YouTube.
Diferentes caminhos para uma vida mais plena
Uma das principais referências do zen-budismo no Brasil, Monja Coen levará ao encontro reflexões construídas ao longo de uma trajetória dedicada à meditação, ao autoconhecimento e ao desenvolvimento de uma relação mais consciente com a vida.
Gustavo Arns apresentará a perspectiva da psicologia positiva, área que investiga os fatores e mecanismos relacionados ao bem-estar, à satisfação pessoal e ao desenvolvimento das potencialidades humanas.
Ao reunir essas duas visões, o Café Filosófico CPFL propõe uma conversa entre saberes que, embora partam de tradições e métodos distintos, encontram pontos de convergência ao abordar questões essenciais da experiência humana.
Ciência e espiritualidade em diálogo
O encontro irá explorar como práticas contemplativas, relações humanas, escolhas cotidianas e descobertas da psicologia podem contribuir para uma existência mais equilibrada e significativa.
Mais do que oferecer respostas definitivas sobre a felicidade, a proposta é convidar o público a refletir sobre suas diferentes dimensões: o quanto ela depende das condições externas e em que medida também pode estar relacionada a atitudes, percepções e habilidades cultivadas ao longo da vida.
O diálogo entre Monja Coen e Gustavo Arns permitirá observar como ensinamentos de tradições milenares e estudos científicos contemporâneos podem se aproximar na busca por caminhos que favoreçam o autoconhecimento, o bem-estar e uma relação mais saudável consigo mesmo, com as outras pessoas e com o mundo.
Uma experiência de reflexão e troca de ideias
Criado para aproximar o pensamento contemporâneo da vida cotidiana, o Café Filosófico CPFL promove encontros com pesquisadores, filósofos, escritores, artistas e pensadores de diferentes áreas.
Nesta edição especial em Brasília, o público poderá vivenciar a experiência do programa em um dos principais espaços culturais da capital federal. A iniciativa amplia a circulação nacional do Café Filosófico CPFL e reforça seu compromisso com a democratização do acesso ao conhecimento.
Após a transmissão ao vivo, o encontro será editado para exibição pela TV Cultura e permanecerá disponível no canal oficial do Café Filosófico CPFL no YouTube.
SERVIÇO
Café Filosófico CPFL – edição especial em Brasília
Tema: “Ser feliz é possível? Um diálogo entre ciência e espiritualidade”
Convidados: Monja Coen e Gustavo Arns
Data: 21 de outubro de 2026 (quarta-feira)
Horário: das 19h às 20h30 Local: Museu Nacional da República – Setor Cultural Sul, Lote 2 – Brasília (DF)
Transmissão: ao vivo pelo canal do Café Filosófico CPFL no YouTube
Classificação etária: 14 anos
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Cultura
Café Filosófico CPFL discute o mito de Narciso e Eco na relações de codependência
Psicóloga Carmen Parise conduz encontro gratuito na quinta-feira, 15 de outubro, às 19h, com gravação e transmissão ao vivo pelo YouTube
Campinas, 14 de outubro de 2026 – Como o mito grego de Narciso e Eco pode ajudar a compreender as relações afetivas e os padrões de codependência? Essa é a reflexão proposta pela psicóloga Carmen Parise na palestra “Narciso e Eco na Codependência”, que será realizada nessa quinta-feira, 15 de outubro, às 19h, no Café Filosófico CPFL, em Campinas. O encontro é gratuito, aberto ao público e terá transmissão ao vivo pelo YouTube.
A palestra integra o módulo de outubro do Café Filosófico CPFL, dedicado à codependência e às diferentes formas como as relações de dependência podem se desenvolver e repercutir na vida emocional e familiar. Com curadoria da psicóloga Maria Cristina Greco, o ciclo reúne especialistas da psicologia e da psiquiatria para discutir a construção dos vínculos, a autonomia e os padrões de comportamento que podem surgir nas relações com pessoas dependentes.
No encontro dessa quinta-feira, Carmen Parise utiliza as figuras mitológicas de Narciso e Eco como ponto de partida para discutir questões relacionadas à autoestima, à identidade e à maneira como as pessoas se posicionam nos relacionamentos. A proposta é refletir sobre as dinâmicas afetivas que podem se estabelecer quando a necessidade de reconhecimento, a busca pela aprovação do outro ou a dificuldade de preservar a própria identidade interferem na construção dos vínculos.
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A discussão também convida o público a observar como determinados padrões de comportamento podem influenciar as relações, especialmente quando a atenção às necessidades do outro passa a ocupar um espaço maior do que o reconhecimento dos próprios desejos e limites. Nesse contexto, compreender a codependência pode contribuir para ampliar o olhar sobre a autonomia emocional e as formas de estabelecer relações mais equilibradas.
O módulo de outubro será encerrado no dia 29, com a palestra “Dependência química: entre laços e amarras”, conduzida pelo psiquiatra Lucas Mattos. O encontro propõe um diálogo entre psiquiatria e psicologia arquetípica sobre as relações entre pessoas com dependência química, familiares e cuidadores.
Um espaço para viver a experiência do Café Filosófico
Mais do que assistir a uma palestra, o público é convidado a vivenciar uma experiência de encontro, diálogo e troca de ideias. O Café Filosófico CPFL conta com cenário renovado, intérpretes de Libras e ambiente acessível e climatizado, além da condução da atriz Tainá Müller, que participa das conversas ao lado dos convidados e da plateia.
Após a transmissão ao vivo pelo YouTube, os encontros são exibidos pela TV Cultura aos domingos, às 20h, com reprise às quartas-feiras, à 1h, permanecendo também disponíveis no canal oficial do programa.
SERVIÇO
Café Filosófico CPFL – encontros presenciais e gratuitos
Quando: às quintas-feiras de outubro (exceto dia 22 de outubro)
Onde: Instituto CPFL – Rua Jorge de Figueiredo Corrêa, 1632 – Chácara Primavera – Campinas (SP)
Programação:
15/10, quinta-feira, às 19h – “Narciso e Eco na Codependência”, com Carmen Parise
29/10, quinta-feira, às 19h – “Dependência química: entre laços e amarras”, com Lucas Mattos
Local: Instituto CPFL – Rua Jorge de Figueiredo Correa, 1632, Campinas (SP)
Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h
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Cultura
Infância, afeto e futuro: o verdadeiro sentido de comemorar o 12 de outubro
Silvia Azevedo
Com a chegada do mês de outubro, as propagandas nos lembram da proximidade do Dia das Crianças. Surge, então, uma reflexão essencial: que tipo de infância estamos oferecendo aos nossos pequenos?
Comemorar o 12 de outubro deveria ser, acima de tudo, assumir um compromisso com o desenvolvimento saudável, emocional e intelectual das próximas gerações.
Vivemos hoje em uma época em que o tempo se tornou cada vez mais escasso e as telas ocupam um espaço desproporcional na rotina de todos nós, seja por motivos profissionais, seja por lazer. As crianças de hoje já nasceram conectadas, e não é uma alternativa viável isolá-las da tecnologia ou ignorar a era digital. Pelo contrário: o verdadeiro desafio das famílias é acompanhar de perto esse desenvolvimento, estabelecer limites e oferecer alternativas enriquecedoras, como esportes, atividades ao ar livre e leitura — vivências que estimulem o raciocínio, despertem a curiosidade e as façam pensar.
E, por falar em pensar, a educação, longe de se restringir às paredes da escola, deve ser compreendida em seu sentido mais amplo: como um elemento fundamental de transformação de vidas. Educar é expandir horizontes, desenvolver a consciência crítica, ensinar a convivência em sociedade e fornecer as ferramentas necessárias para que a criança construa sua própria autonomia.
Vale lembrar que a Convenção sobre os Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU), reconhece os direitos de toda criança à educação e à participação na vida cultural. Esses direitos são fundamentais para garantir oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento e acesso ao conhecimento.
Paralelamente à formação intelectual e educacional, a ciência reforça o que a intuição familiar sempre soube: o carinho, especialmente aquele cultivado no ambiente doméstico, é determinante para o desenvolvimento cognitivo e emocional. Um abraço, uma conversa atenta e a presença constante fortalecem os vínculos afetivos e contribuem para construir a segurança necessária para que a criança absorva conhecimentos e se desenvolva plenamente.
Em contrapartida, a falta de acompanhamento e de diálogo pode expor a infância a perigos silenciosos, como o cyberbullying e o acesso a conteúdos inadequados para sua maturidade. Estar presente, conversar e acompanhar o que os filhos consomem no mundo digital também são gestos de amor e proteção.
E por que comemorar o Dia das Crianças? Não apenas para marcar uma data no calendário ou oferecer presentes, mas para nos lembrar de que nelas reside o amanhã. Se desejamos viver em uma sociedade melhor e mais justa, precisamos educá-las hoje para que sejam as construtoras desse novo mundo.
Cuidar das nossas crianças é preparar a base para que a humanidade do futuro seja, finalmente, mais humana.
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