Holambra
Escola São Paulo em Holambra realiza concurso de redação; conheça os textos vencedores
A Escola São Paulo em Holambra, uma das mais tradicionais instituições de ensino da região, realizou neste ano a 9ª edição do Concurso de Prosa do Ensino Médio. O professor de redação, Vinícius André, explica que essa iniciativa tem por objetivo incentivar a reflexão e o exercício da criatividade por meio da produção de textos, possibilitando que os alunos explorem temas do próprio interesse e/ou questões sociais relevantes para a contemporaneidade.
Nesta edição, a Comissão Julgadora teve trabalho para selecionar os textos vencedores, dada a qualidade dos candidatos. Os três textos premiados se destacaram por abordagens ou criativas ou técnicas e até mesmo filosóficas a respeito de questões que têm permeado nosso cotidiano. Abaixo você confere na íntegra as redações vencedoras do concurso.
1º lugar – ENSAIO SOBRE O TELETRANSPORTE, POR LUCCA BALZANO (1º ano)
O Enigmático e Paradoxal Problema do Teletransporte
Já é de longa data vermos temas fictícios, como o teletransporte, fundarem inteiras gerações de filmes, observa-os em obras como: “The Umbrella Academy”,“Os Jetsons”, a saga “X-men” e “Star Trek” onde a ideia do teletransporte aparenta ter começado. Apesar de muito presente no imaginário de ficção científica moderna, seria realmente positivo o impacto desta inovação global? Apesar de parecer simples à primeira vista, o teletransporte, cujo método obedece a todas leis da física e se baseia na estrita conexão com a famosa fórmula: E=m.c², de Albert Einstein, revela consequências não intencionais que seriam capazes de instaurar o completo caos no mundo contemporâneo.
O que começou como um teste de inovação cinematográfica, hoje sai das telas de cinema e parte para os laboratórios mais avançados no âmbito. O teletransporte, embora aparente ser um passo muito distante, já é praticado em lugares propícios aos experimentos, transferindo partículas de informação quântica (qubits), sofrendo viagens longas feito por organizações, como fez o Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech, ao transportar as mesmas partículas à uma distância de 44 quilômetros, atingindo uma porcentagem de precisão de continuidade da matéria pré-estabelecida de 90%. Este experimento foi considerado um marco em 2021, e os cientistas conduzentes ainda apresentam maiores expectativas, como demonstra um dos esperançosos autores da matéria publicada pela Physics Review, Panagiotis Spentzouris, ao proclamar: “Estamos entusiasmados com esses resultados. Esta é uma conquista fundamental no caminho para a construção de uma tecnologia que redefinirá a forma como conduzimos a comunicação global”.
Apesar da enorme quantidade técnico-científica atual, os humanos ainda são extremamente frágeis em relação às viagens que envolvem níveis não usuais de vibração, aceleração e gravidade, e à isso é dado o nome, por diversos cientistas da área, de “Fator Tripa”. O caso da viagem de Marcos C. Pontes, engenheiro, astronauta e ligado à Força Aérea Brasileira, que demonstra que, por apenas dez dias no espaço, ilustrou perfeitamente este efeito, contraindo deficiências hormonais e imunológicas que geraram o vitiligo e ainda definiram a sua disfunção auditiva irreversível. Além do citado, são comuns em viajantes espaciais doenças cardiovasculares, osteomusculares, oculares e outras que apenas reforçam a ideia da completa falta de segurança nos estimados teletransportes, uma vez que envolvem os dados contribuidores para estes problemas.
Saindo do ideal de grandes laboratórios complexos, e se dispositivos de teletransporte fossem disponíveis ao consumo comum da população, como o modo que são simples bicicletas atualmente, quais seriam as possíveis consequências? Por começo, isso resultaria na parada constante na compra de automóveis e no abandono contínuo de postos de gasolina, trens, ônibus, aviões, navios e caminhões, portanto, gerando um estratosférico aumento na dinamicidade da entrega de cargas e até produtos, pois a entrega seria efetuada de forma direta ao consumidor, porém, seriam ainda caracterizados pela gigantesca taxa de desemprego. Além disso, o novo método de transporte resultaria na parada imediata da construção de estradas, propiciando uma grande economia de recursos econômicos e naturais, desta forma favorecendo o retorno da vida ecológica a esses locais.
Um fator complementar seria o de que, mesmo reconhecendo o seu local de estadia como o Brasil, o indivíduo ainda teria a transparente possibilidade de trabalhar ou até mesmo viajar a qualquer outro lugar do mundo, sem restrições geográficas. Por outra perspectiva, não seria surpreendente observar o mercado imobiliário em estado caótico e o turismo se tornando a atividade econômica de maior interesse para os países, sendo caracterizado pela eliminação do tempo e do custo de transportes necessários, além claro, da função dos hotéis nesta sociedade distópicamente utópica. Com o avanço da desordem, também acompanharia a queda e a falência de empresas insignes, popularizando o termo “tecnologia disruptiva” à época, localizada quando inovações são capazes de alterar todo o mercado financeiro, desvalorizando métodos de trabalhos ultrapassados para esta era e, por contraste, condecorando o resto da população.
Ainda, criminosos teriam a chance de fugir de uma cena de crime em instantes, exércitos poderiam aparecer em qualquer região do mundo em questão de segundos e terroristas conseguiriam deixar bombas em lugares e sair sem nem mesmo serem percebidos. A falta de segurança seria enraizada na sociedade e conceitos como imigração, alfândegas e tarifas, desapareceriam por completo.
Com esta complexa perspectiva em mente, surgem algumas tentativas de resoluções por parte de cientistas e até de pessoas de outros campos de ação. Alguns indivíduos propõem que, neste cenário hipotético, o mais condizente seria aumentar de forma exagerada o valor monetário desta tecnologia, assim diminuindo sua acessibilidade. O exacerbado problema desta possível solução é o de que, por tentar conduzir este movimento sobre os custos da tecnologia, seria claramente visível uma separação absurda das classes, entregando às mãos abastadas da sociedade inúmeras vantagens, se já não previamente estabelecidas, sobre qualquer tema discutível. Cientistas agora, não mais procuram tanto por métodos de trazer o teletransporte ao cotidiano humano, mas sim, por soluções éticas para o problema paradoxal.
2º lugar – REPORTAGEM SOBRE A ECONOMIA NO PÓS-COVID, POR ALEXANDRE SANTATO (3º ano)
Economias locais e global entram em ameaça após a pandemia
Inflação e tensões geopolíticas são alguns dos fatores que ameaçam a estabilidade comercial
Com a diminuição do número de casos e mortes por COVID-19 em todo o planeta devido à vacinação, os especialistas estavam otimistas em relação à rápida recuperação das balanças comerciais, que sofreram durante o período auge da pandemia. Entretanto, desde meados do ano passado, o mundo se encontra próximo de entrar em uma recessão maior que a de 2020, quando o SARS-CoV-2, o coronavírus, se espalhou por todos os países.
No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, fechou 2021 com uma alta de 10,06%, a pior desde 2015, quando o país estava estagnado. Tal fenômeno, no entanto, não é observado com exclusividade em países emergentes: os Estados Unidos encerraram 2021 com uma alta de 5,8%, a maior em quase 40 anos e, atualmente, chega a 7,9% nos últimos 12 meses, algo extraordinário para os padrões norte-americanos.
Esse fato econômico é resultado de uma política de emissão de dinheiro pelos países de forma inabitual como tentativa de conter possíveis ameaças econômicas imediatas. Nos Estados Unidos, novamente, mais de 20% de todo o dólar americano existente foi emitido no ano de 2020 com o objetivo de suprir demandas populistas do governo. Segundo o economista Peter Schiff, “A América nunca será grande enquanto sua economia ‘de bolha’ se apoiar em estímulos falsos”.
Em território nacional, o Governo Federal optou, também, por “furar” o teto de gastos, ou seja, gastar mais do que o arrecadado, aumentando a dívida interna. Somente a criação do Auxílio Emergencial, por exemplo, demandou mais de R$ 300 bilhões dos cofres públicos, o qual embora tenha sustentado milhões de famílias, tratou-se concomitantemente de uma estratégia política para aumentar a popularidade imediata do Governo, prática conhecida como populismo.
O aumento da circulação de dinheiro na economia, quando não estudado e controlado, nem sempre é benéfico. Na prática, o crescimento da quantidade de moeda, quando não acompanhado do crescimento de riqueza, tende a acarretar num processo inflacionário. Basicamente, um mesmo número de pessoas, agora com mais dinheiro, está exposto à uma riqueza que não cresceu proporcionalmente, ou seja, elas possuem mais dinheiro para comprar as mesmas coisas. Assim, com um aumento na procura não acompanhado da oferta, o preço dos produtos e serviços tende a subir.
Além disso, sanções econômicas derivadas de conflitos geopolíticos, como a invasão russa à Ucrânia, têm aumentado o preço internacional de produtos considerados matéria prima e alimentos, as chamadas commodities. No início do ano, por exemplo, o barril de petróleo estava sendo negociado a US$ 78,98, mas em março atingiu o patamar de US$ 127,98, representando uma alta de mais de 62% em menos de três meses, já que a Rússia é a 3ª maior produtora de petróleo no mundo. Essa realidade acarreta no aumento do preço dos combustíveis e, por conseguinte, de todos os produtos e serviços, os quais demandam custos indiretos com fretes e deslocamentos.
A economista Silvia Mattos, em entrevista ao Correio Braziliense, pontuou que “Estamos vendo um cenário bastante deteriorado, com inflação alta, juros também, piora do risco país no ano que vem, um risco de desaceleração global que não vai ajudar muito o país a crescer”. Assim, economias emergentes, que são naturalmente mais frágeis, estão em maior risco de sofrerem com uma estagnação econômica caso o cenário internacional e as políticas monetárias nacionais não sejam planejadas e favoráveis ao médio e longo prazo.
3º LUGAR – COMENTÁRIO SOBRE A REPRESENTAÇÃO DE FELICIDADE NUM FILME JAPONÊS, POR EDUARDO CARVALHO (1º ANO)
O Conto da Princesa Kaguya – A felicidade na simplicidade
O que é felicidade? Felicidade é um conceito que superficialmente pode parecer simples, muitos a definem como ter um bom emprego, uma família que o ama, uma boa moradia, comida, porém a resposta para essa pergunta se encontra em um complexo campo de discussões e teorias inacabáveis. A felicidade é muitas vezes idealizada na ficção, como em contos de fada e suas princesas, que vivem em castelos com seus príncipes encantados, sendo reverenciadas por todos, visão muito popularizada pela empresa norte-americana Disney. Porém, essas visões fantasiosas de mundos perfeitos, enraizada na nossa cultura, através das suas animações da mesma, são muito tendenciosas, diferindo até mesmo dos contos de fadas originais em que foram inspirados, que possuíam finais duros, cruéis e lições de morais ensinadas através do choque do leitor em relação ao desfecho da história. Um perfeito exemplo de contraponto a esse imaginário moderno em torno das princesas é o “Conto da Princesa Kaguya”, filme lançado em 2013 pelo famoso estúdio de animação japonês, Studio Ghibli, e dirigido por Isao Takahata, baseado na mais antiga narrativa japonesa.
A obra é protagonizada por Kaguya-hime, uma princesa originária da Lua, que é encontrada ainda bebê dentro de um tronco de bambu brilhante, vestida como uma princesa, por um humilde cortador de bambu. Kaguya é criada pelo velho cortador de bambu e sua esposa em uma área rural, porém, ela cresce de maneira sobrenaturalmente rápida e logo se torna uma criança. Enquanto ela vai fazendo amigos e formando laços no vilarejo, seus pais concretizam o plano de torná-la realmente uma princesa, assim põem fim abruptamente a sua vida no vilarejo, fazendo-os se mudarem à capital, para assim finalmente viverem como nobres. Lá, Kaguya é ensinada sobre os modos da nobreza, mesmo resistindo a eles, com o tempo ela vai os aceitando. Inicialmente, estava entusiasmada com sua nova vida, porém com o tempo foi se tornando cansada e irritada dos protocolos e modo de viver da aristocracia imperial, logo cresceu-se dentro de si um profundo sentimento de tristeza e desgosto. Esse fato foi agravado ainda mais quando relatos de sua beleza, já adolescente, começaram a se espalhar, e vários pretendentes começaram a surgir para casarem-se com ela, até mesmo o próprio imperador, porém a princesa não se conformava com a ideia de se casar com alguém por outro motivo que não fosse o amor, então recusou todos. Porém, o imperador não aceitou que lhe negassem algo, então, ao tentar tomá-la à força, Kaguya gritou, sua mente suplicou e seu coração implorou, em um momento do mais puro terror, para que fosse levada embora deste plano mundano e retornasse ao celestial. Ela se arrependeu, chorou, lamentou-se depois, porém seu pedido foi atendido, e iria ser buscada na décima quinta noite do mês. Na época proclamada, uma comitiva divina desce dos céus, e como estabelecido, Kaguya logo é levada. Seus pais tentam salvá-la, porém de nada adianta, e ela, contra a sua vontade, é vestida com um manto divino, deste modo esquecendo de todas as suas lembranças desta vida terrena e vai embora com a comitiva, assim, a princesa da lua para a lua retornou.
O conto termina de uma maneira melancólica, não há um final feliz, não há príncipes encantados, há apenas o destino, o inevitável destino de sua volta à lua, uma metáfora para a única certeza de nossas vidas, a morte. A morte é inexorável, porém é ela quem dá sentido ao viver, pois é o que motiva-nos a correr atrás de nossos objetivos e o que nos ensina a dar valor às coisas, as pessoas a quem amamos e a busca da felicidade, contra um tempo que mesmo aparentando ser duradouro, se dissolve celeremente. Kaguya era feliz no vilarejo, vivendo de maneira simples, com amigos e relacionamentos reais. Porém, o cortador de bambu acreditava que a felicidade verdadeira de Kaguya encontrava-se somente na nobreza, na aristocracia e na grandeza, então fez de tudo para que ela acendesse para a corte e se tornasse uma nobre, uma verdadeira princesa. A agora nobre princesa foi ganhando camadas e mais camadas de roupas, simbolizando a sua ascensão à aristocracia, porém também marcando o distanciamento desta com a realidade, a excessiva cobrança e os irracionais protocolos da mesma. Kaguya é ensinada que uma princesa não deve sorrir, chorar, se irritar ou gritar, desta forma, como ela própria fala: “Então, uma princesa não é humana!”. Ao fim, quando o seu retorno à lua é anunciado, o cortador de bambu finalmente desperta para a realidade, a sua busca pelo ideal fantasioso de felicidade para a sua filha foi o motivo da “morte” da mesma, como exemplificado na fala de Kaguya, “A felicidade que vocês me desejaram foi difícil de suportar!”
Ao fim de sua estadia no plano terrestre, ela percebeu que já havia sido realmente feliz, quando vivia no campo, com uma casa simples, amigos simples e uma vida simples. Toda a futilidade e suposta grandeza da nobreza só lhe fez mal, envenenando pouco a pouco sua alma e tornando os seus anos nesta vida mundana, miseráveis.
Assim, o “Conto da Princesa Kaguya” consagra-se como uma obra atemporal, gerando reflexões sobre o gênero, estereótipos de uma princesa, a aristocracia, a romantização exacerbada dos contos de fadas, dentre outras. Porém, o tema mais importante levado à tona por essa magnum opus do meio animação é a vida e a morte, e sua rapidez, sobre como a busca pela felicidade pode guiar o coração humano para caminhos a primeira vista grandiosos, mas que por oposição, a felicidade geralmente se encontra no mais simples, nos amigos, na família e no amor.
4º LUGAR – CRÔNICA SOBRE O ÚLTIMO ANO DO ENSINO MÉDIO, POR LAÍS DOMHOF (3º ano)
COMO SOBREVIVER AO ÚLTIMO ANO DO ENSINO MÉDIO
Querido leitor, se você veio atrás de um guia de sobrevivência do 3° ano do ensino médio, vá embora, eu não tenho a solução.
Alguns adultos diriam que a palavra sobrevivência é dramática, é porque na época que eles prestaram vestibular metade das matérias nem existiam ainda.
Também não se surpreenda se ouvir coisas do tipo: “Não sei porque você tá reclamando ‘na minha época’ a gente tinha que atravessar uma floresta e 3 lagos, e não tinha canoa não, era no braço mesmo, só para chegar na escola”.
Se você entrar em uma sala do 3° ano do ensino médio e perguntar: Qual a pergunta que mais te fizeram esse ano? A resposta é só uma, queridos leitores: ” O que você vai ser quando crescer?”. Sejamos sinceros, as pessoas que fazem essa pergunta são ingênuas, porque com 17/18 anos ninguém mais cresce nada, quem tem 1,60 vai continuar com 1,60. De janeiro a dezembro do mesmo ano ninguém que tem 1,60 chega no 2 metros, então crescer é relativo.
Agora, assim, quer fazer uma pegadinha com aquela tia chata, que toda vez que te vê pergunta o que você vai fazer de faculdade, mesmo você já tendo dito mil vezes que ainda não tinha decidido, fala que não vai fazer faculdade. Te prometo que a cara dela vai ser hilária, tipo como se não fazer faculdade fosse mais grave que matar uma pessoa, é garantido o entretenimento.
Se você conseguir passar o último ano do ensino médio sem sentir nem ansiedade, nem depressão, nem insegurança, nem solidão, ou você é um robô ou você é psicopata, não tem outra explicação.Indica-se procurar um médico.
É muito injusto que seu futuro seja definido em uma mísera prova de conhecimentos gerais e resistência, porque sim, o vestibular é um teste de resistência.
Mas é nesse ano que mais se valoriza os amigos, pois é nesse momento que cai a ficha que é o seu último ano ao lado de pessoas incríveis com quem você compartilhou muitos anos e muitas experiências, e não dá para negar que a maioria das amizades do colégio, ficam no colégio, e que os momentos nunca mais vão voltar. É por isso que o último ano do ensino médio se trata de uma linha tênue entre o sofrer e o amadurecer e que no final de contas deixa ensinamentos e histórias para rir e refletir. Volte ano que vem para: “Como sobreviver ao primeiro ano da faculdade”, brincadeira, ou não… Beijinhos, De uma estudante desorientada.
5º LUGAR – CONTO LITERÁRIO COM TEMÁTICA PSICOLÓGICA, POR MARIA LUIZA GOTHARDO (2º ano)
O LADO QUE ASSUSTA
Acordo em um local totalmente diferente do meu quarto. Estou perdida. A imensidão e escuridão me cercam por todos os cantos, quando chamo por ajuda o único som que escuto é o sufocado eco dos meus gritos. Minha alma inteira é consumida por medo, não sei onde estou mas tenho certeza que pertenço àquele lugar. Meu corpo me trai e antes que eu perceba já choro incontrolavelmente. Enxugo as lágrimas com a palma da mão. Chorar não vai me salvar dessa situação.
Entretanto, no momento em que abro meus olhos, eu sou capaz de enxergar uma pequena fonte de luz bem distante de mim. Me esforço para ver melhor as sombras que se movem naquele canto. São pessoas surgindo do escuro, eu as conheço. São os meus amigos. Animada com a perspectiva de não estar mais sozinha, começo a correr freneticamente para encontrá-los. Corro mais do que meu pulmão é capaz, preciso parar para respirar. Estranhamente percebo que meus amigos estão mais afastados do que antes. Começo a correr outra vez, porém a cada novo passo o grupo se distancia um pouco mais. Não entendo. Mesmo com meu maior esforço é impossível alcançá-los. Resolvo tentar chamar a atenção deles, grito seus nomes e movo meus braços de forma exagerada. Falho miseravelmente. Nenhuma resposta, ou olhares procurando por minha voz. Na realidade, eles parecem estátuas, nem se mexeram aos meus berros. A decepção é imediata. Eles não estão distantes o suficiente para não conseguir me ouvir. Ou seja, eles simplesmente não se importaram com a minha existência e o tom desesperado de minha voz. Fui negligenciada pelos meus próprios amigos. Eles estão se distanciando e eu não posso evitar. É no exato instante em que essa percepção vai me consumir de raiva e tristeza, que a luz se apaga e eles somem.
Novamente rodeada pela completa escuridão. Contudo, uma nova luz surge antes que o pânico me consuma . Consigo identificar um grande espelho começando a aparecer do breu. Dessa vez sou capaz de me aproximar do canto iluminado. Chego extremamente perto do espelho, percebendo que foi uma vez quebrado e alguém tentou recolocar seus pedaços. Ao olhar meu reflexo me vejo totalmente distorcida. Minha aparência está completamente desfigurada, porém eu ainda reconheço a pessoa refletida. Ela esteve presente em muitos dos meus pesadelos, foi quem me assombrou até à luz do dia. A pessoa é a minha versão que não suporta sua imagem, que tem vontade de chorar toda vez que vê um espelho. Provavelmente foi ela quem quebrou o objeto em uma de suas crises. E simplesmente assim o espelho desaparece e a luz se apaga.
A confusão e desordem desse lugar me assusta. Demora menos ainda para que outra luz se acenda e ilumine uma carteira. Sei que devo me aproximar e quando vejo uma prova em cima daquela superfície sinto que preciso realizar aqueles exercícios. Quando me sento, uma caneta aparece de súbito em minha mão e sei que minha intuição estava correta. Começo a ler as questões, mas as letras se embaralham na minha visão e não consigo focar. Tento respirar fundo o ar que já começa a faltar em meus pulmões. Sei que em algum ponto da minha vida alguém me ensinou aqueles assuntos, porém no momento é como se todas as informações tivessem sido apagadas do meu cérebro. Tento começar a escrever para ver se ideias surgem em minha mente, porém tremo tanto que não tenho habilidade para desenhar uma reta. Conheço perfeitamente aquela sensação de insuficiência e terror que me invade. Sei que sou capaz de vencê-la só preciso confiar em mim mesma. Entretanto, é como se aquele lugar lesse meus pensamentos e bem na hora surgem pessoas ao meu redor. Dessa vez falam comigo mas somente para criticar, riem da minha cara, indagam como posso não saber conteúdos tão fáceis, me xingam de burra e dizem que decepcionei todas as expectativas. Preciso chorar, aqueles olhares de reprovação são meus piores inimigos desde a infância. Saber que pessoas me viram por baixo da máscara da “senhorita perfeita” me deixa em pânico. Nesse instante reconheço inteiramente onde estou.
Não preciso de confirmações. O caos e a angústia que cercam o ambiente só confirmaram minhas suspeitas. Estou dentro da minha mente, cercada pelos meus medos, inseguranças, traumas e paranoias. Minhas maiores preocupações tomaram forma e me mostram a realidade que mais temo. Tenho medo de ser insuficiente, de não atingir as expectativas e decepcionar os outros. Luto diariamente para não voltar a me odiar, enfrento os reflexos e me permito comer. Busco o amor e ser amada, porém temo ser esquecida ou deixada para trás. Batalho com a autoconfiança e tento conviver com minha ansiedade. Preciso sair daquele lugar antes que ele me consuma. A escuridão não pode sufocar minha vida. É assim que meu corpo decide que chegou o momento de sair do meu pior pesadelo.
Holambra
31º Veiling Market aponta tendências do mercado para assegurar o futuro da floricultura brasileira
O pesquisador, idealizador e curador da Vitrine de Tendências, Hélio Junqueira, revisitou o passado para recuperar possibilidades ainda não exploradas para fomentar o futuro do consumo de flores e plantas ornamentais no Brasil. O espaço é uma das atrações do evento que acontece nos dias 12 e 13 de março na Cooperativa Veiling Holambra, e foi cenograficamente transformado no Palácio de Cristal de Petrópolis (RJ), como símbolo do resgate de espécies associadas às eras da Regência e Vitoriana e ao Brasil Império. Entre as flores e plantas “resgatadas” estão as hortênsias, as camélias, a costela-de-adão, os crisântemos, as antigas rosas de jardim e as dálias, entre outras.
A Vitrine de Tendências do 31º Veiling Market, que acontece nos dias 12 e 13 de março, na Cooperativa Veiling Holambra, convida o setor a olhar para o futuro a partir de um movimento que ganha força no comportamento do consumidor: a nostalgia e a reconexão com a natureza. Idealizada e curada pelo pesquisador Hélio Junqueira, a Vitrine foi cenograficamente inspirada no Palácio de Cristal de Petrópolis (RJ), como referência às estéticas da Regência, da Era Vitoriana e do Brasil Império, reforçando a ideia de que revisitar o passado pode revelar possibilidades ainda pouco exploradas no mercado nacional. No espaço, ganham protagonismo flores e plantas ornamentais com forte apelo afetivo e potencial comercial, apresentadas tanto no cultivo tradicional quanto em composições alinhadas à arte floral contemporânea. A seleção inclui hortênsias, camélias, orquídeas, antigas rosas de jardim, dálias, crisântemos, zínias e sálvias, além de aráceas nacionais como filodendros, antúrios e tinhorões (Caladium) e a costela-de-adão (Monstera) revisitada em propostas atuais.
Laboratório para produtores
Ao reproduzir uma das alas laterais do monumento petropolitano, o espaço cria uma experiência imersiva que conecta passado e futuro, tradição e inovação, memória e mercado. No entanto, mais do que uma ambientação histórica, a Vitrine de Tendências reafirma seu papel como laboratório estratégico para produtores, melhoristas, atacadistas, floristas e varejistas. “Voltar no tempo é reencontrar sonhos que podem reflorescer dentro de um movimento que reflete a busca atual por nostalgia, natureza e reconexão emocional. As heranças do século IXX podem ser revividas em arranjos botânicos diversos, que rompem com a rigidez e a simetria, valorizando o exótico e o natural”, explica.
De acordo com o pesquisador, em um cenário global marcado por hiperconectividade, ansiedade e múltiplas crises, a nostalgia emerge como fenômeno cultural estruturante. A busca por refúgio emocional e reconexão com a natureza impulsiona o consumo de flores que evocam memória, afeto e permanência. “A influência da cultura pop também desempenha papel relevante nesse movimento. Séries de grande repercussão, como Bridgerton, ajudam a acelerar tendências ao difundir uma estética romântica, ornamental e aspiracional que encontra eco direto na floricultura e no paisagismo contemporâneos”, observa o professor. Assim, as tendências são inspiradas no passado, mas recebem novas leituras estéticas para criar oportunidades estratégicas de negócios para a cadeia produtiva de flores e plantas”, complementa.
Revival botânico
O resultado é uma estética que combina rigor botânico e liberdade criativa, característica marcante da botânica vitoriana. Mais do que nostalgia, a proposta aponta para um movimento contemporâneo consistente: o resgate de espécies tradicionais e o retorno de composições exuberantes, multiespecíficas e assimétricas, que celebram diversidade, frescor e naturalidade. Entre as tendências estão:
- Hortênsias – símbolo dos jardins clássicos e da paisagem serrana;
- Camélias – ícone ornamental e histórico do Segundo Reinado;
- Orquídeas – que unem exotismo tropical e sofisticação;
- Costela-de-adão (Monstera) – revisitada em composições contemporâneas;
- Antigas rosas de jardim – com formas mais naturais e fragrâncias marcantes;
- Dálias – de geometrias exuberantes e cores intensas;
- Crisântemos – reinterpretados em propostas modernas;
- Zínias e sálvias – que reforçam a estética campestre;
- Aráceas nacionais – com destaque para filodendros e antúrios nativos;
- Tinhorões (Caladium SP.) – valorizados por sua folhagem ornamental vibrante.
Sobre o Veiling Market
A 31ª edição da feira de negócios Veiling Market acontece nos dias 12 e 13 de março e reúne 183 expositores. Além de negócios voltados às principais datas do primeiro semestre, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, o evento traz o Núcleo de Tendências com variedades, cores e conceitos alinhados às demandas do varejo especializado e do mercado. As empresas de melhoramento genético apresentam os cultivares com alto potencial comercial para os próximos anos. O evento é inspirado na tradicional Trade Fair Aalsmeer, da Holanda.
Sobre o Veiling Holambra
O Veiling Holambra é o mais completo centro comercial e logístico de flores e plantas do Brasil, com mais de 180 mil m² de área, sendo referência no mercado nacional. Com 36 anos de história, a cooperativa reúne mais de 470 produtores cooperados e atende mais de mil clientes ativos em todo o território nacional.
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Formação de professores marca início do programa Líder em Mim em Holambra
Teve início nesta semana a formação dos professores da rede municipal de Holambra para o programa 7H -Líder Em Mim. A atividade é realizada por integrantes da associação civil sem fins lucrativos 7H e marca o começo oficial da iniciativa nas escolas Jardim Flamboyant, Recanto das Palmeiras e Novo Florescer.
A iniciativa atenderá 120 alunos do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental I, com atividades realizadas dentro do horário regular de aulas e sem qualquer custo para o município. A proposta é fortalecer o desenvolvimento socioemocional, a liderança e o protagonismo, sem alterar a grade curricular.
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Responsável pela Organização, Kleber De Paulo destacou a base pedagógica da metodologia. “Os conteúdos são produzidos em parceria com a marca global FranklinCovey e fundamentados nas obras, pesquisas e projetos do Dr. Stephen Covey, autor do best-seller ‘ Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes’.” Ele também ressaltou a dimensão do projeto. “Neste ano, o Líder Mirim está sendo implantado de forma gratuita em três cidades do Estado de São Paulo e em cinco de Minas Gerais, alcançando 19 escolas e cerca de 2 mil alunos. Essa metodologia já é aplicada em mais de 1000 escolas particulares no Brasil e está presente em 7 mil unidades de ensino no mundo.”
A integrante da associação 7H, Carolina Lagazzi, explicou como o programa será desenvolvido na prática. “As atividades são aplicadas dentro das disciplinas já existentes, utilizando o próprio conteúdo pedagógico para desenvolver liderança, organização, responsabilidade e cooperação. Além disso, oferecemos acompanhamento remoto e presencial durante todo o ano.”, disse. “Trabalhamos a mudança comportamental em educadores e estudantes, desenvolvendo autoestima e autoconhecimento para que se tornem protagonistas de suas próprias vidas e agentes de transformação da sociedade.”
O diretor municipal de Educação, Henrique Mazotti, enfatizou os benefícios da ação para a rede. “A formação oferecida aos professores garante segurança e alinhamento pedagógico. O acompanhamento durante todo o ano fortalece o trabalho em sala e assegura que as habilidades socioemocionais sejam desenvolvidas de forma consistente”.
O prefeito de Fernando Capato destacou o alcance da iniciativa na formação integral dos estudantes. “Estamos falando de um programa que vai além do conteúdo pedagógico tradicional. Ele trabalha valores, responsabilidade, empatia e liderança desde cedo, preparando nossas crianças para os desafios da vida e fortalecendo ainda mais a qualidade da educação em Holambra”.
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Holambra
Holambra sedia a 31ª edição da HORTITEC de 17 a 19 de junho
São mais de 500 empresas expositoras apresentando inovações tecnológicas voltadas a otimizar a produção, reduzir perdas, elevar a qualidade e oferecer soluções capazes de mitigar os impactos das mudanças climáticas no campo, ampliando as oportunidades para o produtor que deseja modernizar suas operações e impulsionar novos projetos
A HORTITEC – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas – chega à sua 31ª edição neste 2026 reafirmada como o principal encontro do setor hortifrutícola no Brasil e um dos mais relevantes da América Latina. Marcada para os dias 17, 18 e 19 de junho, em Holambra (SP), a feira, que no ano passado passou por ampliação estrutural, já está com todos os espaços comercializados, evidenciando a força do agronegócio brasileiro e o comprometimento de produtores, empresas e instituições com tecnologia, inovação e geração de negócios. A expectativa é receber 32 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 750 milhões.
Nesta edição, a HORTITEC reunirá 520 empresas expositoras, nacionais e internacionais, apresentando um portfólio amplo e altamente especializado. O público encontrará desde novas variedades de frutas, legumes, verduras e flores até soluções avançadas para manejo de mudas, uso eficiente de água e energia, irrigação de precisão, cultivo protegido e tecnologias digitais aplicadas ao campo.
Para o diretor Renato Opitz, a exposição reforça seu papel estratégico para toda a cadeia de HF. “A edição 2026 apresentará soluções tecnológicas para toda a cadeia, em especial para o produtor que quer manter a produtividade elevada e ampliar sua competitividade no mercado. Isto porque a HORTITEC é um ecossistema hortifrutícola com muitas oportunidades de atualização, de novos negócios e, também, de network, ao atrair e reunir quem tem real interesse no setor”, diz.
Soluções e novidades para quem produz
Ano após ano, a HORTITEC se fortalece como um verdadeiro hub de conhecimento e inovação, reunindo produtores, técnicos, pesquisadores, empreendedores e profissionais da cadeia de HF. Para 2026, a exposição promete um conjunto ainda mais amplo de lançamentos e tendências, que vão desde soluções de agricultura de precisão e inteligência artificial até novas estruturas de cultivo protegido, avanços em nutrição vegetal e bioinsumos, sistemas modernos de rastreabilidade, irrigação e automação, além de inovações em sementes, genética, biotecnologia, defensivos, embalagens, ferramentas e maquinários. A diversidade e a profundidade das tecnologias apresentadas reforçam o papel da HORTITEC como um espaço essencial para quem busca atualização técnica e competitividade no campo.
Outro ponto de destaque desta edição é a presença de instituições financeiras, que oferecerão linhas de crédito rural voltadas tanto ao investimento quanto ao custeio. Essa participação cria um ambiente favorável para produtores interessados em expandir suas operações, modernizar estruturas ou incorporar novas tecnologias, fortalecendo ainda mais o dinamismo econômico e a capacidade de inovação do setor.
Data: 17 a 19 de junho de 2026 (quarta a sexta-feira)
Horário: 17 e 18/06, das 9h às 19h | 19/06, das 9h às 17h
Local: Parque de Exposições da Expoflora — Rua Maurício de Nassau, 675, Holambra/SP
Ingressos: R$ 80 | R$ 40 (estudantes e 60+)
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