Campinas
Entre prédios e patrimônios: a disputa silenciosa pelo centro histórico de Campinas
Especialistas apontam falta de gestão eficiente e pressão do mercado como causas para descaracterização de bairros históricos
- Por Coletivo Spotlight*
A transformação urbana acelerada de Campinas vem trazendo à tona um dilema que se repete em cidades de médio e grande porte pelo Brasil: como equilibrar o avanço do setor imobiliário com a preservação do patrimônio histórico?
A metrópole foi uma das primeiras a criar o próprio Conselho de Patrimônio Histórico com uma lei em 1987 e regulamentado no ano seguinte. No entanto, apesar de reunir 765 bens tombados e outros 600 processos de estudo, o tombamento não é suficiente para garantir a preservação.
Apenas nos últimos 11 anos, entre 2015 e 2025, um levantamento realizado com base no registro do IPTU de Campinas mostra que a cidade teve um acréscimo de 45 mil novos apartamentos e 12 mil casas. Qual o impacto deste crescimento no patrimônio? “Tem vários prédios sendo demolidos. Demolidos assim, eles são deteriorados com o tempo por falta de preservação”, comenta Jucinaide, campineira e que possui uma barraquinha na Feira Hippie do Bairro Cambuí há 15 anos.
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Para entender o panorama do impacto da valorização imobiliária sobre o tecido histórico-cultural da cidade conversamos com João Verde, arquiteto e conselheiro do Condepacc, e Fernando Shigueo Nakandakare, também arquiteto e estudioso da dinâmica urbana.
Cidade abandonada
A situação dos bens tombados e áreas históricas de Campinas é, para João Verde, “extremamente precária”. Segundo ele, não há apoio suficiente para que proprietários consigam realizar reformas ou restauros que lhes permitam reocupar os imóveis antigos, o que leva ao abandono e à deterioração.
Verde reconhece a presença do mercado imobiliário sobre áreas centrais e bairros nobres no Centro expandido como Cambuí, Nova Campinas e Taquaral, onde antigos casarões e terrenos amplos tornam-se alvos para novos empreendimentos. Explica que as construtoras e os empreendedores procuram espaços onde haja demanda por habitações e empreendimentos e buscam imóveis que possam ser comprados e locais onde possam construir novos edifícios. “O mercado imobiliário é como qualquer outro, busca locais para empreender onde haja retorno. O que falta é projeto e planejamento urbano para conciliar essa expansão com a preservação”, diz.
Verde não concorda com o uso do termo especulação para explicar o fenômeno de expansão imobiliária no centro. Já Fernando Shigueo Nakandakare, não nega, mas os desenvolve, para ele, a especulação, consiste em deixar imóveis desocupados aguardando valorização sem se preocupar com a depreciação da cidade de forma a impedir o local de cumprir sua função social.
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No entanto, afirma que é preciso deixar claro que a especulação e o mercado não são sinônimos. O primeiro pode ser utilizado pelo segundo como estratégia de depreciação para futura valorização, mas que ganha espaço na ausência de ações eficazes de reconhecimento de patrimônios em uma dinâmica sustentável na cidade.
“Quando tratamos edifícios apenas como mercadoria, deixamos à mercê do mercado que busca apenas lucro”, alerta.
A demolição e a requalificação
Um caso simbólico dessa disputa em Campinas foi a antiga fábrica de chapéus, próxima ao Mercado Municipal. O local, segundo Nakandakare, tinha potencial para se tornar um centro cultural ou espaço multiuso, mas acabou sendo vendido para uma construtora que vai preservar apenas a fachada e erguer uma torre habitacional.
“Poderíamos ter tido algo como o Sesc Pompeia em São Paulo, mas não foi o caso”, lamenta.
Verde, por sua vez, cita experiências onde a pressão imobiliária resultou em requalificação, como no antigo sanatório Santa Isabel, hoje transformado no complexo Pátio Abolição. Ele defende a verticalização das áreas centrais como caminho para evitar o espraiamento urbano e promover o adensamento populacional com acesso à infraestrutura.
“Os novos empreendimentos podem ajudar a requalificar o patrimônio, ocupando imóveis abandonados e estimulando comércio e serviços no entorno”, afirma.
Outro exemplo de requalificação de patrimônio histórico citado por Verde é o edifício onde atualmente funciona a ESAMC que era um edifício fundado em 1909 como um colégio apenas para mulheres que teve a fachada mantida, mas “praticamente quase todo demolido na sua parte interna e parte traseira. Foi feito outro empreendimento com o hotel, salas comerciais e o espaço da universidade”.
“Claro, não há mais espaço para ter aquela escola feminina, a escola de freiras naquele lugar, mas há espaço para ter uma universidade funcionando lá com diversos cursos. Então, a cidade vai se reinventando. Há necessidade da cidade se reinventar”, diz.
Plano de gestão deficiente
Ambos os arquitetos concordam que Campinas sofre com a ausência de um plano de gestão do patrimônio que articule de forma eficiente o poder público, sociedade civil e mercado. Enquanto Verde critica a falta de um planejamento urbano consistente, Nakandakare defende a criação de um corpo técnico capacitado para construir soluções que não repitam o ciclo de abandono e descaracterização.
“Hoje, para muitos, patrimônio é sinônimo de prédio abandonado. Proteger é ocupar, dar função, memória. Não demolir não é preservar”, fala Nakandakare.
O arquiteto defende que o poder público precisa de instrumentos mais eficazes para gerir o patrimônio, integrando-o de forma sustentável à dinâmica social e econômica. “Proteger sem qualificar é adiar: se o mercado não demolir, o tempo o faz”, diz.
Em complemento, João Verde conta que em Campinas existe uma lei de tombamento, mas não de preservação. “Tombar não significa preservar e a preservação é muito cara”.
Ele explica que os mecanismos existentes na metrópole não são suficientes. Há, por exemplo, a isenção de IPTU para imóveis tombados, mas ela só se aplica se o proprietário está realizando um restauro ou reforma no local naquele ano. “Eu acho que é necessário que as pessoas tenham isenção de IPTU nesses imóveis tombados se o imóvel estiver sendo bem mantido, não adianta dar isenção para o imóvel que tá largado e abandonado”.
Outra ferramenta que considera importante é a Lei do Potencial Construtivo, ela só se aplica a imóveis tombados e tem potencial para trazer benefícios a médio e longo prazo. O arquiteto explica que ela abre a possibilidade do proprietário de um imóvel tombado vender o “potencial construtivo” a uma incorporadora que, ao comprar, “ganha” a capacidade de construir mais do que a metragem originalmente permitida no terreno.
Nakandakare explica que o valor do imóvel está conectado ao potencial construtivo que se estabelece para determinadas regiões junto ao plano diretor. Quanto maior o potencial construtivo de uma região com infraestrutura e boa localização, maior será a pressão sob os patrimônios existentes nessa localidade.
Desta forma, o dinheiro obtido com a venda só pode ser utilizado para a manutenção do imóvel que teve o potencial comercializado. E assim, Verde comenta que muitos imóveis abandonados passaram a ganhar projetos de restauro e requalificação. “O dinheiro tá vindo do que vocês chamam de especulação imobiliária. Eles, claro, tão ganhando quando vão pegar essas áreas construídas e aumentar seus prédios, sim, mas isso está gerando dinheiro, está movimentando o mercado. Inclusive criando o mercado para profissionais restauradores, especialistas em pintura, especialistas em taipa, em trabalhar com técnicas construtivas antigas”.
Ainda assim, aponta um problema na legislação, ao só pode ser vendido uma vez a ação de manutenção e restauro que é constante acaba ficando deficitária com o tempo. Assim, sugere que “a cada 10 anos ou 12 anos as pessoas possam vender esse potencial novamente”.
Incômodo e a perda da memória
A situação dos patrimônios e da própria cidade é um incômodo para os moradores de Campinas apesar de entenderem que invariavelmente o tempo vai promover mudanças na paisagem urbana. Cláudia, arquiteta e proprietária de uma barraquinha na Feira Hippie há 35 anos, fala sobre o apagamento da memória que a cidade vem sofrendo, este provocado pelo
abandono e a substituição de casas históricas por enormes edifícios.
Além disso, ressalta que o bairro do Cambuí deve ser preservado antes que seja completamente descaracterizado. “Tem uma casa de esquina aqui embaixo, tombada, mas tá ruindo. Então, eu acho que Campinas está esquecendo da memória.”, se referindo a uma casa tombada pelo Conselho de Patrimônio de Campinas na rua Antônio Cesarino que é de taipa e foi construída no fim do século XIX, mas que não recebe manutenção e precisa de restauro.
Já Júlio César, que mora na região dos estádios, direciona as críticas à gestão municipal atual. Ele considera que a prefeitura não promove investimentos suficientes para a cultura, sendo a preservação do patrimônio um dos elementos. “Eu acho que ainda é uma cidade muito carente pelo tamanho que tem, pelo tamanho da população, eu acho que ainda é uma cidade muito carente de atividades de cultura. A parte histórica é muito mal preservada, mal explorada. E também tem a questão dos prédios tombados que não deveriam ser derrubados. Eu acho que tem outras regiões da cidade que podem ser melhor aproveitados para erguer prédios e construir novos bairros”.
Maurício, dono de uma barraquinha de discos na Feira Hippie e morador do Cambuí desde o nascimento, também é bastante crítico à prefeitura. Ele afirma uma falta de fiscalização e um Plano Diretor coerente com a cidade, pois vê no bairro cada vez mais edifícios sendo construídos no lugar de antigas casas e “sufocando” o espaço.
“No Cambuí você vê que cada vez você está ficando mais apertado. Porque você tem o seu prédio, aí do lado lado tem outro prédio, atrás tem outro prédio (…) tinha casas bacanas, sendo demolidas e construindo o prédio. Eu sou contra, tá?” E lembra de casos como um antigo palacete localizado na Avenida Júlio de Mesquita que em apenas um fim de semana foi destruído e o terreno limpo para logo depois ter um edifício de hotel no local.
“Você passou que domingo à tarde, 6h da tarde, tava demolido um lugar histórico para construir um um flat ali, eu acho que um hotel. Eu acho que isso foi escandaloso”.
Situação que Jucinaide ressalta, ela diz acompanhar a demolição de muitos prédios em Campinas e não concorda com a destruição que vem ocorrendo. Para ela, isso descaracteriza a cidade e faz com que perca a identidade. Ela acredita que é um papel da prefeitura assumir a responsabilidade para evitar que isso ocorra.
E ressalta que muitas construções de Campinas nem precisam ser efetivamente demolidas, são apenas abandonadas e a falta de manutenção provoca a deterioração. “Não precisa nem demolir, porque ele vai destruindo com o próprio tempo mesmo”. “As pessoas vão para fora ver os prédios antigos, históricos, né? Sendo que aqui eles não mantêm, né? Então eu acho uma judiação isso. Eu acho que teria que preservar sim. Porque assim como o pessoal vai para fora para conhecer os prédios históricos e tudo, por que não preservar aqui também?”.
O que diz a Prefeitura?
A Prefeitura de Campinas, por meio da assessoria de imprensa, respondeu aos questionamentos encaminhados pela reportagem. A Gazeta reproduz, na íntegra, as
respostas da Administração Dário Saadi (veja abaixo).
Especialistas e moradores de Campinas apontam o abandono de imóveis históricos tombados que pertencem ao município. Qual é a posição da Prefeitura?
A Prefeitura de Campinas tem se empenhado para preservar os imóveis históricos tombados que estão sob sua responsabilidade. Entre as ações estão convênios com o governo federal, por meio do Iphan, para repasse de recursos; uso de verbas de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC-EIV); além de recursos obtidos por editais, como o ProAC, e emendas parlamentares, todos voltados à recuperação e manutenção do patrimônio cultural.
Como o Plano Diretor e a Lei de Uso e Ocupação do Solo de Campinas consideram as áreas com patrimônio histórico e os riscos de descaracterização dessas regiões?
O Plano Diretor prevê em diversos artigos a necessidade de garantir e estimular a preservação e valorização do patrimônio histórico, cultural, natural e paisagístico. Há no artigo 23 a indicação de três áreas do município como polos estratégicos de desenvolvimento, sendo a área central uma delas. Neste caso uma das premissas fundamentais para este polo é “V – desenvolvimento de programa de preservação do patrimônio edificado, valorizando as referências históricas e estimulando a visitação, o turismo e a economia criativa”. Também no instrumento Transferência do Direito de Construir temos o § 1º que estabelece que para os casos de imóveis considerados de interesse histórico, social ou cultural, ficam mantidas as disposições da Lei Complementar nº 28, de 3 de setembro de 2009. Há ainda o instrumento Zonas Especiais de Preservação Cultural – ZEPECs, que visa identificar e fortalecer tanto as porções do território destinadas à preservação, valorização e salvaguarda dos bens e
atividades culturais, quanto os espaços e estruturas que dão suporte a esses bens e ao
patrimônio imaterial.
A prefeitura tem conhecimento da situação da casa tombada na rua Antônio Cesarino, mencionada na matéria? Há ações previstas para restauro ou proteção?
Sim, a Prefeitura tem conhecimento da situação. Trata-se de um imóvel privado, tombado conforme o Processo de Tombamento nº 06/05 e a Resolução de Tombamento nº 96/10. Diante da ineficácia das medidas administrativas adotadas para obrigar o proprietário a cumprir seu dever constitucional de conservar o bem, o Município ajuizou uma Ação Civil Pública contra o responsável, buscando, por meio judicial, assegurar a proteção adequada do imóvel tombado.
Como o município fiscaliza demolições em áreas com potencial valor histórico ou em imóveis listados para tombamento?
O Município, por meio do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), é responsável pela tutela dos bens culturais tombados. Um dos instrumentos previstos na Constituição Federal de 1988 e na legislação infraconstitucional específica é a vigilância, conceito que se insere no exercício do poder de polícia da Administração Pública. Nesse contexto, tanto os conselheiros do Condepacc exercem a função de vigilância quanto a Administração Pública designa servidores em cargos específicos de fiscalização para essa finalidade. Desde a criação da Coordenadoria Departamental do Patrimônio Cultural (CDPC), órgão técnico de assessoramento do Condepacc, na década de 1990, não foram registradas demolições de bens tombados ou em processo de estudo para tombamento.
A Lei de Transferência de Potencial Construtivo está em vigor no município? Quantos imóveis já foram beneficiados por esse instrumento?
Sim, a Lei Complementar nº 28/2009, que regulamenta a Transferência do Direito de Construir no município de Campinas, está em vigor. Até o momento, 20 imóveis já foram beneficiados por esse instrumento.
Há possibilidade de revisar a lei para permitir a reutilização periódica do potencial construtivo por imóveis tombados?
Essa é uma demanda apresentada por proprietários e operadores do mercado, atualmente em análise pela equipe intersecretarial responsável pelo estudo de propostas de aprimoramento da legislação que regulamenta a aplicação da Transferência do Direito de Construir no município de Campinas.
Existem estudos para ampliar incentivos fiscais, como isenção de IPTU, aos imóveis que estejam conservados, mesmo fora de obras ativas?
Está em vigor desde 2022 a Lei Complementar 395 que trata dos incentivos urbanísticos e fiscais para reabilitação de edificações na Área Central de Campinas. Esta lei prevê incentivos urbanísticos e fiscais para reabilitação de edificações situadas no polígono prioritário de intervenção na Área Central de Campinas.
- Spotlight é um coletivo de jornalismo universitário formado por estudantes de diferentes semestres do curso de Jornalismo da Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC), em Campinas.
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Campinas
Renovias celebra o Dia do Motociclista com instalação e distribuição de 300 antenas corta-pipa
Ação reuniu forças de segurança para orientar os motociclistas e prevenir acidentes; houve também a entrega de mangas de proteção para os braços
Em alusão ao Dia do Motociclista, celebrado em 27 de julho, a Renovias promoveu nesta terça-feira, 28, uma ação de conscientização voltada à segurança dos motociclistas na Avenida Padre Jaime, em Mogi Guaçu. A iniciativa contou com a instalação e distribuição gratuita de 300 antenas corta-pipa, equipamento que ajuda a prevenir acidentes provocados por linhas com cerol e linha chilena.
A ação foi realizada em parceria com o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), alunos do Curso de Formação da Guarda Civil Municipal e agentes da corporação, e a Polícia Militar, reforçando o compromisso conjunto com a preservação da vida e a promoção de um trânsito mais seguro.
Além das antenas corta-pipa, também foram distribuídas mangas de proteção para os braços feitas de tecidos tecnológicos e folhetos educativos com orientações sobre segurança no trânsito. O uso de linhas cortantes pode causar acidentes graves e até fatais envolvendo motociclistas.
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Dispositivos simples e de baixo custo, as antenas corta-pipa são instaladas na parte frontal da motocicleta e capazes de romper linhas antes que elas atinjam o pescoço ou o corpo do condutor. Embora a utilização seja obrigatória apenas para motociclistas profissionais em alguns casos, o equipamento é recomendado para todos que utilizam motocicletas, especialmente durante o período de férias escolares, quando aumenta a prática de empinar pipas.
” A instalação da antena corta-pipa é uma medida simples, mas que pode evitar acidentes graves e preservar vidas. Com essa ação, reforçamos nosso compromisso com a segurança dos motociclistas e com a conscientização de todos os clientes das rodovias e das vias urbanas”, afirmou Alexandre Bueno da Silva, coordenador de Operações da Renovias.
Regularmente a concessionária desenvolve ações educativas voltadas aos diferentes públicos que utilizam o sistema viário, promovendo iniciativas de conscientização, prevenção de acidentes e incentivo a comportamentos seguros no trânsito.
Em 2025, a Renovias distribuiu e instalou gratuitamente mais 600 antenas a motociclistas em diversas cidades que compõem sua malha viária.
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Campinas
SP investe R$426,8 milhões para intervenções em 526 prédios escolares da região de Campinas
Em 42 meses, 100 creches foram construídas e mais de mil escolas estaduais climatizadas em todo o estado; três unidades da PPP Novas escolas foram entregues
De janeiro de 2023 a junho de 2026, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) já realizou 7.423 obras com investimento de R$3,5 bilhões. As intervenções foram realizadas em 3.671 escolas e creches, beneficiando alunos de 582 municípios paulistas. Na região de Campinas, foram 982 obras em 526 escolas e creches, com investimento de R$ 426,8 milhões.
Os serviços foram executados pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e incluem a entrega de novas escolas e creches, reformas de quadras esportivas, cozinhas, refeitórios, adequação e ampliação de salas de aula, recuperação de fachadas e telhados, acessibilidade e construção de unidades educacionais.
A climatização de escolas estaduais também faz parte do pacote de obras. Atualmente, 1.079 unidades estão climatizadas. A execução do projeto ocorre em três etapas: a adaptação da infraestrutura elétrica das escolas, a instalação dos aparelhos de climatização e a ligação da energia por parte das concessionárias de energia elétrica. O programa prevê o aporte de R$570 milhões para contemplar 1.500 escolas da rede estadual com conforto térmico. Na região de Campinas, 93 escolas já foram climatizadas desde o início do programa.
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No período, a educação infantil já recebeu 100 unidades do Programa Creche Escola em 97 cidades paulistas. Em 42 meses de gestão, foram geradas 13,4 mil vagas para crianças de zero a cinco anos de idade, totalizando investimento de R$ 283 milhões em obras. Na região de Campinas, foram 1.180 vagas em dez creches entregues na gestão, com investimento de R$ 24,6 milhões. As novas creches da região estão nas cidades de Americana, Campinas, Cordeirópolis, Itatiba, Jaguariúna, Nazaré Paulista, Pedreira, Serra Negra, Tuiuti e Vargem Grande do Sul.
PPP Novas Escolas
O Estado já entregou, neste ano, três das 33 escolas estaduais da Parceria Público-Privada Novas Escolas. As novas unidades de ensino ficam em Aguaí, Atibaia e São José dos Campos e atenderão estudantes em período integral. Ao todo, 29 cidades paulistas serão contempladas com o novo modelo de prédios escolares.
Por meio da PPP, que receberá investimentos de R$ 2,1 bilhões ao longo de 25 anos de concessão, as empresas privadas constroem e gerenciam as escolas em questões estruturais. Nessas escolas, a Seduc-SP segue responsável pela área pedagógica, contratação e formação de professores e currículo educacional.
As novas escolas da parceria contam com estrutura moderna e acessível, incluindo, por exemplos: salas de aula, sala de recursos, quatro espaços de inovação, sala de leitura, espaços de estudos individuais, auditório, refeitório, cozinha completa, pátio coberto, espaços de convivência, ginásio poliesportivo, arquibancada, sanitários e vestiários adaptados para pessoas com deficiência, espaços para as equipes pedagógicas, sala de vigilância e centro de mídias.
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Campinas
Mercado imobiliário entra no segundo semestre com foco em imóveis de entrega próxima
Cenário econômico estimula decisões mais criteriosas e favorece ativos com potencial de valorização e liquidez; em Campinas, referência em tendências e um dos principais motores econômicos do interior, empreendimentos em fase final de obras ganham destaque
Mesmo em um cenário de juros ainda elevados e maior seletividade no acesso ao crédito, o mercado imobiliário mantém perspectivas positivas para o segundo semestre de 2026. A diferença em relação a outros ciclos está no comportamento do comprador, que passou a avaliar a aquisição de um imóvel sob critérios mais amplos, envolvendo liquidez patrimonial, potencial de valorização, localização e qualidade de vida.
Campinas acompanha esse movimento e segue entre os principais mercados imobiliários do interior paulista. Com economia diversificada, forte geração de empregos e atração constante de investimentos, a cidade mantém a atratividade para quem busca segurança patrimonial e oportunidades de valorização no longo prazo. Nesse contexto, bairros consolidados ganham destaque por concentrarem parte significativa da demanda por imóveis novos.
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É o caso da Nova Campinas, uma das regiões mais valorizadas da cidade e que segue entre as mais procuradas pelos compradores. Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), por meio da Regional Campinas, apontam crescimento de cerca de 40% na procura por imóveis no bairro, reforçando uma tendência observada pelo mercado: em momentos de maior seletividade econômica, consumidores tendem a concentrar investimentos em regiões consolidadas, com maior liquidez e histórico consistente de valorização patrimonial.
Nesse cenário, um dos movimentos mais observados pelo setor é a valorização de empreendimentos em fase final de construção ou próximos da entrega. A possibilidade de reduzir o tempo entre a compra e a mudança tem influenciado diretamente a decisão dos consumidores, especialmente daqueles que desejam unir planejamento financeiro, patrimônio e qualidade de vida.
“O comprador está mais racional e criterioso. A decisão de aquisição hoje envolve uma análise sobre preservação patrimonial, liquidez do ativo e potencial de valorização. O mercado percebe uma busca crescente por empreendimentos que ofereçam diferenciais concretos, como localização consolidada, qualidade construtiva e prazo reduzido para ocupação”, afirma Marcos Túlio, diretor de Operações da EBM Desenvolvimento Imobiliário.
Segundo ele, a localização se tornou um dos principais fatores de decisão. “Não é apenas uma questão de preço ou de juros. O comprador busca bairros com infraestrutura, mobilidade, serviços e potencial de valorização. Localização continua sendo um dos principais fatores de proteção patrimonial e geração de valor ao longo do tempo, especialmente em regiões consolidadas que mantêm demanda consistente mesmo em cenários econômicos mais desafiadores”, destaca.
Esse contexto ajuda a explicar o interesse por empreendimentos que se aproximam da entrega. É o caso do Wide Nova Campinas, empreendimento da EBM Desenvolvimento Imobiliário localizado no bairro Nova Campinas e que avança para sua reta final de execução, com entrega prevista para o início de 2027. O residencial está inserido justamente em uma região que reúne características valorizadas pelo mercado, como localização estratégica, ampla oferta de serviços, mobilidade e histórico consistente de valorização imobiliária.
A força da localização acompanha uma mudança importante no perfil dos empreendimentos procurados pelos consumidores. O comprador passou a buscar imóveis que conciliem metragem adequada, funcionalidade, conforto e proximidade dos principais serviços urbanos.
Com apartamentos de 104 metros quadrados, três suítes, varanda gourmet e ambientes integrados, o empreendimento acompanha uma tendência cada vez mais presente entre famílias que buscam unir conforto, funcionalidade e conveniência urbana. A configuração atende um perfil de comprador que procura espaços bem distribuídos, capazes de acomodar diferentes momentos da vida familiar sem abrir mão da localização estratégica.
O residencial reúne ainda estrutura completa de lazer, com piscinas, espaço gourmet, salão de festas, brinquedoteca, playground, academia e coworking, atributos que reforçam a valorização crescente de produtos imobiliários associados ao bem-estar e à otimização do tempo.
“Percebemos uma demanda crescente por ativos imobiliários que conciliem localização estratégica, plantas eficientes e potencial de valorização. O comprador quer estar próximo de escolas, centros médicos, opções gastronômicas, serviços e corredores de mobilidade. Esse conceito de morar perto de tudo ganhou relevância porque reduz deslocamentos, melhora a qualidade de vida e preserva atributos que historicamente sustentam a valorização dos imóveis ao longo do tempo”, afirma Marcos Túlio.
Segundo o executivo, os empreendimentos próximos da entrega também oferecem maior previsibilidade para compradores e investidores. “Eles reduzem o intervalo entre a compra e a utilização do imóvel, permitindo que o comprador visualize melhor o produto final e tome decisões com mais segurança. Isso representa uma vantagem importante tanto para quem pretende morar quanto para quem busca acelerar o retorno sobre o patrimônio adquirido”, explica.
O aquecimento do mercado também gera reflexos na construção civil, um dos setores que mais movimentam empregos e renda na região. Nas etapas finais das obras, cresce a demanda por profissionais especializados em áreas como pintura, revestimentos, instalações e acabamentos, atividades fundamentais para garantir a qualidade final dos empreendimentos.
No caso do Wide Nova Campinas, a reta final das obras continua demandando mão de obra qualificada para diferentes frentes de acabamento e finalização. A construtora mantém oportunidades para profissionais especializados, reforçando o papel da construção civil como uma das atividades que mais movimentam emprego, renda e desenvolvimento econômico na região.
“O setor continua gerando oportunidades, mas enfrenta um desafio importante relacionado à disponibilidade de mão de obra qualificada. As fases finais das obras exigem profissionais especializados e atenção aos detalhes, principalmente em empreendimentos de médio e alto padrão. A formação e retenção desses talentos têm sido uma preocupação constante de toda a cadeia da construção civil”, afirma.
A combinação entre um comprador mais seletivo, a busca por ativos com maior liquidez e a valorização de bairros consolidados ajuda a explicar as perspectivas positivas para o segundo semestre. Em Campinas, um dos mercados mais dinâmicos do interior brasileiro, os empreendimentos próximos da entrega reforçam uma tendência clara: a decisão de compra está cada vez mais associada à preservação patrimonial, qualidade de vida e potencial de valorização de longo prazo.
Sobre a EBM
A EBM é uma empresa de desenvolvimento imobiliário com 44 anos de atuação no mercado brasileiro. Com mais de 190 empreendimentos entregues em seis estados e no Distrito Federal, reúne em seu portfólio projetos residenciais, comerciais, hoteleiros, condomínios horizontais, loteamentos, centros comerciais e shopping centers. Como holding, atua nas áreas de incorporação, propriedades e urbanismo. Sediada em Goiânia (GO), é a maior construtora do Centro-Oeste, segundo o Ranking Intec, e ocupa posição de destaque entre as principais empresas do setor no país, com mais de 3 milhões de metros quadrados construídos.
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