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Brasil

Intestino: nove metros de pura saúde ou de problemas crônicos

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Cuidar desse órgão tão complexo e tão menosprezado pode ser a chave para uma vida mais saudável: o corpo todo agradece

Por Tatiane Pinheiro*

Imagine uma estrutura com nove metros de comprimento, que abriga uma população de trilhões de microrganismos praticamente autônomo e que pode afetar suas emoções, seu sono e até mesmo seu comportamento. Pode ser fonte de toda a felicidade do mundo, mas também do maior desconforto possível. Esse é o intestino.

Manter o bom funcionamento desse órgão – um dos maiores do corpo, responsável por dois terços do seu sistema imune – é sinônimo de saúde e bem estar.

Quando esse sistema complexo se desestabiliza – devido a alterações genéticas, infecções, inflamações ou variações na dieta alimentar – as consequências podem ser desde uma simples dor de barriga até o aparecimento de doenças inflamatórias crônicas.

Em maio, mês dedicado à Conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais – o Maio Roxo –, é o momento de falar sobre os fatores de risco que podem agravar quadros da Doença de Crohn e da retocolite ulcerativa. Essas doenças, cujas causas são desconhecidas, não têm cura, mas o tratamento adequado pode ajudar a controlar os sintomas.

As campanhas dos meses coloridos, com foco em dar visibilidade aos cuidados com doenças graves e temas pouco discutidos pela sociedade, têm sido importantíssimas para trazer informação, combater o preconceito e apoiar o diagnóstico precoce. Mas também têm sido um ponto de apoio para abrir espaço para discutir temas paralelos e igualmente importantes.

Um ecossistema no corpo

Em maio, portanto, além de apoiar o Maio Roxo, vale iniciar uma discussão ampla sobre outros aspectos da saúde do intestino. Podemos começar com uma metáfora: vamos imaginar que o intestino seja um ecossistema, onde convivem aqueles trilhões de microorganismos citados no início do texto, a microbiota intestinal. Isso já dá uma ideia da complexidade do assunto.

Nesse ambiente, convivem uma microbiota “benéfica”, que tem papel fundamental no metabolismo de diversos processos e também influencia nas respostas mediadas pelo sistema imune, e, em contrapartida, uma microbiota “do mal”, responsável por diferentes doenças.

Se não fortalecemos o exército da microbiota “benéfica”, ela não vai ser suficiente para combater as forças “do mal” e manter o equilíbrio do ecossistema, prejudicando principalmente a digestão e a absorção de nutrientes.

Uma microbiota saudável

Talvez você já tenha observado sintomas como aquela sensação de estufamento, dor na barriga, inchaço abdominal, cólicas, diarreias, intestino preso e enjoo. Quando o ecossistema intestinal entra em desequilíbrio, os sintomas começam com um enorme desconforto. Mas como virar o jogo?

Embora as principais características da microbiota sejam definidas essencialmente na infância, é possível promover alterações na composição desses microrganismos, cooperando para a formação de um ambiente mais saudável. Veja abaixo algumas recomendações importantes que podem auxiliar na saúde intestinal:

• opte por uma dieta diversificada, rica em diferentes alimentos de origem vegetal, ricos em fibras, que podem contribuir para aumentar a variedade de microrganismos benéficos que compõem a microbiota

• ingira muitas fibras e bastante água; essa combinação é bastante potente para a saúde do intestino

• evite alimentos ultraprocessados, que costumam aumentar a quantidade de bactérias “prejudiciais” e reduzir as “benéficas”

• insira na sua rotina alimentos probióticos, como iogurte, leite fermentado, kefir e kombucha. Esses alimentos contém microrganismos vivos que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal

• se precisar fazer uso de antibióticos, redobre os cuidados com a alimentação, pois, além de eliminar as bactérias “causadoras de doenças” também eliminam as “benéficas” indiscriminadamente

Mas a dieta só vai ser eficiente se houver rotina e se for duradoura. Uma opção para garantir a ingestão cotidiana e também contribuir para a manutenção da saúde intestinal é suplementar com probióticos. Há no mercado fórmulas prontas, mas existem mais de 20 tipos de cepas probióticas que podem ser indicadas para situações específicas. E o médico é quem deve fazer a melhor indicação de suplementos e de fórmulas manipuladas. O objetivo é buscar sempre uma solução única para indivíduos únicos, de forma personalizada, de acordo com a demanda de cada um.

Ainda há muito a desvendar sobre esse vasto ecossistema, o intestino, mas já sabemos que pequenas mudanças podem trazer grandes resultados. Tente seguir as dicas acima e observe as melhoras que elas podem propiciar na saúde de seu intestino, no seu humor, na energia e na disposição. O corpo todo agradece.

*Tatiane Pinheiro é farmacêutica do Núcleo de Pesquisa e Inovação (NPI) da Farmácia Artesanal. Atua na pesquisa e elaboração de material técnico científico para médicos.

Brasil

O Brasil que queremos ver em campo e fora dele

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Por Vinicius Marchese

Poucas imagens representam tão bem o Brasil quanto a nossa bandeira. A cada Copa do Mundo, milhões de brasileiros se unem em torno de um mesmo sentimento: a esperança de ver nosso país alcançar grandes conquistas, superar desafios e ocupar o lugar de destaque que merece no cenário mundial.

O futebol nos ensina que talento, sozinho, não garante vitórias. As grandes seleções da história foram construídas com planejamento, estratégia, preparação, disciplina e trabalho em equipe. Não é diferente com uma nação.

Quando olhamos para os países mais desenvolvidos do mundo, percebemos que a prosperidade não acontece por acaso. Ela é resultado de investimentos consistentes em educação, ciência, tecnologia, inovação e infraestrutura. É fruto de projetos bem planejados, executados com competência e visão de longo prazo.

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Nesse contexto, a engenharia ocupa papel fundamental. Estradas, pontes, ferrovias, sistemas de energia, saneamento básico, telecomunicações, habitação, mobilidade urbana e conectividade digital são elementos que transformam a vida das pessoas e impulsionam o desenvolvimento econômico. Não existe país competitivo sem engenharia forte.

Como engenheiro de telecomunicações, sempre acreditei que o futuro se constrói conectando pessoas, ideias e oportunidades. A tecnologia tem o poder de aproximar regiões, ampliar o acesso ao conhecimento, gerar empregos e tornar nossas cidades mais inteligentes, eficientes e sustentáveis.

A Seleção Brasileira entra em campo carregando os sonhos de uma nação. Da mesma forma, o Brasil precisa entrar em campo todos os dias com determinação para enfrentar seus desafios e buscar resultados concretos para sua população. O verdadeiro campeonato que precisamos vencer é o da desigualdade, da baixa produtividade, da falta de infraestrutura e das oportunidades que ainda não chegam a todos.

Temos talento, criatividade, recursos naturais e uma população trabalhadora. O que precisamos é transformar potencial em realização. Assim como uma equipe vencedora se prepara durante anos para disputar uma Copa do Mundo, o Brasil precisa planejar seu futuro com responsabilidade, visão estratégica e compromisso com as próximas gerações.

A prosperidade que desejamos não será conquistada em um único jogo. Ela será construída dia após dia, obra após obra, projeto após projeto. E a engenharia continuará sendo uma das principais forças para levar o Brasil ao lugar que ele merece ocupar: entre as grandes referências mundiais de desenvolvimento, inovação e qualidade de vida.

Vinicius Marchese
Engenheiro de Telecomunicações e presidente licenciado do Confea

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Brasil

Posicionamento de implantes representa benefícios e riscos importantes na reconstrução mamária

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Estudo com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) demonstra alto nível de evidência científica e traz avanços relevantes na prática oncológica sobre a colocação de implantes pré-peitorais e subpeitorais

Nas cirurgias de reconstrução mamária, realizadas após a mastectomia, a posição do implante de silicone, na frente ou atrás do músculo peitoral, divide entendimentos entre os mastologistas. No entanto, um estudo apresentado na Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), uma das mais respeitadas organizações médicas internacionais a orientar decisões no tratamento de pacientes com câncer em diversas partes do mundo, demonstra o mais alto nível de evidência científica para esta importante questão na prática oncológica. A investigação que reúne pesquisadores de 10 países, incluindo o Brasil, conta com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

O estudo “Desescalonamento cirúrgico da reconstrução mamária no tratamento e prevenção do câncer de mama: posicionamento pré-peitoral versus subpeitoral dos implantes” envolveu 26 centros em 10 países. O mastologista Regis Paulinelli, presidente do Departamento de Relações Internacionais da SBM, participa como autor.

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Na investigação randomizada, com a participação de 383 pacientes submetidas à mastectomia, a opção em metade das reconstruções mamárias foi pelo implante pré-peitoral, ou seja, na frente do músculo peitoral. Na outra metade, o posicionamento da prótese foi subpeitoral, atrás da musculatura peitoral.

“Até a conclusão da pesquisa, as respostas sobre benefícios e riscos sobre a posição do implante de silicone na reconstrução mamária eram baixas”, afirma Regis Paulinelli. Porém, a apresentação oral do estudo no congresso 2026 da ASCO trouxe evidência científica nível 1, caracterizado por estudo randomizado.

“O estudo revela dados interessantes”, aponta Paulinelli. “Entre as mulheres que receberam a prótese por cima do músculo (pré-peitoral), observamos, por exemplo, menos contratura capsular. O retorno das pacientes, num primeiro momento, demonstra maior satisfação com a reconstrução mamária e bem-estar físico.”

Após 24 meses, com resultados mensurados pelo questionário Breast-Q que valida qualidade de vida e satisfação após cirurgias mamárias, essas mesmas pacientes tiveram outras percepções. A pesquisa elenca dor na mama ou tórax, sensação de aperto, sensibilidade dolorosa, desconforto persistente, dificuldade para movimentar os braços, dificuldade para dormir e linfedema. Como desfechos secundários, o mastologista destaca a perda não planejada do implante e também a necessidade de substituí-lo. Também como fator importante, o estudo indica a possibilidade a mais de extrusão da prótese em 6%.

No grupo de mulheres submetidas ao implante subpeitoral, as respostas ao questionário Breast-Q após 24 meses foram de bem-estar físico na região torácica (74,3) contra 79,2 das pacientes que receberam implante pré-peitoral.

Entre benefícios e riscos, o mastologista Regis Paulinelli ressalta que este estudo com evidência científica nível 1 traz avanços importantes à prática oncológica. “Com base em conhecimentos apresentados pela pesquisa, hoje podemos decidir com mais segurança sobre as melhores alternativas em reconstrução mamária, considerando características individualizadas das pacientes e dos tumores”, conclui.

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Brasil

Autismo e neurodivergência expõem limites de uma sociedade pouco adaptada: 2 milhões de brasileiros com TEA convivem com barreiras invisíveis, ampliadas pelo diagnóstico tardio

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Docente de psicologia da UniFAJ, defende que informação e ambientes adaptados são ferramentas necessárias para uma sociedade mais justa

O Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo dados do IBGE a partir do Censo 2022. O número representa aproximadamente 1,2% da população e ajuda a dimensionar um debate que vai além do diagnóstico: o de uma sociedade ainda estruturada para um único modo de funcionar. “A sociedade precisa sair da lógica de “normalizar” o indivíduo e passar a adaptar o ambiente: investindo em inclusão real, oferecendo ambientes mais previsíveis e acessíveis, validando as diversas formas de comunicação, e, principalmente, reduzindo o julgamento e ampliando a escuta”, explica a psicóloga e docente do curso de psicologia do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), Beatriz Zanarella Cruz.

O conceito de neurodivergência, que inclui o autismo, o TDAH e outros perfis neurológicos, propõe justamente essa mudança de olhar. Em vez de focar no “déficit” do indivíduo, especialistas apontam a incompatibilidade entre diferentes formas de funcionamento e ambientes pouco adaptados como principal fonte de sofrimento.

Na prática, isso se traduz em desafios cotidianos. Pessoas neurodivergentes frequentemente enfrentam sobrecarga sensorial, com incômodo diante de luzes, sons ou estímulos intensos; dificuldades em interações sociais baseadas em códigos implícitos; e exigências de flexibilidade em contextos que não oferecem previsibilidade. Esses fatores podem ser ainda intensos e presentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA), acompanhado ou não de limitações cognitivas de aprendizagem. “Vivemos em uma sociedade estruturada para padrões neurotípicos de comunicação, socialização e comportamento, por isso é preciso mais compreensão e empatia para com as pessoas neurodivergentes, já que muitas vezes o sofrimento não está nelas, mas na incompatibilidade com o ambiente. É fundamental que tenhamos processos seletivos menos subjetivos, ambientes escolares preparados e regulados e uma comunicação direta e clara na interação, mudanças que fariam grande diferença”, explica Beatriz.

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O diagnóstico tardio de pessoas com neurodivergência também é apontado como resultado de um comportamento recorrente chamado “mascaramento”. Beatriz esclarece que é quando a pessoa, especialmente no espectro autista, aprende a imitar comportamentos neurotípicos para ser aceita socialmente. “Embora funcione como estratégia de adaptação, o custo pode ser alto: exaustão emocional, ansiedade e perda de identidade”,

Apesar do avanço das discussões, o TEA ainda é cercado por ideias simplificadas, como a de que existe uma “epidemia de autismo”. O que os especialistas defendem é que o aumento recente de diagnósticos inclui fatores como maior acesso à informação, ampliação dos critérios diagnósticos e aumento de profissionais capacitados.

Diagnóstico precoce e apoio fazem diferença
O TEA se manifesta principalmente em dois eixos: comunicação/interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Os sinais podem surgir ainda na infância, como pouco contato visual, atraso na fala ou baixo interesse por interação social.

Para Beatriz, a identificação precoce é considerada um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento. “Isso porque permite intervenções em uma fase de maior plasticidade cerebral, favorecendo autonomia, comunicação e qualidade de vida.”

Na psicologia, o foco atual se afasta da tentativa de “eliminar sintomas” e prioriza a redução do sofrimento e a construção de estratégias funcionais, respeitando a individualidade de cada pessoa.

Mais do que inclusão, trata-se de reconhecer que não existe uma única forma “correta” de funcionar. E que ampliar esse entendimento não beneficia apenas pessoas neurodivergentes, mas toda a sociedade. E, para famílias que recebem o diagnóstico fica o recado de que ele não define o indivíduo, mas abre caminhos para compreendê-la melhor. “Com informação, suporte e menos julgamento, o que se constrói não é limitação, é possibilidade”, finaliza Beatriz.

Sobre a especialista:
Beatriz Zanarella Cruz é graduada em Psicologia pela Universidade São Francisco (2006). A profissional é especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário Amparense – UniFIA (2014) e em Psicologia Hospitalar por meio de Prova de Títulos do Conselho Federal de Psicologia – CFP (2018). Mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco (área de concentração: Avaliação Psicológica; linha de pesquisa: Construção, validação e padronização de instrumentos de medida) (2008) e Doutora em psicologia pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia (área de concentração – Avaliação Psicológica.

Integra o Banco de Avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – BASIs para os atos autorizativos de Reconhecimento e Renovação de Reconhecimento de Cursos de Graduação. Atualmente é docente no Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) e psicóloga no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I) da Prefeitura Municipal da Estância de Socorro.

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