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Economia

Endividamento acende alerta sobre a saúde mental dos profissionais do transporte de cargas

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Descontrole no orçamento e comprometimento do salário em apostas on-line chamam a atenção das empresas e demandam ações para preservar o bem-estar dos condutores, a segurança e a produtividade

O transporte rodoviário responde por mais de 60% do movimento de cargas no Brasil. Este ano, segundo projeção da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o PIB do setor como um todo deve crescer até 0,97%. Mas, contrapondo as perspectivas econômicas favoráveis, o segmento enfrenta desafios quanto à saúde mental dos motoristas, especialmente em casos associados a questões financeiras. O endividamento, seja por descontrole no orçamento, e mais recentemente por comprometimento do salário em apostas on-line, tem reverberado em segurança, produtividade e sustentabilidade das operações logísticas, exigindo das empresas de transportes ações para fortalecer a integridade mental e financeira dos colaboradores.

O endividamento das famílias brasileiras bateu um novo recorde em julho. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), oito entre dez famílias (82%) se declara endividada. Cartão de crédito, financiamento, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas figuram entre os principais tipos de comprometimento da renda do brasileiro.

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A expansão das apostas on-line é apontada por especialistas como fator adicional de vulnerabilidade financeira. Estudo recém-divulgado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) revela que as bets responderam pela saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025.

Dado também relevante traz a pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin). Para 34,6% dos mil entrevistados em todas as regiões do País, os problemas financeiros são o principal gatilho para transtornos mentais.

“A relação entre endividamento, saúde mental, segurança e produtividade é uma realidade que exige ações na construção de ambientes corporativos seguros e acolhedores”, afirma Débora Kodama, gerente de Recursos Humanos da Ademir Transportes, uma das maiores transportadoras do País a operar para grandes empresas brasileiras, principalmente refinarias e distribuidoras de combustíveis.

De acordo com levantamento realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), 30% dos acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras têm como causa problemas relacionados à saúde mental dos condutores.

Com mais de 600 veículos operando o transporte de combustíveis em todo o Brasil, a organização tem investido em diversas ações, como palestras sobre educação financeira. Também disponibiliza uma equipe de psicólogos para atender os colaboradores, além de envolver gestores no programa Liderança em Movimento. “O programa voltado a desenvolvimento, capacitação e fortalecimento de gestão dos nossos líderes promove uma abordagem de diversos temas. Saúde financeira e bem-estar estão incluídos e são fundamentais”, destaca Débora.

Segundo a gerente de RH, já se registra este ano na empresa crescimento de 15% em pedidos de empréstimos consignados com desconto em folha de pagamento. “Diante deste quadro, é muito importante estarmos presentes no dia a dia dos colaboradores com iniciativas que nos permitam entender suas necessidades e auxiliá-los.”

Os problemas associados ao descontrole financeiro e endividamento são atuais e trazem inúmeras consequências. Estresse crônico ansiedade e depressão, por exemplo, contribuem para aumentar o absenteísmo e os afastamentos laborais. “Estes e outros fatores dificultam o cumprimento de prazos e contratos e, de forma ampla, comprometem a produtividade e a sustentabilidade dos negócios”, pontua.

O ciclo de endividamento e sofrimento emocional, como observa Débora Kodama, não afeta exclusivamente o colaborador. “Os impactos chegam às famílias, aos parceiros, colegas e clientes. Também influenciam custos de turnover, sinistros e comprometem a imagem da empresa. Por isso, cuidar para que os funcionários se mantenham saudáveis, seguros e ativos é prioridade para a Ademir Transportes”, conclui.

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Economia

Blue Tree Towers Valinhos registra aumento de 150% na procura por hospedagem durante a Expoflora

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Grupos de Santa Catarina e Minas Gerais são os que mais procuram o hotel para visitar a maior festa das flores do país e conhecer cidades da redondeza

A Expoflora, tradicional festa de flores e plantas ornamentais realizada em Holambra, também movimenta o turismo de grupos em outras cidades no interior de São Paulo. Para esta 43ª edição, que acontece de 28 de agosto a 27 de setembro, o Blue Tree Towers Valinhos já tem grupos confirmados para o período e negocia a hospedagem de outras excursões. Ao todo, as consultas recebidas pelo hotel para o evento cresceram 150% em relação a 2025.

Há uma expectativa de que, para 2026, o número de grupos dobre em relação ao mesmo período do ano anterior. Os grupos vêm de outros estados, como Santa Catarina e Minas Gerais.

A 43ª edição da Expoflora acontece no Parque da Expoflora em Holambra sempre às sextas-feiras, sábados, domingos e no feriado de 7 de setembro, das 9h às 19h. Para este público que vem de outros estados, a viagem é planejada com antecedência e a hospedagem passa a fazer parte da experiência, especialmente entre grupos de visitantes da terceira idade, perfil identificado entre as excursões recebidas pelo hotel.

Estrutura para grupos e personalização da experiência

Pensado para receber diferentes perfis de viajantes, o Blue Tree Towers Valinhos conta com o restaurante The Lucca, áreas de convivência, academia completa e estrutura para eventos, além de localização estratégica para quem chega à região. O hotel também oferece serviços específicos para os grupos, como welcome drink no momento do check-in e opções de alimentação adaptadas à programação das excursões.

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Para atender aos visitantes, o restaurante contará com um cardápio especial para uma noite de caldos, além de outras opções disponíveis no menu à la carte, como  parmegiana e pizzas artesanais. A proposta acompanha o perfil dos visitantes e contribui para que o grupo tenha uma experiência mais confortável sem precisar sair do hotel após um dia de programação intensa na Expoflora.

O café da manhã, incluso na diária, é servido a partir das 6h durante a semana e começa às 6h30 aos fins de semana e feriados. O restaurante serve diariamente na refeição uma variedade de pães, frutas, cereais, pães de queijo, bolos, frios, ovos, sucos diversos e bebidas quentes.

Além da proximidade com Holambra (cerca de 50 quilômetros), o Blue Tree Towers Valinhos está a 24 quilômetros do Aeroporto Internacional de Viracopos e tem fácil acesso pelas rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro I. O hotel também está a menos de 200 metros do Shopping Valinhos, que reúne lojas, praça de alimentação e cinema. A localização permite que grupos vindos de outros estados tenham uma base estratégica para conhecer a Expoflora e outros atrativos do interior paulista durante a estadia.

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Economia

Festival da Beleza Supermercado Pague Menos

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Até 15 de setembro, aproveite ofertas especiais em produtos de beleza, higiene e autocuidado na Rede de Supermercados Pague Menos

Cuidar da beleza, da saúde e do bem-estar faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Pensando em tornar esse momento ainda mais acessível, a Rede de Supermercados Pague Menos promove, de 26 de agosto a 15 de setembro, mais uma edição do tradicional Festival da Beleza, campanha que reúne uma ampla seleção de produtos de higiene, perfumaria e cuidados pessoais com preços especiais em todas as 39 lojas da Rede.

A ação já faz parte do calendário promocional da empresa e se consolidou como uma das campanhas mais aguardadas pelos Clientes que buscam qualidade, variedade e economia na hora de comprar seus produtos favoritos. Durante o período, é possível encontrar ofertas em itens para cuidados com os cabelos, pele, higiene pessoal, maquiagem, perfumaria e cosméticos de marcas reconhecidas nacionalmente, permitindo que os consumidores renovem seus estoques, experimentem novidades e invistam no autocuidado sem comprometer o orçamento.

Mais do que oferecer descontos, o Festival da Beleza tem como proposta valorizar o bem-estar e a autoestima, incentivando hábitos de cuidado pessoal que contribuem para a qualidade de vida. Afinal, reservar um momento para si, cuidar da aparência e sentir-se bem faz toda a diferença no dia a dia.

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Segundo Fabio Cecon, gerente de Marketing e Comunicação da Rede de Supermercados Pague Menos, a campanha reforça o compromisso da Rede em proporcionar aos Clientes uma experiência de compra completa, com produtos de qualidade, grande variedade e preços competitivos. “Queremos que nossos Clientes encontrem tudo o que precisam para se cuidar, sentir-se bem e expressar sua personalidade. O Festival da Beleza foi pensado para oferecer praticidade, economia e acesso às principais marcas do mercado, sempre com condições especiais. É uma oportunidade para que todos possam investir em seu bem-estar e autocuidado de forma acessível”, destaca.

O mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais ocupa posição de destaque no cenário mundial e segue em constante crescimento. O Brasil é reconhecido como um dos maiores consumidores e produtores do setor, movimentando uma ampla cadeia produtiva que desenvolve soluções para diferentes perfis de consumidores. Essa força está diretamente ligada à diversidade da população brasileira, que reúne diferentes tipos de pele, cabelos, estilos de vida e preferências, impulsionando a criação de produtos cada vez mais inclusivos e inovadores.

As ofertas do Festival da Beleza são válidas em todas as 39 lojas físicas da Rede de Supermercados Pague Menos, localizadas em diversas cidades do interior paulista. Os consumidores podem consultar os endereços e horários de funcionamento das unidades por meio do site superpaguemenos.com.br/unidades .

Sobre a Rede de Supermercados Pague Menos

Inaugurada em 1989, a Rede de Supermercados Pague Menos está entre as 30 maiores empresas supermercadistas do Brasil, conforme o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Atualmente, possui 39 lojas em funcionamento nas cidades de Americana, Araras, Artur Nogueira, Boituva, Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Itu, Limeira, Mogi Guaçu, Nova Odessa, Paulínia, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santa Bárbara d’Oeste, Salto, São João da Boa Vista, São Pedro, Sumaré, Tietê e Valinhos. A empresa possui um Complexo Administrativo, Logístico e Entreposto de Carnes em Santa Bárbara d’Oeste, com 200 mil m², e uma Central de Panificação, em Nova Odessa. Com mais de oito mil colaboradores, segue em constante expansão. A fórmula do bom atendimento, somada aos produtos de qualidade e aos preços imbatíveis, faz da varejista sinônimo de qualidade, economia, comodidade, competência e variedade.  Supermercados Pague Menos “Faz Sua Vida Melhor”!

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Economia

Pequenos negócios da região de Campinas incorporam plataformas digitais à rotina após a pandemia

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WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento passaram a fazer parte das estratégias de venda, divulgação e atendimento de empreendedores da região. Especialista aponta que a digitalização ampliou o alcance dos negócios, mas também pode reproduzir desigualdades.

Vanderlei Tenório

A pandemia de Covid-19 mudou a rotina de pequenos negócios da região de Campinas.

Durante o período de restrições, ferramentas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era reservado principalmente ao contato presencial. WhatsApp, Instagram, aplicativos de entrega e sistemas de agendamento ajudaram comerciantes e prestadores de serviços a manter o contato com os clientes.

Com o fim das restrições, parte dessas ferramentas permaneceu. Em alguns casos, elas se tornaram importantes para as vendas. Em outros, modificaram tarefas mais simples, como marcar um horário ou divulgar um serviço.

A experiência da Chillin Burger, de Valinhos, administrada por Dyogo Fernandes, mostra uma dessas mudanças. Criada durante a pandemia, a empresa começou a funcionar exclusivamente por delivery, sem salão e sem retirada de pedidos no local.

“Durante a pandemia, foi crucial investir em tráfego pago, pois a loja funcionava exclusivamente por delivery. Não havia salão, retirada ou contato presencial com o cliente”, afirma Dyogo, cozinheiro-chefe e sócio majoritário do estabelecimento.

Instagram, WhatsApp, cardápio digital e iFood foram utilizados desde o início para divulgar a empresa e receber pedidos. Hoje, a Chillin Burger trabalha com iFood, 99 Food e o sistema BeFood para administrar o negócio, manter o cardápio digital e organizar as entregas.

Segundo Dyogo, cerca de 80% das vendas passam por esses sistemas e 30% vêm especificamente do iFood.

“Tudo o que antes fazia parte do digital precisou ser mantido porque se tornou o normal”, diz.

Um cenário de crescimento em Campinas

A expansão do uso dessas ferramentas acontece em paralelo ao crescimento do número de pequenos empreendedores em Campinas.

Dados do Sebrae-SP, com base no Portal do Empreendedor, mostram que o município tinha 73.815 Microempreendedores Individuais (MEIs) em 2019. Em 2024, eram 128.730, um aumento superior a 74%. Um levantamento mais recente citado na pesquisa aponta 133.600 MEIs em 2026.

Os dados, porém, não permitem atribuir esse crescimento exclusivamente à pandemia. A formalização também está relacionada à busca por renda, às mudanças no mercado de trabalho e à expansão do comércio eletrônico.

A venda pela internet também ganhou espaço entre os pequenos negócios. De acordo com o levantamento utilizado na reportagem, a proporção de empresas que vendiam por redes sociais, aplicativos ou outros canais digitais passou de 59% em maio de 2020 para 69% em março de 2021. Em 2023, chegou a 73%, permanecendo próxima de 75% em 2026.

Os números ajudam a dimensionar uma mudança que pode ser percebida no cotidiano dos estabelecimentos. A internet deixou de funcionar apenas como uma alternativa para períodos de restrição e passou a integrar a operação de muitos negócios.

WhatsApp muda rotina de barbearia

Na Barberaria do Allan, de Hortolândia, administrada por Allan Moraes, a transformação aconteceu de outra maneira.

Antes da pandemia, os clientes eram atendidos principalmente por ordem de chegada. Com as restrições sanitárias, o estabelecimento precisou organizar o fluxo de pessoas e passou a trabalhar com horários marcados.

A prática permaneceu mesmo depois da reabertura.

“A principal mudança provocada pela pandemia foi o agendamento de horários. Antes, trabalhávamos mais com ordem de chegada. Por conta da pandemia, tivemos que adotar o sistema de agendamento, que cresceu, e hoje trabalhamos apenas dessa forma”, explica Allan.

Atualmente, o WhatsApp é utilizado para marcar os horários e também se tornou o principal canal de divulgação da barbearia. Os serviços são apresentados principalmente pelos status do aplicativo e dentro do próprio estabelecimento.

Parte da rotina digital é realizada pelos funcionários durante a semana. Nos fins de semana, quando o movimento aumenta, outra pessoa fica responsável pelo agendamento e pela divulgação.

Segundo Allan, essas atividades ocupam entre uma e duas horas.

É uma mudança simples, mas que altera a maneira como o estabelecimento organiza o atendimento. O celular passou a concentrar uma tarefa que antes dependia da presença física do cliente na barbearia.

WhatsApp e Instagram ganham espaço

O comportamento observado nos dois estabelecimentos acompanha uma tendência mais ampla entre os pequenos negócios.

De acordo com os dados reunidos na pesquisa, o WhatsApp é utilizado por mais de 81% dos pequenos negócios como canal de vendas. O Instagram aparece em 60%, enquanto o Facebook é utilizado por 34%.

Quase metade dos micro e pequenos empresários, 48%, já pagou para divulgar produtos ou serviços na internet em 2025. O levantamento aponta ainda que 70% dos pequenos negócios utilizam pelo menos uma ferramenta digital para vender.

Para o geógrafo Danilo Bernardo Ribeiro, entrevistado pela reportagem, a mudança não diz respeito apenas à comunicação. As plataformas também alteraram a relação dos estabelecimentos com o território.

Durante muito tempo, a localização de um pequeno negócio esteve ligada sobretudo ao fluxo de pessoas nas proximidades. Uma loja, uma barbearia ou um restaurante dependiam, em grande medida, de quem passava pela rua, morava no bairro ou trabalhava naquela área.

Redes sociais, aplicativos e marketplaces acrescentaram outras possibilidades. Um estabelecimento pode ser encontrado por alguém que não estava circulando fisicamente naquele lugar.

“Isso não significa que o estabelecimento físico tenha perdido sua importância. Na verdade, ele passa a ser ressignificado e articulado a uma espécie de ‘território digital’”, afirma Danilo.

A expressão ajuda a compreender uma situação comum: o negócio continua localizado em um endereço específico, mas parte da relação com o consumidor acontece fora dele.

O endereço continua fazendo diferença

A expansão das vendas pela internet não eliminou a importância da localização física.

Custos de entrega, tempo de espera, atrasos e questões logísticas continuam fazendo com que a distância entre estabelecimento e consumidor tenha peso nas decisões de compra.

“Não se pode falar exatamente em uma perda de importância da localização, mas sim em uma reconfiguração do seu papel”, explica Danilo.

Na prática, um restaurante pode alcançar um cliente por meio de uma plataforma, mas ainda precisa considerar quanto custa levar o pedido até ele. Uma barbearia pode divulgar seus serviços para pessoas de diferentes bairros, mas o consumidor continua precisando se deslocar até o estabelecimento.

As plataformas também interferem na circulação pela cidade. Os aplicativos de entrega, por exemplo, criaram novos fluxos entre estabelecimentos e consumidores.

Entregadores passaram a conectar diferentes pontos do território, seguindo uma dinâmica que não existia da mesma maneira antes da popularização desses serviços.

É uma camada nova sobre uma estrutura antiga. A rua continua ali, assim como o bairro e o endereço. O que mudou foi parte da forma como esses lugares se conectam aos consumidores.

A digitalização também tem custos

Estar presente no ambiente digital não significa apenas criar uma conta em uma rede social.

Para pequenos empreendedores, manter essa presença pode exigir investimento em publicidade, produção de conteúdo, equipamentos, sistemas de gestão e profissionais especializados. Nos aplicativos de entrega, há ainda taxas e outros custos relacionados ao funcionamento das plataformas.

Danilo chama atenção também para as condições de trabalho dos entregadores e para os custos de utilização desses serviços, que podem pesar de maneira diferente sobre empresas de diferentes tamanhos.

A necessidade de acompanhar as mudanças tecnológicas também cria dificuldades para quem tem menos recursos disponíveis.

“Com crédito limitado, a capacidade de inovação, adaptação e investimento em novas tecnologias também fica comprometida”, afirma.

Nesse ponto, a digitalização não produz necessariamente um cenário mais equilibrado. Empresas com maior capacidade financeira conseguem investir mais em publicidade, tecnologia e profissionais, enquanto negócios menores podem ter dificuldade para acompanhar o ritmo das mudanças.

A diferença também pode aparecer entre regiões. Para Danilo, a expansão das ferramentas digitais pode evidenciar desigualdades que já existem no território.

Inteligência artificial começa a entrar na rotina

A inteligência artificial aparece como uma etapa mais recente desse processo.

Na Barberaria do Allan, a tecnologia já é utilizada para a criação de imagens de divulgação e está presente no sistema de agendamento. Ainda assim, Allan afirma que a IA não provocou uma mudança significativa na estratégia de comunicação do estabelecimento.

A divulgação continua concentrada nos status do WhatsApp e na comunicação feita dentro da própria barbearia.

Para o consultor do Sebrae Aldo Batista, citado na pesquisa, ferramentas de inteligência artificial já podem ser utilizadas por pequenos negócios para produzir textos de venda e campanhas promocionais.

O uso dessas tecnologias, no entanto, ainda ocorre de maneira desigual. Para alguns empreendedores, a inteligência artificial pode representar economia de tempo e acesso a recursos que antes exigiam a contratação de um profissional. Para outros, incorporar novas ferramentas significa lidar com custos, aprendizado e mudanças em uma rotina que já é bastante apertada.

O território digital também é desigual

A expansão das plataformas não acontece sobre um território homogêneo.

Dados citados pelo especialista mostram que 86% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet em 2025. Entre as famílias da classe A, o índice chegava a 99%, enquanto nas classes D e E era de 73%.

Isso ajuda a colocar uma questão menos evidente quando se fala em digitalização: estar conectado não significa necessariamente ter as mesmas condições para utilizar a internet.

“Embora o espaço digital possa ser uma extensão do espaço físico, assim como determinados espaços físicos são socialmente seletivos, os espaços digitais também podem apresentar essa seletividade”, afirma Danilo.

Para um pequeno negócio, essa diferença pode aparecer na capacidade de produzir conteúdo, pagar por anúncios, contratar serviços especializados ou utilizar ferramentas mais sofisticadas. Do lado do consumidor, pode estar relacionada ao acesso à internet, à qualidade da conexão e à possibilidade de utilizar determinados aplicativos e serviços.

A pandemia acelerou uma transformação que já estava em andamento. Em Campinas e na região, pequenos negócios incorporaram parte dessas ferramentas às suas rotinas e, em muitos casos, não voltaram ao modelo anterior.

Na Chillin Burger, em Valinhos, o delivery continua ocupando uma parcela significativa das vendas. Na Barberaria do Allan, em Hortolândia, o agendamento pelo WhatsApp substituiu a antiga ordem de chegada.

São mudanças diferentes, provocadas por necessidades diferentes, mas que apontam para a mesma questão: para muitos pequenos negócios, a relação com o consumidor já não começa necessariamente na porta do estabelecimento.

A loja continua aberta no mesmo endereço. Antes de chegar até ela, porém, o cliente pode ter passado pelo celular.

Texto de Vanderlei Tenório, com colaboração de Danilo Vallini e João Almeida na reportagem; Fabrício Carnavalli na pesquisa e apuração; Felipe Passos Gal no audiovisual; e Ana Pires na pauta.

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