*Por Maíra Calidone Recchia Bayod

A última semana de 18 a 25 de setembro foi dedicada, por conta de uma obrigação legislativa, à conscientização da população para segurança no trânsito. Neste ano em especial o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu, como ponto a ser trabalhado pelos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito e pela comunidade, o tema “Minha escolha faz a diferença no trânsito”.

Esta iniciativa é necessária em virtude do alto índice de acidentes e crime de trânsito que permeiam o nosso cotidiano.

Apenas para se ter uma idéia, conforme indica um recente estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morrem anualmente no trânsito e, até 2030, esse número poderá chegar a 2,4 milhões, caso políticas públicas não sejam desenvolvidas e medidas não sejam imediatamente tomadas.

O Brasil, infelizmente, não tem um retrato diferente. No trânsito brasileiro aproximadamente nove pessoas morrem a cada hora, o que atrai também um alto impacto nos gastos da Saúde Pública. O valor orçamentário gasto no atendimento e recuperação de feridos em acidentes e crimes de trânsito é nada menos do que 14 bilhões/ano.

Grande parte desta combinação mortal se deve pela desobediência à legislação, mas principalmente pela condução de veículos automotores sob o efeito de álcool e alta velocidade, fazendo com que veículos se tornem uma arma mortal que ceifa a vida de mais de 45 mil pessoas por ano. É uma verdadeira guerra civil no trânsito brasileiro.

Matar no trânsito nestas condições não é acidente, é crime e como tal deve ser combatido e punido. Entender de modo diverso é avalizar que as mortes nestas circunstâncias não passam de um acaso, quando na realidade os condutores devem ser responsabilizados cível e penalmente pelos seus atos.

É necessário que a conscientização, o respeito e a aplicação das leis de trânsito sejam feitas e aplicadas a todos os cidadãos, porque a próxima vítima sempre pode ser alguém que você ama.

*Maíra Calidone Recchia Bayod é advogada e sócia proprietária do escritório Sônia Recchia Sociedade de Advogadas. Também é Presidente da Comissão da Mulher, Advogada da 95ª Subseção da OABSP, Membra da Rede Feminista de Juristas (deFEMde), Membra do Movimento Mais Mulheres no Direito e Membra do Movimento Mulheres pela Justiça.