Desenvolver um modelo de gestão que permita a ampliação da eficiência dos serviços, a preservação dos avanços alcançados e que incentive um envolvimento mais efetivo da sociedade na administração pública. É esse o objetivo por trás de parceria inédita anunciada no último sábado, em 27 de janeiro, pela Prefeitura de Holambra e a Fundação Dom Cabral (FDC) – uma das principais e mais reconhecidas escolas de negócios do país.

Projeto CEO’s Legacy foi apresentado oficialmente: modelo de gestão que permita a ampliação da eficiência dos serviços \ Foto: Divulgação/PMETH

O projeto, intitulado CEO’s Legacy, foi apresentado oficialmente a cerca de 90 pessoas, representantes de diversos setores da comunidade, em um primeiro encontro de trabalho no Salão da Terceira Idade. Ele contará com a tutoria de seis executivos de grandes empresas nacionais e multinacionais, além de profissionais ligados à FDC.

De acordo com o prefeito Fernando Fiori de Godoy, a intenção do grupo é construir em Holambra uma iniciativa modelo que possa ser replicada em outras cidades do Estado e do Brasil. “Queremos aperfeiçoar os métodos de governança e fazer com que a sociedade se aproprie dos bons resultados. Dessa forma a manutenção de indicadores positivos e das melhorias que virão pela frente será permanentemente exigida pelos moradores”, explicou.

O plano de trabalho do projeto está dividido em cinco etapas – a primeira delas voltada à mobilização e de conscientização dos moradores interessados em participar e contribuir com a iniciativa.  Os agentes envolvidos – Prefeitura, FDC, executivos e representantes da sociedade civil – se reunirão por setores, trimestralmente, para discutir e avaliar o desempenho das ações.

“A parte da participação da sociedade é o ponto principal. Na verdade, quando a gente definiu o projeto, elegemos isso como o fator crítico do sucesso. Esse não é um projeto do prefeito, dos executivos ou da Fundação. Nós estamos tentando viabilizar esse sonho juntos, mas o projeto, de fato, é da comunidade”, ressalta Cristina Palmaka, executiva da empresa de tecnologia SAP. “A sociedade precisa entender o que vai tirar de proveito de ter uma cidade melhor, com melhor educação, com melhor saneamento. Então a comunidade tem que participar e ser crítica. E não somente crítica, criticando, mas participando, fazendo a sua parte”.

O presidente da Bayer, Theo van der Loo, integra também o grupo de trabalho. Ele explica que as empresas podem fazer uma grande diferença e precisam exercer seu papel no desenvolvimento das cidades. “Se formos olhar décadas atrás, a gente, nas empresas, estávamos muito focados nos resultados. Na venda, rentabilidade. Esse laço com a sociedade não era tão forte”, conta. “Eu acredito que o Brasil chegou em um ponto em que a população, os empregados das empresas e até os próprios executivos e investidores querem uma empresa mais presente na sociedade. Não deixar tudo nas mãos do Estado e cobrar só do Estado, mas também participar desse processo”.

Nessa mesma linha, Ricardo Lima, vice-presidente da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), reforça a importância da soma de esforços em benefício do bem coletivo. “Você junta um grupo de pessoas, com expertises diferentes, com conhecimentos diferentes. Nós vamos nos complementando e vendo que disso sai um trabalho interessante”, comenta.

FDC reforça importância do envolvimento

Representando a Fundação Dom Cabral na apresentação do último sábado, Renata Maria Paes de Vilhena afirma que o projeto que será desenvolvido em Holambra tem potencial para proteger a comunidade e preservar as conquistas diante de mudanças que ocorrem nas mais diferentes esferas de governo. “Esse é um sonho da Fundação e meu, muito em particular, que trabalho com a área pública há mais de 30 anos. É que a gente não seja refém das mudanças que ocorrem na área pública”, explica. “E nós sabemos que a única forma de assegurar que haja perenidade em indicadores positivos, em sustentabilidade para que a gente possa manter os avanços, é através da participação da sociedade”.

Questionada sobre o motivo da escolha de Holambra para o projeto, Renata conta que fez essa mesma pergunta aos executivos quando foi convidada para participar do trabalho. “Por que Holambra já que lá já tem um índice de desenvolvimento humano quase próximo do melhor do país. A educação, que é o grande desafio no Brasil, já está acima da meta imposta pelo Ministério. Por que?”, disse. “Justamente por isso. A gente não quer perder o que já existe. Não quer que haja retrocesso”.

Para Heitor Coutinho, também da FDC, a intenção é que Holambra seja o piloto de uma iniciativa “que pode contribuir para o progresso do país”. “Nós estamos falando de algo que tem uma oportunidade muito grande de ser aplicado em outros municípios. E conversando aqui mesmo, a reação foi muito boa, achei muito positiva. Você já vê que o engajamento existe, então isso é sensacional”.

Como participar?

Os interessados em participar voluntariamente dos grupos de trabalho devem preencher o cadastro disponível em https://goo.gl/forms/HsBGBUZXrKtNgOvy1.