Edmilson Alves – edmilson@gazetaregional.com.br

As denúncias divulgadas nesta semana por onze jogadores do time profissional do Jaguariúna FC foram desmentidas pelo clube em nota divulgada à imprensa, e também postada nas redes sociais. Os atletas deixaram a equipe, denunciando ao Sindicato dos Atletas do Estado de São Paulo (Sapesp) a falta de pagamento dos salários, péssimas condições do alojamento e falta de alimentação.

Presidente do Clube, William Zidane, Coronel Isidro Suita Martinez, da Federação Paulista, e atletas do clube durante almoço \ Foto: Divulgação
Presidente do Clube, William Zidane, Coronel Isidro Suita Martinez, da Federação Paulista, e atletas do clube durante almoço \ Foto: Divulgação

Na nota, a diretoria esclarece que as informações não passam de represália de membros da comissão técnica substituídos e também da empresa contratada para fazer a gestão do time, cujo nome da empresa não aparece na nota. O clube esclarece ainda que, depois de desacertos iniciais e quebras de compromissos, profundamente contrariados, decidiu romper unilateralmente o contrato, além de notificar judicialmente a referida empresa, ainda antes da matéria em referência.

Já na quarta-feira, 6, um dia após o ocorrido, o Jaguariúna FC recebeu a visita do Coronel Isidro Suita Martinez, vice-presidente do Departamento de Infraestrutura de Estádios da Federação Paulista de Futebol, que segundo a diretoria, aprovou as instalações e serviços do clube. Segundo informou a assessoria de imprensa do Jaguariúna FC, o vice-presidente fez inspeção às instalações do CT do Jaguar e do Estádio Alfredo Chiavegato, e, em seguida, almoçou com o presidente do clube, William Zidane, e com os jogadores.

“Fizemos questão de receber logo no dia seguinte da publicação das matérias cheias de inverdades publicadas na imprensa. Na verdade, assim como nós, a imprensa foi vítima da desinformação e da manipulação de fatos, mas a verdade sempre aparece”, ressaltou Zidane.

Segundo a assessoria do clube, “depois de banir os empresários e a comissão técnica responsáveis pelos desacertos, o clube já tomou todas as providências judiciais para reparar os danos causados aos seus interesses, que são os interesses de toda a comunidade”.

DENÚNCIAS

Em relação às denúncias, os jogadores chegaram até a gravar um vídeo no qual aparece uma formiga andando no na panela de arroz e autor da gravação confirma que o alimento está azedo.

Os jogadores deixaram o clube na terça-feira após a chegada do diretor de relacionamento do Sapesp, Mauro Costa, que chegou a ser barrado na portaria do Estádio Municipal, onde os jogadores estavam à espera.

O diretor informou à Gazeta Regional que o setor jurídico do Sindicato encaminhou notificação ao Ministério Público do Trabalho, e que entrará com uma ação contra o Jaguariúna FC pedindo indenização e a rescisão de contrato dos atletas para que possa liberá-los e, assim, ser contratados e seguir carreiras em outros clubes. Ele disse ainda que notificou a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre o ocorrido. Ainda na terça-feira, 5, Mauro Costa conduziu os jogadores até Campinas, onde alguns atletas seguiram para suas cidades de origem, e outros embarcaram em São Paulo para suas casas.

Quando deixavam o estádio, os jogadores comentaram a situação para emissora de televisão Record TV, que acompanhou o representante do Sindicato. “Não, muitas vezes chegou a faltar”, respondeu o atleta Jeziel Oliveira, ao ser questionado durante a entrevista se tinha comida suficiente todos os dias. Já o jogador Dival Firmino reforça a denúncia, à Record TV, de que estavam ali como escravo. “Nós estávamos aqui como escravo mesmo”.