RMC registra aumento de mortes por coronavírus

Óbitos crescem 16,6% na 48ª Semana Epidemiológica; por outro lado, número de novos casos diminui

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou, entre 21 e 28 de novembro, período que corresponde à 48ª Semana Epidemiológica, 42 mortes por coronavírus, aumento de 16,66% em relação à semana anterior. O crescimento na taxa de mortalidade ocorreu mesmo com a queda de novos casos (-14,64%).

De acordo com a nota técnica do Observatório PUC-Campinas, o comportamento foi idêntico no Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS-Campinas) e na cidade de Campinas. Ainda que o número de infecções tenha diminuído no período, a quantidade de óbitos cresceu: foram 51 as vítimas fatais da doença no DRS-Campinas, manifestando aumento de 8,51% comparando-se à semana anterior. Em Campinas, cujo índice de mortes está entre os mais elevados da região (116 por 100 mil habitantes), o crescimento foi de 30,7%, resultante dos 17 óbitos notificados.

Para o Dr. André Giglio Bueno, os dados ajudam a elucidar o comportamento da doença no mês de novembro, marcado por oscilações nas estatísticas e represamento de informações. Embora os números da 48ª Semana Epidemiológica apontem redução dos casos confirmados, o médico lembra que as taxas de ocupação de leitos de UTI seguem crescendo em todo o Estado, fato que levou o governo a retroceder os municípios para a fase amarela do Plano São Paulo.

“Parece ser bastante adequado reorganizar as métricas do plano em um período de consistente e claro aumento de internações. Não há como prever se esse aumento é pontual ou se configura o início de uma nova evolução da pandemia. Independentemente desse ponto, houve mudança de cenário e é preciso que as pessoas aumentem o rigor com as medidas de prevenção”, afirma o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas.

No aspecto econômico, a possibilidade de uma “segunda onda” e a decisão de recuar as medidas de flexibilização para o funcionamento dos estabelecimentos, que agora devem limitar as horas de atividade e a capacidade de seus espaços, tornam o panorama ainda mais preocupante. Para o economista Paulo Oliveira, que coordena as notas técnicas sobre a covid-19 pelo Observatório PUC-Campinas, o recuo no grau de abertura dos negócios pode ser dramático para a atividade econômica no contexto de austeridade fiscal imposta pelo governo federal.

“Os dados do mercado de trabalho preocupam e indicam a dificuldade de uma recuperação que dependa do consumo das famílias, sobretudo diante da iminente descontinuidade dos programas de transferência de renda, como o Auxílio Emergencial. Sem medidas de contenção, os impactos econômicos e sociais serão devastadores para a economia brasileira e, consequentemente, para a economia regional”, pontua Oliveira.

Os dados da covid-19 na RMC podem ser obtidos no Painel Interativo do Observatório, pelo site https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/.

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