Jaguariunense cobra posição mais efetiva por parte da prefeitura municipal em relação a animais abandonados

Em setembro de 2019, a jaguariunense Hellen Aparecida Ferreira de Oliveira estava atrasada cerca de trinta minutos para o trabalho. Ao abrir o portão de sua casa, viu uma cachorra, da raça Golden, andando desnorteada. “Achei que ela tinha escapado de algum lugar, coloquei para dentro de casa, dei água e ração dos meus cachorros, separei os meus no quintal do fundo e fui trabalhar”, relata.

Ao retornar, Hellen começou a procurar pelos donos. Fez divulgação em ONG’s e consultórios veterinários, até ter a certeza de que a cachorra havia sido abandonada. Com isso, a jaguariunense assumiu a responsabilidade. “Afinal, não poderia abandoná-la novamente”.

A Golden recebeu o nome de Mel e foi levada até a clínica veterinária Amigo Pet, sendo diagnosticada com muitos problemas, entre eles a doença do carrapato que foi tratada. Após dois meses, foi descoberto um linfoma sem cura.

Com isso, foi dado início ao tratamento com quimioterapia no começo de janeiro de 2020, mas Hellen e os veterinários acreditam que ela já havia sido tratada pelos antigos donos. Mel não resistiu e faleceu no dia 07 de junho. “Aqui em casa dei todo o amparo que ela precisava e muito amor. Sentimos muito pela morte dela e por não ter conseguido fazer mais”, lamenta Hellen.

“Acho que por ser uma cidade com uma universidade com Medicina Veterinária, não deveríamos ter donos abandonando por falta de tratamento. A prefeitura deveria olhar para isso”, clama.

A jaguariunense relata que tratamento para câncer em animais é realmente muito caro. “Gastei mais de 14mil em cinco meses. Não me arrependo em nada e faria de novo, só gostaria de um olhar diferente das pessoas sobre os animais, eles não podem mais serem tratados como coisas, merecem respeito e eu acho sim que é um problema que precisa ser tratado pelas prefeituras”, volta a afirmar. “Acredito que a nossa cidade é muito pequena para ter um problema muito grande de abandono e maus tratos aos animais”, finaliza.

Posicionamento


Grupo especializado em ocorrências de maus tratos aos animais

O inspetor e responsável pelo Canil de Jaguariúna, GM Menezes, explica que há algum tempo a cidade luta contra situações de maus tratos, abandono e omissão de socorro aos animais. Inclusive, em todos os plantões o grupo formado por Menezes, GM Rodrigues e Daolio, especializado nessas ocorrências é solicitado.

“Foi feito um Projeto de Lei para dar poder em primeira instância para a guarda municipal autuar a pessoa que abandonou, maltratou ou omitiu socorro”, lembra. A pessoa pode ser multada pelo agente fiscalizador, com valor mínimo de R$250 e máximo de R$200 mil, que pode ser investido em ajuda. O não pagamento da multa ou ressarcimento dentro dos prazos implica no débito endividativo.

O Projeto foi encaminhado para a Câmara Municipal, mas ainda aguarda aprovação. Ainda, há outro aliado na defesa dos animais que já pode ser acessado e é uma novidade: Trata-se de um aplicativo municipal de informação e denúncias, disponível para Android e iOS. O app “Jaguariúna – Maus tratos animais” é gratuito.

Com ele a denúncia pode ser feita inclusive sem se identificar. O objetivo é que mais pessoas façam queixas e caia o número de animais que sofrem maus tratos.

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