Campinas cogita fechar comércio e prefeito cobra conscientização da população ao ‘novo normal’

Com aumento de casos e mortes por Covid-19, chefe do Executivo destaca que medida pode ser tomada mesmo que a cidade permaneça na fase laranja do Plano SP

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), afirmou nesta quarta-feira, 17, que cogita fechar o comércio e proibir serviços não essenciais se não houver conscientização da população ao que chamou de “novo normal”. A medida, afirma, poderia ocorrer mesmo que a cidade permaneça na fase laranja do Plano SP, que orienta a flexibilização da quarentena pelo coronavírus no estado.

Ao comentar os números da pandemia, que bateu novo recorde de mortes pelo coronavírus em 24 horas, Jonas citou dados de isolamento social, aferidos pelo governo, para mostrar que houve pouca ou nenhuma variação entre as semanas anteriores a abertura e depois da retomada. Segundo o chefe do Executivo, é momento de “responsabilidade individual cada vez mais presente”.

“Se os números [do isolamento] mostrassem uma variação muito grande, eu já teria tomado a decisão [de fechar o comércio]. Só que eu acho que estamos em uma fase de batalha, que as pessoas precisam se conscientizar do novo normal. Não é porque está aberto que é preciso ir. Só se for necessário, e fazê-lo com todo resguardo, com máscara”, diz.

Secretário de saúde, Carmino de Souza fez o alerta para melhora dos índices de isolamento. Campinas registrou na segunda e terça, taxa de 46%. No domingo, foram 52%. Segundo o médico, números acima de 50% ajudariam a diminuir índices de novas contaminações e a pressão no sistema de saúde. “Precisamos melhorar esses indicadores de isolamento, ou teremos de tomar uma medida muito mais radical”, pontua.

Ainda de acordo com o secretário, os números ascendentes de casos dão sinais de que a cidade ainda não chegou ao pico da pandemia, e é preciso corresponsabilidade da população no enfrentamento da doença.

“Nós temos a responsabilidade de oferecer atendimento, mas há uma responsabilidade do outro lado. É preciso que a pessoa saiba que ao se preservar, ela preserva ela, preserva outras pessoas da família, preserva a comunidade.”

Presidente da Rede Mário Gatti, Marcos Pimenta lembra que se não houver essa consciência social, mais pessoas vão morrer pela Covid-19. “Vai ter um momento que não teremos como ampliar indefinidamente a capacidade de leitos”, diz.

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