Reflexos da Pandemia: Tradicional restaurante de Holambra trabalha com adaptações acreditando na sobrevivência da empresa

Casa Bela Restaurante se adapta às regras de funcionamento durante a quarentena, mas ainda assim sofre com grande queda no faturamento

Com a pandemia do novo coronavírus, os restaurantes completam dois meses de vendas exclusivamente por delivery, reflexo da quarentena imposta pelo Estado de São Paulo. Um dos mais tradicionais de Holambra, o Casa Bela Restaurante, sofre com brusca queda de faturamento, teme o momento atual, mas segue na esperança da recuperação econômica.

O primeiro sentimento do sócio Pablo Schoenmaker é de preocupação com a saúde de todos os clientes, colaboradores e familiares. Quanto aos negócios, uma grande frustração. 

Até o fim de abril o restaurante acumulava um prejuízo superior a R$260.000. “O fator principal do prejuízo é a enorme queda no faturamento, onde, com o serviço de entregas e retiradas, temos atingido apenas 10% do faturamento do mesmo período do ano anterior”, conta Pablo. “Entretanto essa conta pode ser ainda maior, uma vez que existem ainda contas a receber de clientes pessoa física e jurídica que não sabemos se serão honradas”, teme.

“A região como um todo foi duramente afetada pelo decreto de quarentena. Enquanto não havia nem um único caso no município de Holambra, por exemplo, fomos obrigados encerrar o atendimento presencial e já naquele momento começamos a assumir prejuízos. Todos na região se preocuparam e adotaram as medidas recomendadas, porém o fechamento foi precoce em nossa região”, considera Pablo.

Neste período, os gastos adicionais com produtos como álcool em gel, máscaras e desinfetantes tiveram seus preços inflacionados. Além disso, muito embora o valor absoluto de despesas como água e luz tenha caído, eles agora representam uma porcentagem maior das despesas.

Segundo Pablo, a situação torna tudo um desafio, desde a escala de equipe e logística de transporte, à aquisição de insumos e canais de vendas. “O faturamento é abaixo do suficiente para cobrir as despesas. Impostos foram prorrogados, porém terão de ser pagos nos próximos meses, em um momento em que as empresas continuam sem caixa para pagar”, explica.

“A redução de custos é desafiadora. As empresas não tem caixa para demissão dos colaboradores a fim de ajustar os custos na proporção da queda de seu faturamento. Não há perspectiva de que a retomada, quando vier, seja no mesmo patamar pré-pandemia”, teme.

Pablo relata que o acesso ao crédito nos bancos está extremamente difícil e, segundo pesquisa da ABRASEL, 81% dos pedidos tem sido negados. “Além disso, as condições de garantias e taxas de juros são extremamente desfavoráveis para as empresas”, diz.

Embora o setor de bares e restaurantes, assim como outros considerados não essenciais, tenha fechado no início do decreto de pandemia, Pablo acredita que isso não significou a possibilidade de retomada antecipada, pois só agora, dois meses após o decreto foi sinalizado o início da flexibilização. “O Governo Estadual ainda não foi capaz de apresentar um programa claro e completo para a flexibilização, contendo informações sobre quais atividades e de que forma, se dará o inicio da flexibilização. Tal informação (mesmo sem data definitiva para inicio) é fundamental para que todos possam se planejar e se preparar para voltar à atividade”, afirma.

Além disso, o empresário considera que, pior do que não poder abrir para atendimento presencial, seria abrir por alguns dias e ser obrigado a fechar novamente. Isso pode causar um prejuízo maior ainda por conta de estoques e mão de obra.

“Estamos nesse momento com toda energia e atenção voltada para a sobrevivência, na certeza de que isso tudo vai passar e, quando passar, vamos nos recuperando pouco a pouco. Os empresários apostaram todas as suas fichas e sonhos em seus negócios, portanto existe apenas uma alternativa: Acreditar na sua empresa e seguir sempre em movimento, passo por passo, um dia de cada vez”, finaliza.

Adaptação

Pablo considera que a inovação é fundamental nesse momento e por isso, o restaurante precisou se adequar a realidade ajustando os canais de atendimento implantando sistema de entregas, adaptando os produtos para transporte e inclusive mudar o fluxo de trabalho. “Com certeza há muito que se aprender e continuar usando após esse período. Maior atuação nas mídias sociais, serviço de entrega e atendimento por WhatsApp serão atividades que manteremos após o fim da pandemia”, afirma. “Temos também rotinas administrativas como acompanhamento mais rigoroso do fluxo de caixa e contenção de despesas, que continuarão com atenção especial pós pandemia”.

Outro fator que mudou na empresa foi a relação com clientes, fornecedores e até mesmo concorrentes. O sócio da Casa Bela Restaurante conta que houve uma aproximação e, certamente, a atitude de ajuda mútua é algo que deve permanecer para sempre dentro de cada um e dos negócios. 

Casa Bela Restaurante
Rua Doria Vasconcelos, 81 – Centro – Holambra SP
O Restaurante existe há mais de 25 anos, oferecendo no almoço e jantar um cardápio variado com opções da gastronomia Holandesa e Internacional. São atendidos empresas, moradores e turistas.

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