Reflexos da pandemia: Um breve adeus ao Quintal do Bruto

A empresa não conseguiu negociar o aluguel e com a casa fechada precisou fechar as portas, temporariamente

Paula Partyka – [email protected]

O Quintal do Bruto nasceu do desejo de empreender, de ter o negócio próprio e residir no interior. Jaguariúna foi escolhida pelo empresário José Roberto de Oliveira Filho pelo potencial sócio econômico, pelo fato de oferecer uma boa qualidade de vida e também pela sua percepção de poucas opções para a vida noturna, uma vez que o projeto original do estabelecimento era de um bar e espetaria.

O funcionamento era dinâmico: promoções, shows de música ao vivo (sertanejo, pagode, rock, eletrônico…) e cardápio adaptados para sempre atender a expectativa dos clientes da melhor forma. “Nossos espetinhos, porções e lanches sempre muito bem acompanhados de cerveja gelada e drinks caprichados”, conta o proprietário.

Toda a região frequentava o Quintal do Bruto. A faixa etária média era de 25 à 34 anos, mas também havia um espaço para os mais jovens e para toda família.

Na semana anterior ao decreto de estado de emergência em saúde pública para prevenir o coronavírus no Brasil, a empresa conseguia sentir o movimento cair. “No último domingo de funcionamento, em 15 de março, nosso faturamento teve uma queda de 70%, sendo que este era o dia de maior movimento da casa”, conta Roberto.

“Na 2ª e 3ª seguintes, dias em que a casa não abria, ficamos atentos aos noticiários e então percebemos a gravidade da situação. Vimos que as outras casas da região já estavam suspendendo as atividades em função da pandemia e então no dia 18 de março fizemos o mesmo, mas em função da saúde e de preservar a equipe e os clientes”, lembra. “Ainda mais por atendermos não só a cidade, mas uma região de 200km, em média, além dos visitantes de outros estados que vem para cidade à trabalho”.

Com o decreto de quarentena e a casa fechada, Roberto tentou vender pelas redes sociais vouchers para serem usados posteriormente. No entanto, de acordo com ele, a adesão foi baixíssima. “Acredito que com a crise econômica decorrente da pandemia, nossos clientes também tiveram receio de gastar hoje sem saber como será o amanhã”, diz.

Antes da pandemia o Quintal trabalhava com delivery, mas a média de venda diária não seria suficiente para cobrir os custos fixos: aluguel, água, energia, luz, folha de pagamento e outros. “Apesar de termos uma cozinha muito boa, o entretenimento era o ponto forte da casa”, conta Roberto.

Sem funcionamento, sem faturamento e sem lucro, o custo do aluguel começou a pesar. Roberto tentou negociar junto à imobiliária e ao proprietário, mas não obteve sucesso e não teve como pagar 100% de aluguel com a casa 100% fechada.

“Além disso, o acesso às linhas de crédito para micro e pequenas empresas não chega ao destino final, são exigidas garantias e o processo é moroso. Mesmo com um prazo razoável para pagamento, seria assumir uma dívida sem saber como será paga, não temos como garantir uma média de faturamento pós-pandemia”, acrescenta.

Por esses motivos, no domingo, 17, o empresário anunciou o fechamento temporário da empresa. “Entregamos o ponto, mas não as pontas. O Quintal do Bruto está em “modo de espera”. Vamos aguardar que o funcionamento de bares e casas noturnas seja liberado, analisar com cuidado o comportamento da população nessa retomada, os novos hábitos, as novas necessidades e então traçaremos o caminho a seguir”, diz

Desse modo, o empresário acredita que o Quintal do Bruto deu certo. “Eu e minha esposa vivíamos o negócio e estávamos lá dentro o tempo todo, a maior parte do tempo trabalhando lado a lado com nossos funcionários atrás do balcão, no salão, na cozinha”, lembra.

“Como dissemos à nossa equipe, podemos não ter feito tudo certo, mas temos a certeza que demos o nosso melhor. As manifestações de carinho e apoio dos nossos amigos e clientes só reforçaram esse sentimento. Naquele endereço foi que iniciamos nossa história, que construímos o nome “Quintal do Bruto”, que fizemos amigos e formamos a família Bruto. Isso é nosso e não tem preço!”, finaliza.

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