Câmara aprova feriadão em Campinas a partir de segunda

 Medida é para aumentar a taxa de isolamento social na cidade

Com 25 votos favoráveis e quatro contrários, os vereadores de Campinas aprovaram em primeira discussão (legalidade) nesta quinta-feira, 21, o projeto de lei que permite a celebração do feriadão a partir de segunda-feira, 25, para tentar aumentar a taxa de isolamento social que está abaixo de 50%. O descanso é até quarta-feira, 27.

Votaram contrários os vereadores Campos Filho (Podemos), Nelson Hossri (PSD), Marcelo Silva (PSD), e Tenente Santini (PP). Os vereadores votam neste momento a segunda discussão.

O feriado começa na segunda-feira porque neste dia foi decretado descanso estadual com a antecipação do feriado de 9 de julho. Já os de terça e quarta-feira, dias 26 e 27, ocorrem porque foram antecipadas as datas comemorativas de Corpus Christi e Dia da Consciência Negra, celebradas, nos dias 11 de junho e 20 de novembro.

Divisão

Assim como na população, os vereadores estão divididos entre os que defendem o isolamento social e os que querem a volta da normalidade para preservar os empregos. Alguns vereadores, por exemplo, pediram a adoção de lockdown.

O vereador Pedro Tourinho (PT) diz que essa medida [lockdown] tem de ser planejada porque o sistema de saúde já está demonstrando sobrecarga. “As pessoas têm de entender e se preparar porque inevitavelmente vai acontecer. A situação se aproxima rapidamente do caos completo e do colapso do sistema de saúde”, disse ele.

Gustavo Petta (PCdoB) diz que o culpado pelo crescimento de casos é o presidente Jair Bolsonaro que relativiza a gravidade da doença. Já Mariana Conti (Psol), que também apoia o isolamento social, diz que as medidas tomadas pela Administração Jonas Donizette (PSB) são vacilantes. “Como relaxamento do comércio, por exemplo, só serve para o olhar do consumo. Mas para o olhar de quem trabalha não resolve. As pessoas estão sendo obrigadas a se mobilizarem. Para mim, toda e qualquer medida que possa salvar vidas tem de ser tomada”, diz ela.

O vereador Tenente Santini, que defende a flexibilização do comércio, atacou a falada vereadora Mariana. “Vou chamar a mãe Rússia para pagar as contas dos camaradas. É fácil ficar em casa, com geladeira cheia e TV a cabo, enquanto enquanto tem gente sem dinheiro para sobreviver. Eu Tive que mandar 400 pessoas em embora. Só o setor turismo de Campinas setá perdendo 45 mil vagas. Além disso, as empresas terão um gasto maior porque terão de pagar hora-extra num único mês, quando iriam pagar em três meses”, diz Santini.

Mariana respondeu: “O vereador só faz esse discurso demagógico para dar ibope e passar pano para o Bolsonaro. Ele tem que parar de por a família para viajar em avião da FAB e saber a necessidade do povo”.

Pedro Tourinho entrou na discussão e chamou Bolsonaro de psicopata. “São genocidas que vão para o esgoto da história. O Brasil poderia estar unido e organizado para enfrentar a pandemia, mas vemos o governo federal e seus lacaios reproduzir esse discurso de volta da atividade econômica ao invés de assumir uma política de proteção e apoio às indústrias. O sistema de saúde de Campinas vai entrar em colapso por causa do boicote desse pessoal. Esse discurso leva à morte”, diz o petista.

Já Nelson Hossri (PSD), que votou contrário ao projeto, disse que o comércio precisa ser reaberto. “Se salvar um CNPJ, você salva cinco CPFS. Prefeito, o senhor acredita mesmo que as pessoas vão ficar seis dias dentro de casa?”, questiona.

O vereador Professor Alberto (PL) chamou a atenção para o risco de o SUS sofrer colapso nos próximos dias. “Se isso ocorrer quem vai sofrer é a população que mais precisa. Não podemos fazer apenas a defesa do capitalismo selvagem. Não há medida indolor”, diz ele.

Paulo Haddad (Cidadania) defendeu o governo Jonas e disse que todas as medidas que têm sido tomadas são embasadas na ciência.

Luiz Cirilo (PSDB) diz que alguns vereadores transformaram o projeto em um palanque político. “A Igreja Católica e alguns do movimento negro não são contrários. Só podemos pensar na economia se as pessoas tiverem vida. Votei no presidente Bolsonaro e acho ele um irresponsável. Votei no Doria e acho ele, em algumas ações, acho ele autoritário. É preciso fazer o isolamento para tentarmos retomar o início da normalidade em junho”.FacebookTwitterEmailCompartilhar

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