Coronavírus: Médico fala com a Gazeta Regional sobre o atual cenário da doença no Brasil

Gazeta Regional: Primeiramente, o Brasil tem motivos para tanto pânico?

Dr. Bruno Farnetano: É natural que haja pânico todas as vezes que uma nova doença surge. Foi assim com a doença do vírus Ebola, por exemplo, há alguns anos. Cabe aos especialistas, principalmente os que vão até a mídia, utilizarem a atenção despertada para informar sobre os cuidados necessários, como procurar orientação médica caso você tenha vindo de um país com a doença. O pânico é natural mas a sua energia deve ser revertida para a orientação.

Gazeta Regional: Esse é um vírus novo, com um caso confirmado, que tem causado uma onda de medo nos brasileiros. No entanto, doenças com alto número de mortes, como dengue e sarampo, por exemplo, não causam o mesmo temor. O que o Dr. acha sobre isso?

Dr. Bruno Farnetano: São coisas diferentes. A presença de sarampo e dengue não anula o risco em potencial do coronavirus e, na minha visão, também existe um temor grande em relação as duas primeiras. Eu moro numa região com muitos casos de dengue e a população, em regra, está em estado de alerta. No entanto, o entendimento quanto aos cuidados na prevenção deixam a desejar (as vacinas, no sarampo e o combate ao mosquito, na dengue).

Gazeta Regional: “Os vírus se adaptam para conviver no hospedeiro e não para matá-lo”. O que o Dr. acha possível nesse cenário?

Dr. Bruno Farnetano: A primeira frase pode ser traduzida da seguinte forma: Ainda que haja mortes por doenças virais, a grande maioria dos pacientes não morre. E isso é verdade. Mas uma vida perdida, ainda que única, sempre será uma tragédia.

Gazeta Regional: Este coronavírus, que surgiu na China em condições climáticas bem diferentes do Brasil, pode se adaptar ao clima brasileiro?

Dr. Bruno Farnetano: Quanto a adaptação do coronavirus ao Brasil, ainda é cedo para sabermos mas tal possibilidade exige a atenção da saúde pública.

Gazeta Regional: Apenas o isolamento domiciliar é seguro neste caso?

Dr. Bruno Farnetano: O isolamento domiciliar seria uma medida necessária visto que o vírus é transmitido por via respiratória. Sem o contato com o paciente infectado, não haveria novos casos. Infelizmente, falar em isolamento respiratório no Brasil é muito complexo porque não temos este hábito.

Bruno Farnetano, MD, MSc

Medicina Interna – CRMMG 64918

Professor de Clínica Médica da Universidade Federal de Viçosa

Professor de Clínica Médica do Curso de Medicina da Faculdade Governador Ozanam Coelho

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