Com possível efeito do Coronavírus, RMC reduz importações da China em janeiro

Por outro lado, houve aumento na exportação de medicamentos, indicando preocupação dos chineses com a doença; estudo mostra 3º pior resultado da década para o mês de janeiro

A importação de produtos fabricados na China, principal fornecedora da indústria regional, teve queda superior a 12% em janeiro deste ano. Segundo relatório do Observatório PUC-Campinas, o resultado pode estar atrelado ao Coronavírus, que se tornou preocupação mundial nos últimos meses. Contudo, possivelmente em razão da apreensão gerada pela doença, houve aumento na exportação de medicamentos à China no período.

Responsável pelo estudo, o economista Paulo Oliveira enaltece que ainda é cedo para avaliar os impactos do Coronavírus nas transações comerciais com a China. No entanto, o docente reitera que os insumos vindos da China são fundamentais à produção regional. “Do lado da importação, o país é o principal parceiro comercial, respondendo por cerca de 23% dos produtos importados, sobretudo telefones, circuitos integrados, acessórios de máquinas de escritório e componentes químicos. Se a atividade industrial chinesa se retrair, rompendo as cadeias de fornecimento, nossas empresas podem ficar desabastecidas”, destaca.

Se comparado a janeiro de 2019, o volume de importações em produtos de telefonia, compostos químicos e circuitos eletrônicos sofreu redução este ano. Apenas os insumos ligados a acessórios de máquinas de escritório apresentaram crescimento no valor importado. Já nas exportações, a venda de medicamentos à China foi destaque na pauta, apresentando aumento exponencial em relação ao ano passado. Foram quase U$S 3 milhões em números absolutos.

Balança comercial

No geral, considerando as trocas comerciais envolvendo outros países, os números também são pouco animadores: apesar da leve diminuição no déficit comercial, este foi o terceiro pior desempenho na década para o mês de janeiro. Houve redução de 13,5% nas exportações e de 3,75% nas importações na comparação com o mesmo período de 2019.

As diminuições na pauta de exportação estiveram ligadas especialmente aos produtos de média-alta – peças de carros, papel revestido e automóveis – e média-média complexidades, tais como compostos químicos e pneus. O resultado não foi pior graças ao crescimento na exportação de agroquímicos.

Nas importações, as quedas foram observadas em maior proporção na categoria de média-alta complexidade, que engloba produtos e insumos de telefonia, circuitos integrados e compostos heterocíclicos de nitrogênio. Em contrapartida, houve aumento nas compras externas de partes e acessórios de máquinas de escritório, inseticidas, fungicidas, herbicidas e misturas de fertilizantes.

“Feita a análise, podemos verificar que 2020 começa com sinal de queda na atividade econômica da indústria química, de telefonia e de eletrônicos. Por outro lado, é possível observar melhor dinâmica na agricultura e um tímido crescimento na indústria automobilística”, afirma Paulo.

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