Amamentação é um assunto que tem que ser tratado de forma recorrente e o “Agosto Dourado” intensifica a sua importância

O aleitamento exclusivo deixa a criança mais resistente e evita cerca de 13% das mortes na infância

O “Agosto Dourado” é dedicado à intensificação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Ele simboliza uma campanha social pela maior consciência de papais e mamães quanto a importância do leite materno na alimentação dos primeiros anos de vida dos bebês.
Em Jaguariúna, a enfermeira pediatra Cindy Ferrari, especializada em pediatria e neonatologia pela USP, trabalha com todo o ciclo da amamentação. Ou seja, desde orientação a gestante, consultas emergenciais pós-parto, planejamento de volta ao trabalho e o fim do ciclo de amamentação.
A amamentação não é fácil. “A gente acha que é intuitivo, mas exige técnica, posicionamento correto do bebê, cuidados com os seios e tudo mais e, ás vezes, a mulher acaba desistindo pela falta de orientação. Outros fatores importantes para desistirem ou desmamarem precocemente é a introdução de bico artificial precocemente, como o bico e mamadeira”, conta Cindy.
Além dos diversos benefícios para o bebê, para a mulher a amamentação também muito importante. “Pouco se fala, mas é muito importante para prevenção de complicações no pós-parto imediato, tem redução dos índices de câncer de mama e ovário, a mulher consegue voltar ao peso dela mais rapidamente e muitos outros, além do próprio vínculo que é estabelecido com o bebê”.
Falando em índices, guiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o objetivo é de que no mínimo 60% das crianças recebam o aleitamento materno. “E estamos muito longe disso, temos menos de 40% de crianças que são amamentas. Geralmente as mulheres desistem, ou nem chegam a tentar, por fatores como falta de apoio da família, parceiro e própria sociedade; falta de informação ou falta de apoio no sentido de orientação dos profissionais” explica.
“Mas uma coisa que é uma luta de quem defende amamentação, é a questão da licença maternidade, que é de 120 dias. E temos uma política de saúde que diz que é necessário que o bebê mamar exclusivamente até os seis meses mas a mãe tem que voltar a trabalhar aos quatro meses de vida do bebê, isso é incompatível. E aí falta informação porque dá para manter o aleitamento materno mesmo voltando a trabalhar, mas as mulheres acabam desistindo, dando a mamadeira e acontece o desmame”.
Uma sugestão de Cindy, é a empresa oferecer um espaço adequado para a mulher continuar a amamentar. E, em vista disso tudo, o índice de 60% de bebês amamentados está longe. “Então, esse tipo de ação é fundamental”, considera.
Também de olho nos índices, pode-se notar que a falta da amamentação não é uma questão apenas brasileira, mas sim, mundial. “São menos de 30 países que conseguem atingir a meta dos 60%. Então, é uma questão mundial e, pensando no próprio gasto com as doenças e quanto o aleitamento materno pode prevenir essas doenças, reduz taxa de mortalidade infantil. Então é uma política pública de saúde importante porque é um meio natural de prevenir um monte de coisa. O que precisa é informação”.

Evento
Um movimento mundial chamado Mamaço, no qual as mães com seus bebês se reúnem para amamentar, enquanto compartilham e se entrosam com as outras pessoas. Em vista disso, é realizado em Jaguariúna com o apoio da Cindy, por meio da iniciativa das mães que ela atende, uma ação como essa, que nesse ano o tema busca empoderar os pais.
“Se pensar na palavra empoderamento, é dar o poder para alguém. O poder da escolha, o poder de ter o controle e tomar decisões de forma consciente. A ideia de incluir o pai nesse processo para ter uma igualdade de gênero de entender que o papel dos pais e mães são igualmente importantes para que a amamentação aconteça”, diz Cindy.
O evento acontece neste domingo, 25, às 10h no Parque dos Lagos. “Faremos uma palestra em cima deste tema e sempre fazemos uma foto oficial, então as mamães devem levar seus bebês”, convida.

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