Campinas bate recorde na taxa de UTIs Covid-19 ocupadas nas redes pública e particular

Dos 318 leitos exclusivos para pacientes com coronavírus, 38 estão livres – 31 em hospitais particulares, 7 em unidades do estado e nenhum no SUS municipal, pelo 4º dia seguido. ‘São números proibitivos à flexibilização’, diz infectologista da Unicamp

Campinas bateu nesta terça-feira, 16, recorde na taxa de UTIs exclusivas para Covid-19 ocupadas nas redes pública e privada. Dos 318 leitos existentes, 280 estão com pacientes (88,05%) e 38 livres – 31 em hospitais particulares, 7 em unidades do estado e nenhum no SUS municipal, pelo 4º dia seguido.

Dados que fazem a infectologista Raquel Stucchi, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia emitir um alerta. “Do ponto de vista da ciência, são números proibitivos à flexibilização”. A prefeitura diz que segue orientações do Estado.

Raquel aponta que os números atuais de casos graves com necessidade de hospitalização são um reflexo da queda do isolamento social do fim de maio, e o impacto pela reabertura do comércio e retomada de serviços não essenciais, que provocaram cenas de aglomeração pela cidade, deve atingir a rede de saúde nos próximos dias.

“O que estamos vendo agora reflete o comportamento de dez, catorze dias atrás, e essa aglomeração de agora preocupa, principalmente pela pouca quantidade de leitos. E os cuidados vão além de ter somente a vaga de UTI, o manejo é diferente de outros pacientes de alta complexidade. Você pode até contratar mais pessoal, mas não serão profissionais com experiência”, afirma.

A opinião da especialista vai de encontro com um estudo da Unicamp que afirma que a cidade ainda “está longe” do pico da pandemia.

Nesta terça, Campinas registrou novo recorde de número de mortes confirmadas em 24 horas, com mais 15 óbitos – até o momento, são 4.392 casos no total e 164 mortes pela Covid-19.

Fonte: G1