Reflexos da pandemia: Com baixo faturamento, empresa pedreirense luta para se readequar as regras de funcionamento

“A nossa empresa está muito doente, um caso sério mesmo”, diz o proprietário João Paulo Baldasso

Paula Partyka – paulapartyka@gazetaregional.com.br

A Colonial Cafeteria, de Pedreira, está no mercado há 13 anos e é consolidada com uma trajetória de ascensão. O maior prejuízo da empresa neste momento de quarentena imposta devido à pandemia é o faturamento, além do prejuízo psicológico, que é algo considerado muito sério pelo proprietário João Paulo Baldasso.

Tanto os funcionários que estão em casa vivendo uma incerteza, quanto os proprietários, empresários e empreendedores, sofrem psicologicamente ao lidar repentinamente com inovação, criação, projeção e possíveis demissões. “Acho que essa é a parte que mais dói no coração de um empresário e no meu caso, uma empresa pequena onde somos em 12 colaboradores, somos muito próximos. Dói o coração imaginar uma possível demissão de qualquer um deles”.

Durante os primeiros 10 dias de paralisação, a empresa precisou bancar o salário dos funcionários com as portas fechadas. Com isso, João Paulo optou em pagar como férias esse tempo e a partir do dia 1º de abril a equipe entrou em suspensão de contrato.

Nove pessoas tiveram o contrato suspenso e três, mais João Paulo, se adaptaram ao delivery, atividade permitida durante a quarentena. “Algo que nunca fizemos antes. Nunca tivemos o foco em trabalhar com delivery, até porque nossa empresa possui um salão para 40 mesas. Nosso foco e infraestrutura é para atender o cliente no local”.

A empresa trabalha, normalmente, em horário ampliado, atendendo desde o café da manhã até o jantar. “Foi preciso nos adaptar muito rápido. De um dia para o outro passamos a fazer delivery”, conta João. Com isso, foi preciso entender melhor o que o cliente deseja receber em sua casa e se readaptar.

Para João, foi difícil se adaptar para algo que nunca foi projetado. “Essa reformulação de cardápio e adequação da empresa para divulgação em mídias sociais é aprender novamente como atingir seu público-alvo ele estando em casa”, diz. “Mas, eu acho que a gente se saiu bem. Na parte do delivery, comparando quando iniciamos até os dias de hoje, estamos novamente em ascensão. O maior aprendizado é que essa modalidade não para mais”.

Com a queda nas vendas, João conseguiu negociar a redução do aluguel com a proprietária do imóvel, mas o custo operacional é muito grande. “Com todos os custos fixos mais os três funcionários da equipe, estou há 60 dias trabalhando no vermelho, sem nenhum tipo de lucro e com o risco de ter que arcar com prejuízos futuros”.

A empresa fatura atualmente, 20%. “A nossa empresa está muito doente, um caso sério mesmo. Mas estamos trabalhando para mantê-la doente e não deixá-la morrer. Não é nem curar, porque esse formato que estamos não é um formato que consigamos salvar a empresa. A gente consegue estabilizar doente como ela está”, explica.

O empresário acredita que os danos pós a pandemia serão enormes, gigantescos e que a maior dificuldade está por vir. “Na hora que liberarem as pessoas para virem [ao estabelecimento] e não tiverem dinheiro para gastar”.