Faz gosto – Lebrão

De semblante sempre alegre, microfone na mão, câmera fotográfica nos olhos, uma boa história para contar a tira colo, lições de vida e prazer em ajudar. Os feitos dos grandes homens antecedem sua apresentação.

Um filho ilustre de Jaguariúna que dispensou a formalidade do nome de registro, que nem ele mesmo às vezes reconhecia quando era chamado de Antonio, para abraçar o apelido de infância e ser para sempre eternizado como o querido Lebrão.

Neste 28 de abril, completaria 62 anos. Hoje não ouvimos mais o seu “faz gosto“, mas somos nós que fazemos nossas “saudações maiúsculas“.

Talvez, de alguma maneira, ele soubesse que sua passagem por essa vida não seria tão extensa, então tratou de acelerar o passo como uma verdadeira lebre. Viveu de forma intensa e fez acontecer! Os tantos legados deixados são a prova de sua dedicação para o povo.

Contar a história de Jaguariúna sem citar Lebrão é impossível. Contar a história de Lebrão sem citar Jaguariúna também é. São histórias que se fundem. Jaguariúna deu tudo a Lebrão, e Lebrão deu tudo de si a Jaguariúna.

Por 33 anos foi funcionário público, começando como almoxarife e terminando o jogo da vida onde foi o camisa 10, como Secretário de Esportes. Inquieto, proativo, idealista e realizador, contribuía onde fosse chamado e construiu sua trajetória também nas áreas da educação, cultura, turismo e comunicação.

Quem não se lembra da sua animada divulgação do Passeio Ciclístico nas escolas? Do suspense interminável no sorteio das bicicletas? Das matinês dos bailes de carnaval com os concursos de fantasias? Com a emoção e a fé na locução e organização da Cavalaria Antoniana? Das Olimpíadas da Integração que faziam pulsar o Ginásio Azulão?

Os seus feitos foram reconhecidos pelo seu povo, que nele enxergavam um representante digno e o elegeram por duas vezes como vereador.

Um homem que ajuda a construir uma história, jamais permitiria que essa história seja esquecida. Passou então a resgatar jornais e fotografias de tempos anteriores ao seu, somando-os aos que ele mesmo passava a produzir. Dessa maneira, deixou para a eternidade, para todas as gerações da nossa querida terra-mãe Jaguariúna, um acervo com aproxidamente 400 mil fotos, documentos e registros jornalísticos de nossa cidade.

Chama a atenção o zelo e o trabalho meticuloso em armazenar e identificar cada pasta e cada CD com a devida descrição de seu conteúdo, locais, personagens e em que tempo da história os fatos ali registrados aconteceram. Todo esse acervo foi doado pela família para a Casa da Memória, garantido seu objetivo em dedicar tanto empenho e capricho na catalogação de tão vasto conteúdo, que todos conhecessem através da sua sensibilidade a história de sua tão amada Jaguariúna.

Pena dizer que a vida não tenha sido tão generosa com ele, quanto ele foi para os outros. O fez lutar contra o temido câncer. Venceu com louvor a primeira batalha, mas foi acolhido no reino dos céus quando outra luta ousou o desafiar.

Reconhecidamente um altruísta, dedicado em ajudar, reergueu homens, ajudou a realizar sonhos e salvou vidas. Sempre no anonimato. Deixou eterna e absoluta gratidão em muitos corações. E aqui mora o grande legado de um homem que tanto fez. Deixou exemplos e se fez para sempre na memória o amigo leal, que amparou quem o procurou, que desfrutou de seu incansável desejo de realizar e que será lembrado com um sorriso no rosto, mesmo quando o que se deseja é um abraço apertado.

Cássio Rodrigues – Filho

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