Jovem com leucemia tem rede de apoio nas redes sociais

Thais Camargo foi diagnosticada com Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e encara o momento como um propósito de Deus

Paula Partyka – paulapartyka@gazetaregional.com.br

“Nunca vi como uma doença. Eu disse que não ia chamar de doença, desde o começo, eu chamo de propósito. Tem dia que é difícil, parece que não vou conseguir. A quimio é muito forte e tem exame que a minha mãe até segura minha mão”, conta a jaguariunense Thais Camargo, diagnosticada em novembro de 2019, com Leucemia Linfoide Aguda (LLA).

A Thais foi três vezes ao hospital com uma dorzinha na lateral da barriga, tomava remédio e era mandada para casa. No quarto dia, com a dor ainda persistente, sua mãe avisou que não iria trabalhar e levou a filha em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. “Eu pedi para Deus que colocasse um médico que mostrasse o que a Thais tinha. Na minha cabeça era uma infecção de urina”, conta a mãe, Luciana Camargo.

Após ultrassom, raio x, hemograma e demais exames, o médico disse que os resultados estavam muito alterados e pediu para refazê-los e com isso veio a confirmação de que as plaquetas estavam muito baixas. “Estavam 38 mil e o normal é 150 mil”.

Com isso, Thais foi encaminhada para o internamento e a médica do hospital, de acordo com a mãe, disse que pelos exames era leucemia, mas é necessário um exame específico para confirmar. “Já bateu um desespero. Ela ficou internada quinta, sexta, sábado e domingo. Na segunda-feira conseguimos uma vaga no Hospital de Clínicas da Unicamp para fazer esse exame específico. Ela já ficou internada, na terça foi feita a biopsia e na quarta-feira saiu o confirmação da Leucemia Linfoide Aguda (LLA). Foi tudo bem rápido”.

Thais conta que no começo foi difícil. “Bagunçou muito a cabeça pois eu tinha acabado de passar o vestibular para Psicologia no Centro Universitário de Jaguariúna (UniFaj). Era a semana que eu ia fazer a matricula e tive que internar”, conta.

“Somos evangélicos e eu creio que Deus tem um propósito. Desde o primeiro dia eu nunca perguntei o ‘por que?’ e sim o ‘pra que?’. Eu creio que vai ser para o testemunho dela, para ganhar muitas almas. Alguma coisa Deus tem. Muitas pessoas vão pensar que é ruim, mas eu creio que é para a honra e gloria então estou muito em paz”, diz a mãe.

De acordo com ela, a rotina da Thais, de segunda a sexta-feira, é ir para o hospital da Unicamp. Ela recebe sangue, toma remédios e faz quimioterapia.

Com a LLA, Thais não pode sair de casa devido a imunidade baixa, a alimentação é regrada entre outras coisas. Ela precisa ser acompanhada ao caminhar também, pois está muito fraca.

São 52 sessões de quimioterapia, que foram iniciadas em novembro. Todos os dias ela recebe uma injeção por conta da imunidade. Tomava 30 comprimidos no início e agora toma 12.

Thais precisa do transplante da medula. Nos próximos dias os irmãos tem o resultado de compatibilidade e caso seja negativo os pais devem fazer o teste também. Thais tem 19 anos, faz 20 em fevereiro e espera o resultado positivo da medula como presente.

“Ela já fez quatro biopsias da medula e toda vez eu estou segurando a mão dela. É só Deus para dar força. E só temos a agradecer, pois Deus colocou muita gente no nosso caminho para dar força”, conta Luciana.

Thais revela que sempre escreveu textos sobre seus sentimentos, mas deixava guardado. Com a situação, ela resolveu postar seu Instagram sobre esse momento que tem vivido e muitas pessoas começaram a chamá-la para contar suas histórias. “Eu posso pelo menos confortar outras pessoas. Então eu escrevo”.

A mãe lembra que Thais teve síndrome do pânico e depressão. “Ela sempre achava que ninguém gostava dela e não adiantava falar. Agora ela vê o quanto é amada”.

Nesta semana, a cantora Julia Vitória, de quem Thais é muito fã, mandou um recado de força para ela. “Não tem palavras para agradecer. É um gesto. Uma mensagem simples com um amor tão grande, pois não conhece a pessoa, não tem vínculo, então só temos a agradecer”, diz a mãe.

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