“A doença é só um detalhe da vida e não a vida toda”, diz psicanalista

A psicanalista Patrícia Furlan é a nova colunista mensal do Gazeta Regional

Paula Partyka – paulapartyka@gazetaregional.com.br

Formada em Psicologia em 2009 e se aprofundando em Psicanálise desde então, Patrícia Furlan é a nova colunista do Jornal Gazeta Regional. A psicóloga estuda Psicanálise no Instituto da Psicanálise Lacaniana (IPLA), presidido pelo médico psiquiatra e psicanalista, Jorge Forbes, ganhador de um prêmio Jabuti e foi um dos criadores da Escola Brasileira de Psicanálise.

A decisão de Patrícia por cursar psicologia partiu da curiosidade e fascínio em entender a mente humana. “Tinha um fascínio em tentar entender e ajudar pessoas que sofriam. Eu pensava: o que é isso? Como aprendemos a usar essa máquina humana a nosso favor? Então eu fui mais pela curiosidade”, lembra.

Enquanto acadêmica, ganhou um livro intitulado “Você quer o que deseja”, que é do Jorge Forbes. Neste momento, no 4º ano da faculdade, ela tinha muitas perguntas sobre os casos e motivos de ansiedade, depressão e demais doenças. A resposta que ela tinha era sempre a mesma: depende de cada caso.

“E eu não estava contente com essa resposta. Eu queria entender mais. Eu entendia a faculdade de Psicologia como algo muito rico, mas como uma viagem para a Europa: você conhece vários países mas tem um conhecimento geral”, explica.

Dentro da profissão, o profissional segue uma técnica para entender os sintomas e tratá-los. Então, após a leitura do livro de Forbes, ela achou simples a linguagem para explicar a Psicanálise, que é algo muito difícil.

A partir disto, ela buscou pelo Instituto, ainda cursando o último ano de Psicologia. “A formação e Psicanálise, diferente da de Psicologia, não temos uma data de conclusão. Então o psicanalista se baseia no tripé freudiano que é a análise pessoal, supervisão dos casos clínicos e o ensino, ou seja, estar diante e um instituto que tenha teoria”, explica sobre a formação da Psicanálise.

“Eu escolhi o IPLA, pois além de ter linguagem fácil, que dentro da Psicanálise não é comum, quem de continuidade e trouxe o ensino do Jacques Lacan foi o Jorge Forbes”. Essa é uma linguagem muito difícil e para Patrícia, Forbes traduz muito bem.

O Instituto também é especializado em novos sintomas da contemporaneidade. E para novos sintomas, é preciso novas técnicas e estratégias. Como na psicanálise o remédio é pela palavra, quando é bem definido, a pessoa consegue ter um bom resultado somente por esse trabalho.

“Nosso corpo responde a palavra, então, a gente entende que existe a ligação entre corpo e mente. De uma palavra a gente pode se curar e de uma palavra a gente pode adoecer. Muitos casos de depressão estão vinculados ao sentimento de culpa, que veio de uma conversa com alguém. Aí a pessoa desenvolve a depressão pois não aceita que ela causou um dano ou um problema para alguém, aí ela começa a se culpar”, explica a psicanalista.

Outro sintoma da sociedade na contemporaneidade, comentado por Patrícia, é ansiedade. “Não tem mais aquela coisa: siga esse caminho que você vai conseguir. Hoje temos uma multiplicidade de escolhas e possibilidades. E o problema, é que quando escolhemos uma, deixamos de lado 99 opções e diante disso nos deparamos com a angustia da escolha. A ansiedade não está ligada somente ao futuro, mas também à decisões”.

Qualquer pessoa em qualquer momento pode desenvolver ansiedade e por vezes seguir para o caminho da depressão. Por isso, é importante fazer terapia quando se tem um sofrimento, o mais bobo que seja, mas que incomoda. “Se não tratar isso, vai virar uma doença psíquica. Quando você trata, vamos na causa. Antes, voltávamos em toda a história da pessoa. Hoje, o que a pessoa traz, trabalhamos em cima. As vezes a pessoa não quer se abrir, mas ela não precisa contar a vida toda, apenas o problema”.

Com o avanço da psicanálise, em três meses a pessoa tem bons resultados. O ideal é fazer semanal e em três meses há melhoras. É preciso controlar o corpo, se não ele se controla.

“Gosto de ajudar os outros, me satisfaço muito no meu trabalho. É muito satisfatório ajudar as pessoas a superarem os problemas delas”, diz a profissional. Mensalmente, Patrícia tem o espaço reservado para seus artigos. Contato: Rua Darcy de Campos Souza, 166. Ipê ffice, Jaguariúna. Telefone (19) 99864-4659.