Preocupação com as dívidas pode desencadear insegurança, estresse e vícios

O pagamento do 13º salário deve introduzir R$ 211,2 bilhões na economia brasileira até dezembro. O valor representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, beneficiando cerca de 84,5 milhões de trabalhadores do mercado formal, inclusive aposentados, pensionistas e empregados domésticos. Os apontamentos são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Nesta época do ano em que uma parcela da população conta com a chegada desse dinheiro extra no orçamento, é preciso planejar antes de se decidir sobre a forma de gasto. Os consumidores podem optar, por exemplo, pela negociação das dívidas, aquisição de novos bens, investimentos, entre outros.

Entretanto, quando dessa escolha, é preciso considerar os pontos positivos e negativos, incluindo os possíveis problemas financeiros, emocionais e de comportamento. Afinal, ansiedade, insegurança e estresse são problemas que se entrelaçam quando o assunto é a falta de dinheiro para pagar as dívidas, afetando o relacionamento no trabalho e entre a família.

Inadimplência

Segundo levantamento realizado em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em cada dez inadimplentes, seis (58%) passaram a se sentir mais ansiosos depois que ficaram devendo. Outros sentimentos que a maioria dos inadimplentes passou a vivenciar em algum grau foram insegurança por não conseguir pagar as dívidas (59%) e estresse (52%).

Os atrasos de pagamento afetaram a autoestima de 41% dos entrevistados e quase um terço (31%) sente-se envergonhado perante a família e amigos por estarem devendo. Além disso, a preocupação com a imagem transmitida aos outros é algo que parte dos entrevistados leva em conta: 12% citam o medo de não conseguir um emprego por estarem devendo e 5% temem ser considerados desonestos pelas demais pessoas. De modo geral, 56% dos inadimplentes demonstram um alto grau de preocupação com as dívidas em atraso que possuem.

Ansiedade

A inadimplência também fez com que os consumidores buscassem meios de fugir de preocupações com a situação financeira. De acordo com a pesquisa, 22% das pessoas com contas atrasadas passaram a descontar a ansiedade em algum vício como cigarro, comida ou álcool e 15% passaram a gastar mais do que o costume com compras. Mesmo inadimplentes, 26% dos entrevistados admitem não terem feito ajustes no orçamento e 22% não abriram mão de compras que costumavam fazer.

“O estado emocional do devedor interfere de forma direta na maneira com que ele lida com suas finanças. Sentimentos negativos dificultam o processo de organização das contas e é preciso que ele encontre maneiras de não se deixar abater pelas preocupações. Para lidar com as finanças, é preciso racionalidade e ponderação a fim de encontrar as melhores estratégias para sair da inadimplência”, orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Metodologia

A pesquisa, divulgada na segunda quinzena de outubro, ouviu 609 consumidores com contas em atraso há mais de 90 dias. A amostra é representativa e contempla ambos os gêneros, pessoas acima de 18 anos, de todas as classes sociais e residentes nas 27 capitais do país. A margem de erro é de 3,97 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.

Por Viviane Westin – Mtb 24966

Foto: Divulgação – Pixabay