Conquistas e esperança de uma nobre profissão

Edmilson Alves

edmilson@gazetaregional.com.br

 

Na próxima segunda-feira, 15 de outubro, comemora-se o Dia do Professor. As festividades nas escolas acontecem anteriormente, uma vez que no dia 15 os professores não lecionam em função do ponto facultativo. Atualmente, o professor, no Brasil, não tem mais a valorização, em termos de profissão, que recebia décadas atrás.

No entanto, em algumas cidades o próprio município investe para que a área de Educação se sobressaia, e, assim, garantir qualidade no ensino, reconhecimento ao professor, e alunos satisfeito. É o que tem acontecido em Jaguariúna na atual gestão municipal. Os investimentos provenientes na área resultaram na melhor Educação Municipal da Região Metropolitana de Campinas (RMC), segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado neste final de agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) do Ministério da Educação. Com nota 6,4, a cidade se destaca sozinha na liderança em qualidade do ensino no Fundamental II que abrange do 6° ao 9°.

Com isso, o resultado já começa a ser colhido. Como é o caso do professor Fernando Aurélio Cunha Figueiredo, que leciona Educação Física na Escola Municipal “Prefeito Joaquim Pires Sobrinho” (Unidade I) e na Escola Municipal “Professora Maria Tereza Piva”, que teve seu projeto de psicomotricidade “Aula em Movimento” premiado na segunda edição do Desafio Diário de Inovações, promovido pela ONG Porvir em parceria com o IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores).

“Foi uma experiência muito rica, para nós, educadores, que participaram desse desafio, pois pudemos exercer nossa criatividade, que se mostrou inovadora e acabou premiada. O reconhecimento pelo trabalho que fazemos por amor me deixa feliz e mostra que estou no caminho certo. Além de ser um grande incentivo profissional, tivemos a oportunidade de expor nossos trabalhos como palestrantes e apresentá-los em algumas rodas de debates. Tenho que agradecer também à equipe gestora das escolas onde trabalho e à supervisora Luciene Mara de Lima, por me apoiarem e acreditarem em meu trabalho”, conta Figueiredo.

O professor Fernando Figueiredo, premiado, ainda comemora a conquista. “É uma sensação indescritível, de reconhecimento de que meu trabalho nestes quase 16 anos que me dedico à área de educação está no caminho certo. Mas o incentivo da Secretaria de Educação de Jaguariúna também foi muito importante, pois foram eles que por conhecerem o meu trabalho, aceitaram por em prática o meu projeto”.

Em função disso, Figueiredo diz que a implantação de projetos nas escolas continua ocorrendo. “Desenvolvo outros projetos, não gosto de dar aulas iguais, cada aula é uma aula, até porque a educação física é uma área muito vasta, onde os alunos podem brincar, jogar, dançar, lutar, se expressar, se movimentar (ginástica), competir, cooperar e socializar”.

 

DIA DO PROFESSOR

Sobre a data (Dia dos Professores), ele considerada muito importante. “Apesar de que no Brasil pouca gente dá valor, pois o professor é pouco valorizado, mas se não fosse o professor não teríamos bons profissionais nas demais áreas”, salienta, que completa dizendo que trata-se de uma das mais importantes profissões praticadas no mundo, a do professor, afinal, sem ela, a transmissão de conhecimentos e a correta apreensão destes pelas pessoas seriam praticamente impossíveis.

Questionado se é possível realizar educação com qualidade somente com a criatividade em sala de aula Fernando Figueiredo diz que somente a criatividade do educador não é suficiente. “É inquestionável que no mundo atual, sobretudo no âmbito educacional, requer professores criativos que formem alunos criativos. O professor inovador, ele tenta passar para os alunos os conteúdos de formas diversas, pois ninguém é igual a ninguém, por isso nem todos aprendem da mesma forma e com isso tornar mais atrativos os conteúdos a serem aprendidos pelos alunos”.

Ele lembra que a educação no Brasil no geral não está bem, e, segundo Figueiredo, isso passa por diversos fatores: estruturais – a escola é a identidade que menos mudou neste tempo que existe, na maioria dos casos é uma sala, com uma lousa e giz, com crianças sentadas em filas. “É necessária boa formação e capacitação dos professores, promover a valorização profissional (financeira e reconhecimento), melhorar o currículo escolar (matérias e conteúdos pouco atrativos para os dias de hoje) e boa gestão escolar (politicas educacionais).

Em relação ao seu trabalho, como professor de educação física, Figueiredo vê no esporte uma saída social para que se formem cidadãos de bem. “É necessário o incentivo à atividade física, pois no mundo em que vivemos as crianças de hoje quase não brincam por vários motivos, os produtos eletrônicos, a falta de tempo dos pais, a falta de espaço e a violência urbana”, explica. Segundo ele, isso está trazendo várias doenças que eram imagináveis anos atrás, tais como o sedentarismo desenvolve obesidade, depressão, ansiedade, hipertensão e diabetes.

Para Figueiredo, o esporte, além de ser uma forma de manter e melhorar a saúde, é capaz de trazer alegria, de aliviar a ansiedade, de formar um bom caráter, ensinar valores fundamentais como respeito, amizade, perseverança, determinação e superação. “Em outros casos, existe uma possibilidade de mudança na qualidade de vida, através do esporte como profissão” , finaliza.

 

Foto: Samuel Oliveira/PMJ